Dirigente do Fed aponta para corte de juros em dezembro e traz alívio aos mercados

24/11/2025 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais seguem voláteis. Investidores reavaliam as ações das big techs e empresas ligadas à inteligência artificial. A volatilidade diminuiu desde sexta-feira (21), mas o apetite por risco permanece contido.

Os agentes econômicos ainda têm de lidar com incertezas sobre a qualidade dos dados oficiais. Na sexta-feira, o mercado soube que o Fed não receberá uma leitura crucial de inflação antes da próxima decisão, após o Bureau of Labor Statistics cancelar o CPI de outubro. O CPI de novembro, previsto para 10 de dezembro, foi adiado para 18 de dezembro — portanto,  após a reunião do Fed.

As expectativas para corte de juros em dezembro avançam de forma expressiva após John Williams, do Fed de Nova York, indicar espaço para “novo ajuste. Segundo ele, a política monetária está “modestamente restritiva” e há margem para aproximar os juros da zona neutra. Os futuros atribuem quase 70,00% de probabilidade de corte de 25 pontos base na reunião de 10 de dezembro.

As taxas dos Treasuries operam quase estáveis. A taxa de 2 anos está em 3,52% e a de 10 anos negocia a 4,06%.

O dólar está estável, enquanto operadores monitoram risco de intervenção no iene — que vinha cedendo com juros baixos e política fiscal frouxa — mas a moeda japonesa recuperou parte das perdas após a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, intensificar alertas sobre uma compra de ienes. O mercado enxerga como provável uma intervenção entre ¥158,00 e ¥162,00 por dólar, com a liquidez reduzida pelo feriado de Thanksgiving nos EUA criando janela para atuação.

O dólar segue perto das máximas de seis meses, com o índice DXY estável em 100,14 pontos. O ouro cai pela terceira sessão consecutiva: o spot recua 0,40%, para US$ 4.051,31 por onça.

No mercado cripto, o fim de semana foi de estabilização depois o Bitoin digital testar o suporte de US$ 80.000,00 na sexta-feira. Na abertura desta segunda-feira (24), a moeda sobe 1,00%, negociado a US$ 85.972,09.

O petróleo cai nesta segunda: o Brent recua 0,22%, para US$ 62,42., enquanto conversas de paz entre Rússia e Ucrânia avançam e o fortalecimento do dólar adiciona pressão.

As bolsas europeias iniciam a semana em alta, acompanhando o alívio parcial. Os mercados da Ásia fecharam mistos: Hong Kong avançou 1,97%, impulsionado por tecnologia e saúde, enquanto o CSI 300 recuou 0,12%. O mercado japonês permaneceu fechado por feriado. Nos EUA, o S&P 500 Futuro avança 0,29%.

No Brasil, o Ibovespa subiu 0,16% na sexta-feira, aos 157.501,24 pontos. O dólar caiu 0,10%, cotado a R$ 5,2641.

Economia

EUA: O vicecharmain e presidente do Fed Nova York, John Williams, fez um discurso compatível com a continuidade do ciclo de corte de juros em dezembro. Ele avaliou que a economia desacelerou em relação ao ritmo do ano passado, enquanto o mercado de trabalho vem esfriando de forma gradual. Indicadores que medem o equilíbrio entre oferta e demanda por mão de obra — como a taxa de desemprego — retornaram a níveis pré-pandemia, sugerindo um mercado menos aquecido, mas sem sinais de deterioração abrupta.

Com expectativas inflacionárias ancoradas, cadeias produtivas funcionando normalmente e salários em ritmo mais moderado, a autoridade projeta que esses impactos se dissipem até meados do próximo ano, permitindo que a inflação retome a trajetória rumo a 2% até 2027.

Para o Williams, os riscos ao mercado de trabalho aumentaram, enquanto os riscos de inflação excessiva perderam intensidade. A política segue levemente restritiva, mas menos do que antes dos cortes recentes, abrindo espaço para mais um ajuste que aproxime os juros do nível neutro.

Após o discurso, a chance de um novo corte de 25 pontos base na reunião do Fed de dezembro no mercado futuro passou para 71%, acima do patamar de 30% dos últimos dias. Mantemos a expectativa de corte de 25 p.b. em dezembro, levando a taxa de juros básica para 3,75% ao ano.

EUA: Os PMIs preliminares de novembro mostraram sinais mistos na economia. O índice de serviços subiu levemente para 55 pontos, acima das expectativas, impulsionado pelo avanço de novos negócios, embora o componente de emprego tenha recuado. O PMI industrial caiu para 51,9 pontos, em linha com as projeções, refletindo enfraquecimento em produção e novos pedidos, apesar de uma leve melhora no emprego. Em ambos os setores, as expectativas de produção futura avançaram, sugerindo confiança empresarial mais forte.

Destaques do Boletim Focus do Banco Central (21/11/2025):

  • IPCA/2025 caiu de 4,46% para 4,45%, enquanto o IPCA/2026 caiu de 4,20% par 4,18%;
  • PIB/2025 ficou estável em 2,16%, enquanto o PIB/2026 ficou estável em 1,78%;
  • Dólar/2025 ficou estável em R$ 5,40, enquanto o Dólar/2026 ficou estável em R$ 5,50;
  • Selic/25 ficou estável em 15,00% a.a., enquanto a Selic/2026 caiu de 12,25% a.a. para 12,00% a.a.;
  • Primário/25 ficou estável em -0,50%, enquanto Primário/26 ficou estável em -0,60%.

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Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
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Economista-chefe
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Analista de Ativos
CNPI: 9236

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