Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais abrem o dia em tom de cautela, à espera de dados da economia dos Estados Unidose e monitorando as tensões no Oriente Médio.
O atrito entre os EUA e Irã segue elevado. O presidente Trump afirmou ontem (19) que decidirá nos próximos 10 dias se adotará medidas militares contra o país árabe.
A economia dos EUA será o foco central dos investidores nesta sexta-feira (20). Hoje, serão divulgados às 10h30 o índice de despesas de consumo pessoal (PCE) e o relatório do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre.
O PIB do 4T25 será avaliado com atenção, com economistas projetando um avanço de 2,50% no PIB real. O crescimento de 4,40% registrado no 3T25 superou as estimativas.
O PCE, a métrica de inflação preferida do Fed, também será divulgado. A expectativa é que o indicador cheio apresente um avanço de 2,80% na comparação anual, enquanto o núcleo do PCE — que exclui preços voláteis de alimentos e energia — deve registrar alta de 3,00% no acumulado de 12 meses.
Ainda nos EUA, Wall Street espera um veredicto da Suprema Corte sobre a legalidade das tarifas de Trump sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.
As taxas dos Treasuries estão estáveis, com o título de dois anos negociando a 3,47%, e o de dez anos a 4,07%.
O índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de divisas globais, registra leve recuo de 0,02%, aos 97,91 pontos. O ouro à vista avança 0,56%, negociado a US$ 5.024,02 por onça-troy, enquanto o Bitcoin opera com ganhos de 1,92%, cotado a US$ 68.183,40.
Nesta manhã, o petróleo WTI recua 0,72%, com o barril negociado a US$ 65,95, mas acumula alta de 10,8% no ano. O minério de ferro exibe estabilidade, com variação marginal negativa de 0,01%, a US$ 98,25 por tonelada.
Na Ásia, o índice sul-coreano Kospi atingiu nova máxima histórica, impulsionado por um rali nas ações de semicondutores e defesa, com alta de 2,31%. O índice Nikkei, do Japão, fechou em queda de 1,12%, enquanto o índice Shanghai CSI 300, da China, encerrou a sessão estável.
Na Europa, o índice Euro Stoxx opera em alta de 0,40%. Nos EUA, os contratos atrelados ao S&P 500 Futuro apresentam leve avanço de 0,23%.
No Brasil, o Ibovespa encerrou a última sessão com valorização de 1,35%, aos 188.534,42 pontos. O dólar recuou 0,40%, cotado a R$ 5,2150.
EUA: Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram 23 mil, para 206 mil, na semana encerrada em 14 de fevereiro, surpreendendo positivamente as expectativas e reforçando a leitura de um mercado de trabalho ainda resiliente. A média móvel de quatro semanas recuou para 219 mil. Houve quedas relevantes em estados como Nova York, Pensilvânia e Nova Jersey — possivelmente influenciadas por temperaturas excepcionalmente baixas.
EUA: O índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia subiu 3,7 pontos em fevereiro, para 16,3, superando as projeções. A melhora do indicador principal, contudo, mascarou um enfraquecimento nos componentes internos: novas encomendas, emprego e embarques recuaram no mês. As medidas de preços pagos e recebidos também cederam, atingindo os níveis mais baixos desde o início de 2025 e o fim de 2024, respectivamente. Em contrapartida, o índice de expectativas para os próximos 6 meses avançou de forma expressiva.
EUA: O déficit comercial ampliou-se além do esperado, atingindo US$ 70,3 bilhões em dezembro, após revisão para baixo do dado de novembro. As importações de bens cresceram US$ 10,2 bilhões, impulsionadas parcialmente por compras de produtos tecnológicos de Taiwan e Coreia do Sul, enquanto as exportações caíram US$ 5,5 bilhões, refletindo menor venda de ouro. O superávit em serviços encolheu US$ 1,6 bilhão. Excluindo transações de ouro não contabilizadas no PIB, o déficit alcançou US$ 73,7 bilhões no mês, consolidando a deterioração recente da balança comercial.
Brasil: O IBC-BR caiu 0,2% na margem em dezembro, após avanço de 0,6% no mês anterior, mas superou as expectativas de uma retração mais intensa. Na comparação anual, o indicador avançou 3,1%, beneficiado por uma base fraca no fim de 2024. Todos os grandes setores aceleraram no comparativo interanual: a agropecuária subiu 6,4%, no melhor desempenho desde meados do ano, enquanto o segmento ex-agro avançou 2,9%, refletindo melhora disseminada entre seus componentes.
No quarto trimestre de 2025, o IBC-Br cresceu 0,4% frente ao trimestre anterior e 1,7% na comparação anual, sinalizando retomada após a contração do terceiro trimestre. No acumulado do ano, o indicador avançou 2,5%, acima da média histórica, mas abaixo do ritmo observado em 2024. Apesar do resultado melhor que o esperado do IBC-BR, mantemos a expectativa de leve contração de 0,1% na margem do PIB no 4T25, considerando o fraco desempenho da indústria e dos serviços no período.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |