Ameaças de Trump contra o Canadá trazem cautela para o mercado global

26/01/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais iniciam a semana em tom de cautela, reagindo à renovação das ameaças tarifárias por parte de Trump contra o Canadá.

O quadro de incerteza geopolítica impulsiona o ouro, que superou a marca de US$ 5.100 por onça-troy no mercado à vista pela primeira vez. Enquanto isso, os ativos de risco operam em leve baixa.

O movimento reflete o reposicionamento global diante da agressividade retórica de Trump contra parceiros comerciais históricos, ao passo que investidores aguardam sinalizações do Fed sobre a trajetória das taxas de juros.

No front econômico, o foco recai sobre o Fed, que inicia sua reunião de dois dias amanhã (27). O consenso aponta para a manutenção das taxas, mas a atenção volta-se ao tom do comunicado e à coletiva de Jerome Powell. Há uma percepção de que o banco central pode adotar postura cautelosa diante da volatilidade geopolítica e da resiliência dos dados de inflação e emprego.

As taxas dos Treasuries operam com estabilidade. A taxa da Treasury de 2 anos negocia a 3,584%, enquanto a taxa de 10 anos situa-se em 4,206%.

O dólar perde força globalmente e o índice DXY recuando 0,55%, para 97,06 pontos — o menor nível em 4 meses. O Yen fortaleceu para o maior nível em dois meses.

No cenário de ativos alternativos, o ouro futuro amplia a valorização e sobe 1,95%, negociado a US$ 5.084,61. O Bitcoin opera em queda de 1,66%.

No complexo de commodities, o petróleo WTI opera estável a US$ 61,07 por barril. O minério de ferro apresenta valorização de 0,21% e negocia a US$ 105,87 por tonelada.

Os mercados asiáticos encerraram a sessão de forma mista. O índice chinês Shanghai CSI 300 subiu 0,09%, enquanto o Nikkei, do Japão, recuou 1,79%.

Na Europa e nos EUA, a tendência é de baixa moderada; o Euro Stoxx opera em queda de 0,34%, enquanto o S&P 500 Futuro recua 0,24%.

No Brasil, o Ibovespa encerrou a última sessão em alta de 1,86%, aos 178.859 pontos, novo recorde de fechamento, impulsionada pelo fluxo de capital estrangeiro. O dólar fechou em queda de 0,04%, cotado a R$ 5,2857. No mercado de juros, o recuo das taxas longas resultou em perda de inclinação.

Economia

EUA: O índice PMI de serviços permaneceu estável em 52,5 pontos em janeiro, levemente abaixo das expectativas do mercado. Apesar da estabilidade do indicador cheio, a composição foi relativamente favorável, com avanço dos novos negócios e do emprego. Ao mesmo tempo, as pressões de custos arrefeceram: os preços dos insumos recuaram ao menor nível desde abril de 2025 e os preços cobrados pelos serviços também mostraram desaceleração, embora o indicador de atividade futura tenha apresentado leve queda.

Na indústria, o PMI subiu marginalmente para 51,9 pontos em janeiro, em linha com o consenso. O resultado refletiu um quadro misto, com aceleração da produção e dos novos pedidos, mas perda de fôlego no componente de emprego. Diferentemente do setor de serviços, os preços ganharam força, tanto do lado dos insumos quanto dos produtos finais, sinalizando renovadas pressões inflacionárias na indústria. O indicador de produção futura avançou de forma expressiva, sugerindo maior otimismo entre os fabricantes.

Os dados preliminares do PMI indicam que a economia americana iniciou o ano mantendo crescimento, ainda que em ritmo mais moderado do que o observado no fim de 2025. O mercado de trabalho segue fraco, com criação de vagas próxima da estagnação em janeiro — à medida que empresas demonstram cautela para contratar diante de um ambiente marcado por incerteza, demanda ainda contida e custos elevados.

Destaques do Boletim Focus do Banco Central (23/01/2025):

  • IPCA/2026 caiu de 4,02% para 4,00%, enquanto o IPCA/2027 ficou estável em 3,80%;
  • PIB/2026 ficou estável em 1,80%, enquanto o PIB/2027 ficou estável em 1,80%;
  • Dólar/2026 ficou estável em R$ 5,50, enquanto o Dólar/2027 subiu de R$ 5,50 para R$ 5,51;
  • Selic/26 ficou estável em 12,25% a.a., enquanto a Selic/2027 ficou estável em 10,50% a.a.;
  • Primário/26 ficou estável em -0,53%, enquanto Primário/27 piorou de -0,30% para -0,40%.

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Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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