Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais operam com cautela nesta manhã, após a euforia desencadeada pelo arrefecimento das tensões geopolíticas na Groenlândia.
Enquanto as bolsas internacionais buscam direção, o Ibovespa destacou-se ontem (22) ao renovar sua máxima histórica — impulsionado por um robusto fluxo de capital estrangeiro e pela repercussão de novas pesquisas eleitorais. Em paralelo, a aversão ao risco persiste: o ouro sustenta-se próximo a patamares recordes, sinalizando que investidores mantêm proteções ativas apesar da recuperação pontual dos ativos de risco.
A resiliência dos indicadores dos Estados Unidos consolidou a aposta de que o Federal Reserve manterá os juros estáveis em sua próxima reunião. O mercado interpreta este quadro como a confirmação de um soft landing bem-sucedido.
A curva dos Treasuries reflete um ajuste técnico, mantendo-se em patamares elevados, mas estáveis. A taxa de 2 anos oscila marginalmente para 3,61%, enquanto o título de 10 anos permanece praticamente inalterado em 4,23%.
O índice DXY — que mede o dólar ante uma cesta de moedasfortes — exibe leve alta de 0,03%, cotado a 98,39 pontos. O ouro recua 0,07%, negociado a US$ 4.932,30 por onça-troy. O Bitcoin cede 0,20%, operando a US$ 88.985.
As commodities apresentam desempenho misto. O petróleo WTI avança 1,34%, cotado a US$ 60,16 o barril, recuperando parte das perdas recentes. O minério de ferro registra ganhos modestos de 0,24%, negociado a US$ 105,65.
Na Ásia, as bolsas encerraram a sessão sem direção única. O índice chinês Shanghai CSI 300 recuou 0,44%, pressionado pela realização de lucros, enquanto o Nikkei, no Japão, subiu 0,29%. Na Europa e nos EUA, a tendência é negativa. O índice Euro Stoxx opera em baixa de 0,47% e os futuros do S&P 500 apontam para uma abertura no vermelho, em queda de 0,23%.
No Brasil, o fechamento anterior foi marcado por exuberância. O Ibovespa saltou 2,19% e atingiu um novo recorde de 175.589 pontos. No acumulado do ano, o índice já avança mais de 9%. As blue chips financeiras ditaram o ritmo do índice. O Banco do Brasil liderou os ganhos (+4,69%), seguido por Itaú Unibanco (+3,38%) e Bradesco (+2,73%). As ações ligadas a commodities, embora positivas, tiveram desempenho mais contido.
O fluxo comprador, predominantemente estrangeiro, ganhou tração adicional após a divulgação de pesquisas eleitorais que indicaram um avanço significativo de candidatos da direita frente ao presidente Lula. O forte ingresso de recursos via conta capital e comercial refletiu-se imediatamente no câmbio e nos juros. O dólar recuou 0,53%, cotado a R$ 5,2879 — menor patamar desde 11 de novembro —,enquanto a curva de juros se deslocou para baixo.
EUA: O núcleo do PCE avançou 0,21% em outubro e 0,16% em novembro, em linha com as expectativas do mercado. Os preços de bens permaneceram praticamente estáveis nos dois meses, sem sinais claros de repasse tarifário no período, embora dados do CPI indiquem que itens mais expostos a tarifas devem voltar a subir em dezembro.
No setor de serviços, a inflação veio próxima às projeções, um pouco mais forte em outubro e mais moderada em novembro. Serviços excluindo habitação mostraram aceleração, impulsionados sobretudo por saúde e serviços financeiros, componentes menos afetados por ruídos temporários. Apesar da desaceleração da inflação anual do núcleo do PCE em outubro e novembro, a expectativa é de nova aceleração em dezembro, encerrando o ano em 3,0%.
EUA: O crescimento do PIB real no 3° trimestre foi revisado para cima em 0,1 ponto percentual, alcançando uma taxa anualizada de 4,4% — impulsionado principalmente por uma revisão mais forte das exportações, cuja alta foi ajustada para 9,6%, e por uma contribuição ligeiramente menos negativa da acumulação de estoques. O consumo das famílias permaneceu sólido, com expansão de 3,5%, sem revisão, enquanto os gastos do governo também se mantiveram inalterados, crescendo 2,2% no período.
O investimento fixo das empresas foi revisado para cima, passando a crescer 3,2%, refletindo sobretudo um ajuste menos negativo no investimento em estruturas. Em contraste, o investimento residencial foi revisado para baixo, com queda de 7,1%, reforçando sinais de fraqueza no setor habitacional. Como resultado, a demanda doméstica privada teve o crescimento levemente revisado para baixo, para 2,9%, evidenciando que parte da força do PIB no trimestre veio de fatores mais voláteis, como comércio exterior e estoques.
EUA: Os gastos dos consumidores avançaram 0,5% em novembro, em linha com as expectativas do mercado, após alta igualmente forte em outubro, quando superaram as projeções. Em termos reais, o consumo cresceu 0,3% em ambos os meses, sustentado por uma combinação de aumento nos gastos com serviços e uma expansão mais robusta nas compras de bens.
A renda pessoal, por sua vez, mostrou desempenho mais moderado, com avanço de 0,3% em novembro e de apenas 0,1% em outubro, ambos abaixo das expectativas. O crescimento da remuneração dos trabalhadores seguiu contido, enquanto a renda de ativos permaneceu estagnada e a renda de proprietários recuou. Nesse contexto, a taxa de poupança caiu para 3,5% em novembro, o menor nível desde setembro, sugerindo que o consumo recente tem sido parcialmente sustentado por uma redução da capacidade de poupar das famílias.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |