Ameaças contra Groenlândia derrubam apetite do mercado

20/01/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

As ameaças tarifárias de Donald Trump sobre a Groenlândia causam uma severa aversão ao risco nos mercados globais hoje (20).

A perspectiva de acirramento das relações entre Washington e a Europa penaliza as bolsas internacionais e injeta volatilidade nos mercados, enquanto o capital busca refúgio no ouro. O movimento pressiona as taxas de juros longas, com reflexos imediatos nas bolsas, cenário amplificado pelo aumento das taxas de juros no Japão.

Líderes europeus classificaram as novas ameaças tarifárias de Trump como “inaceitáveis” e avaliam contramedidas. A França estaria pressionando a UE a utilizar seu recurso econômico mais contundente, o “Instrumento Anticoerção”.

A curva de juros dos Treasuries está ganhando inclinação, um marcador de aumento de percepção de risco. A taxa de 2 anos caiu para 3,58% (-6 p.b.), enquanto a de 10 anos sofre pressão vendedora (+6,4 p.b.) e sobe para 4,29%.

No front cambial, o dólar perde força contra seus parese índice DXY caiu 0,95%. O destaque é a corrida para a segurança, com o ouro avançando 1,41%,cotado a US$ 4.736,75 poronça troy. O Bitcoin, correlacionado ao apetite por risco, cede 2,20%, a US$ 90.902,10.

Nas commodities, o petróleo WTI negocia estável, com viés negativo de 0,05%, a US$ 59,41. O minério de ferro recua 0,78%, cotado a US$ 106,09.

As bolsas asiáticas encerraram majoritariamente no vermelho. O Nikkei, de Tóquio, caiu 1,11% e o Shanghai Composite recuou 0,33%. O destaque foi a abertura dos juros no Japão: a taxa do título de 40 anos atingiu 4,00% pela primeira vez e a de 20 anos saltou 20 pontos base, para 3,46%. O movimento reflete o temor de que a primeira-ministra Sanae Takaichi adote um forte estímulo fiscal  caso consolide sua posição na eleição do próximo mês,.

Na Europa, o Euro Stoxx 50 opera em baixa de 1,33%, pressionado por setores sensíveis a tarifas. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 sinalizam abertura fortemente negativa, com queda de 1,82% no pre-market.

No Brasil, o Ibovespa encerrou o último pregão praticamente estável (+0,03%). O dólar fechou em queda de 0,10%, a R$ 5,3657. Os juros futuros cederam em toda a extensão da curva.

Economia

China: O Banco do Povo da China (PBoC) decidiu manter inalteradas as principais taxas de juros. A taxa de referência para empréstimos (LPR) de 1 ano permaneceu em 3,0% aoano, enquanto a LPR de 5 anos seguiu em 3,5% a.a.

As duas taxas estão nesse patamar desde maio, quando o governo chinês anunciou um pacote de estímulos para sustentar a economia em meio à desaceleração da atividade doméstica e aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos.

China: Autoridades planejam fortalecer a demanda interna como parte da estratégia para enfrentar pressões deflacionárias e a forte retração dos investimentos. Segundo a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o governo elabora um plano de cinco anos voltado a estimular o consumo e a atividade doméstica, em meio a um cenário marcado por desequilíbrio entre oferta elevada e demanda fraca.

Em linha com orientações já sinalizadas por Pequim, representantes do governo também afirmaram que irão intensificar esforços para conter a concorrência excessiva entre empresas e reduzir o excesso de capacidade produtiva ao longo deste ano, buscando maior eficiência e estabilidade econômica.

Zona do euro: Os líderes da União Europeia se reunirão em Bruxelas na próxima quinta-feira (22), a partir das 15h, em uma cúpula de emergência para discutir a situação da Groenlândia e a resposta do bloco às novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos. Segundo o porta-voz Olof Gill, a UE segue em diálogo em todos os níveis com Washington, mas está preparada para acionar todas as ferramentas disponíveis para proteger seus interesses econômicos, incluindo, se necessário, o instrumento anticoerção.

EUA: A Suprema Corte agendou para hoje uma sessão de divulgação de decisões, o que pode incluir a definição sobre a legalidade das tarifas impostas durante o governo Trump. Embora o tribunal não antecipe oficialmente quais casos serão julgados, cresce a expectativa em torno do processo que questiona o uso de argumentos de emergência nacional para justificar as tarifas. 

A atenção ao tema é reforçada pela proximidade da análise de outro assunto sensível: a tentativa de demissão de Lisa Cook do Federal Reserve. A possível divulgação dessas decisões ocorre em um momento de elevado interesse político e institucional, dada a relevância dos temas para a política econômica e a independência do banco central norte-americano.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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