Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados acionários globais operam em baixa nesta sexta-feira (27), pressionados pela incerteza sobre o conflito no Oriente Médio.
O governo americano estendeu por 10 dias a pausa nos ataques à infraestrutura de energia do Irã. A medida sinaliza que os EUA buscam caminhos para encerrar a guerra, o prazo não dissipou os temores de escalada militar.
O conflito provocou uma disparada nos preços do petróleo, penalizando os eleitores nas bombas de combustível, o que pode custar assentos aos Republicanos nas eleições de meio de mandato. Uma resolução traria alívio ao mercado acionário, que acumula perdas desde que os EUA e Israel atacaram a infraestrutura energética iraniana em 28 de fevereiro.
A incerteza, contudo, persiste após o ministro das Relações Exteriores do Irã declarar à imprensa estatal que Teerã não pretende dialogar com os EUA, ainda que seus líderes analisem a proposta americana de cessar-fogo.
Esses temores pesam sobre as bolsas e impulsionam o petróleo hoje. Os contratos futuros do Brent avançam 1,40%, para US$ 109,58 por barril, enquanto os do West Texas Intermediate (WTI) sobem 1,58%, a US$ 95,97.
As taxas dos Treasuries operam em alta. Os juros do título de 10 anos sobem 4 pontos base, a 4,46%, e a taxa doTreasury de dois anos registra avanço marginal, a 4,01%. Os juros doTreasury de 30 anos avançam para 4,96%.
O índice DXY avança 0,11%, aos 100,01 pontos. O ouro sobe 1,26%, negociado a US$ 4.431,16, ao passo que o Bitcoin recua 1,90%, cotado a US$ 67.647,79.
Na Ásia, os mercados acionários encerraram os negócios sem direção única. O índice chinês Shanghai CSI 300 subiu 0,56%, enquanto o Nikkei do Japão recuou 0,43%.
Na Europa, o índice Euro Stoxx recua 1,08% nesta manhã, penalizado pela nova alta do petróleo. Nos EUA, o S&P 500 Futuro opera com baixa de 0,10%.
No Brasil, o Ibovespa encerrou a última sessão com queda de 1,45% ontem (26), aos 182.732 pontos. O dólar avançou 0,21%, a R$ 5,2386. Na curva de juros, as taxas futuras subiram em torno de 20 pontos base, impulsionadas pelo choque energético externo.
Brasil: O Índice de Confiança da Indústria da FGV apresentou estabilidade em março, interrompendo a recuperação prévia, com movimentos divergentes entre seus componentes. Houve piora na percepção da situação atual, pressionada pelo excesso de estoques, mas melhora nas expectativas futuras, impulsionadas por previsões positivas para emprego e produção. O nível de utilização da capacidade instalada avançou. Contudo, o ambiente global adverso — marcado pela alta do petróleo e juros restritivos — mantém a cautela no setor empresarial.
Brasil: A inflação medida pelo IPCA-15 avançou 0,44% em março, acumulando 3,90% em 12 meses, e superou a mediana das projeções de 0,29%. A alta foi pressionada por Serviços, com impacto de passagens aéreas, e Alimentação no domicílio. Na margem, houve desaceleração gerada pelo alívio sazonal em mensalidades escolares e pelo recuo de Preços Administrados e Bens Industriais. A média dos núcleos avançou 0,35% no mês e 4,35% ao ano, com a média móvel trimestral passando de 4,60% para 4,70%.
EUA: Os diretores do Fed expressaram preocupação com os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a economia. A alta do petróleo elevou os riscos, e a diretora Lisa Cook destacou o vetor inflacionário como predominante em relação ao mercado de trabalho. Os diretores Michael Barr e Philip Jefferson defenderam a manutenção da taxa de juros para avaliar o impacto do choque de oferta. O grupo avalia que pressões prolongadas em energia e tarifas comerciais podem elevar as expectativas inflacionárias de longo prazo.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |