Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais ensaiam uma estabilização nesta quarta-feira (21) e buscam recuperar terreno após o forte sell-off de ontem (20) — provocado pela retórica de Trump em relação à Groenlândia. Enquanto os futuros em Wall Street operam em leve alta, as bolsas europeias exibem fraqueza e o ouro renova máximas históricas.
O sentimento de aversão ao risco persiste sob a ameaça de tarifas de Washington à Europa, impulsionando a busca por proteção nos ativos de segurança.
Embora as manchetes foquem no risco da “venda de ativos dos EUA”, a leitura é imprecisa: não é a venda do estoque da dívida que gera crise fiscal, mas a interrupção do fluxo de financiamento. O foco deve recair sobre o funding. O episódio Truss no Reino Unido e a crise grega foram problemas de financiamento, pois o risco real reside na redução das entradas de capital — e não na venda massiva de ativos. A distinção é pertinente para os EUA, dependentes de capital externo, e Japão, financiado internamente.
Os Treasuries operam estáveis nesta manhã. A taxa do título de 2 anos marca 3,59% e a de 10 anos opera em 4,28%. O recente ganho de inclinação da curva reflete o aumento da percepção de risco. A taxa de 30 anos atinge 4,91%, nível mais alto em quatro meses.
O índice DXY opera estável, em alta marginal de 0,04%, a 98,68 pontos. O ouro salta 2,12% para um novo recorde a US$ 4.864,27 por onça-troy, enquanto o Bitcoin recua 0,31%, a US$ 89.091,49.
Nas commodities, o petróleo WTI cede 0,73%, a US$ 59,90 por barril. O minério de ferro recua 0,28%, a US$ 105,79 por tonelada.
Na Ásia, o fechamento foi misto. Na China, o índice CSI 300 encerrou com alta de 0,09%, enquanto o Nikkei, do Japão, caiu 0,41%.
Na Europa, as bolsas operam em terreno negativo nesta manhã, com o Euro Stoxx recuando 0,53%. Já o S&P 500 futuro sinaliza abertura no campo positivo, com alta de 0,20%.
No Brasil, o Ibovespa encerrou o último pregão com alta de 0,87%, aos 166.276,90 pontos. O dólar avançou 0,19%, a R$ 5,3759 e a curva de juros ganhou inclinação.
EUA: O presidente Donald Trump afirmou ontem que não pretende recuar em seu objetivo de controlar a Groenlândia e se recusou a descartar o uso da força, elevando as tensões com aliados europeus. As declarações ocorrem em meio a novas ameaças do republicano, enquanto líderes da Europa buscam articular uma resposta diplomática e econômica.
A União Europeia avalia reagir com medidas comerciais, incluindo um pacote de tarifas sobre €93 bilhões (US$ 109 bilhões) em importações dos EUA, que pode entrar automaticamente em vigor do dia 6 de fevereiro, após o fim de uma suspensão de seis meses.
EUA: A Suprema Corte divulgou três decisões ontem, mas deixou de se pronunciar sobre a disputa envolvendo a legalidade das tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump. O tema segue pendente de análise pela corte.
O tribunal também não informou quando voltará a divulgar novas decisões. Como é de praxe, a Suprema Corte não anuncia previamente quais casos serão julgados ou terão decisões publicadas em datas específicas.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.

Não houve divulgação de dados relevantes.
Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |