Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
???? Para conferir o Informe Diário em formato PDF, clique…
📄 Para conferir o Informe Diário em formato PDF, clique aqui.
Os mercados globais iniciam a semana em tom defensivo. Investidores estão reavaliando riscos após a combinação de temores sobre as avaliações das ações ligadas à inteligência artificial e um ajuste nas expectativas de juros nos EUA.
Os comentários recentes de dirigentes do Fed têm levado o mercado a reconsiderar a probabilidade de um corte de juros em dezembro.
Ao longo desta semana, o foco recairá sobre uma bateria de indicadores nos EUA, em busca de sinais sobre a economia. O relatório de criação de empregos de setembro, adiado pelo shutdown, será divulgado na quinta-feira (20).
Atualmente, os mercados embutem uma probabilidade de 56,10% de manutenção dos juros pelo Fed na próxima reunião. Há um mês, a chance de um corte na última reunião do FOMC em 2025 era estimada em 95%.
As taxas dos Treasuries permanecem praticamente estáveis: O título de 10 anos está em 4,12%, o de 2 anos em 3,60% e o de 30 anos avança para 4,75%.
O dólar estende ganhos. O índice DXY — que mede a força da moeda frente a uma cesta de seis divisas — sobe 0,10%, para 99,40 pontos. O ouro opera estável nesta segunda-feira (17), após queda superior a 2% na sessão anterior por conta da revisão das apostas para cortes de juros. O spot avança 0,10%, a US$ 4.078,44 por onça. O Bitcoin recuou para US$ 94.491,22 na manhã de sexta (14) — sua mínima desde 7 de maio — e negocia a US$ 95.558 hoje, em alta de 0,60%.
Os preços do petróleo recuam nesta segunda. A queda acontece com a retomada do carregamento no terminal russo de Novorossiysk — que ficou suspenso por dois após um ataque ucraniano no Mar Negro. O Brent cai US$ 0,45, ou 0,70%, para US$ 63,94 por barril.
Na Ásia, os mercados operaram de forma mista nesta segunda. Investidores avaliaram o aumento das tensões entre Japão e China após Pequim emitir alerta sobre viagens e estudos no país vizinho. O japonês Nikkei 225 recuou 0,63%, o Hang Seng caiu 0,51% e o CSI 300 fechou estável.
As bolsas europeias operam no campo negativo, enquanto os futuros de ações dos EUA estão praticamente estáveis após uma semana volátil — marcada por preocupações com avaliações, rotação setorial e reprecificação das apostas para cortes de juros pelo Fed, o que pressionou o trade de IA. Os investidores acompanharão novos sinais sobre o fôlego desse segmento com a divulgação dos resultados da Nvidia na quarta-feira (19).
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,37%, aos 157.739 pontos. O dólar encerrou em queda de 0,74% frente ao real. As taxas futuras de juros avançaram ao longo da curvam, ainda sob influência do leilão do Tesouro da quinta (13) — o maior do ano.
EUA: O presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, reiterou na sexta-feira que a inflação “permanece muito alta”, citando leituras recentes em torno de 3% — ainda acima da meta de 2%. Ele alertou que a persistência inflacionária por mais de 4 anos pode desancorar expectativas e tornar o retorno à meta mais custoso.
Schmid reconheceu algum esfriamento no mercado de trabalho, mas avalia que a taxa de desemprego de 4,3% segue próxima do pleno emprego. Ele destacou que parte da desaceleração decorre de fatores estruturais, como aposentadorias e menor imigração, e não de fraqueza cíclica.
Para ele, a política monetária atual é “apenas moderadamente restritiva”, considerando a resiliência econômica, o nível elevado das ações e o investimento robusto. Essa leitura embasou seu voto contrário ao último corte de juros e orientará sua posição na reunião de dezembro.
Sobre o balanço patrimonial, Schmid apoiou o fim da redução a partir de 1º de dezembro e defendeu operar com um balanço “menor e menos distorcido”, priorizando ativos de curto prazo e avaliando ferramentas como o Standing Repo Facility para administrar a demanda por reservas.
Brasil: O IGP-10 avançou 0,18% em novembro, após alta de 0,08% em outubro, acumulando queda de 0,80% no ano e aumento de 0,34% em 12 meses. O resultado deste mês foi puxado sobretudo pela aceleração dos preços da indústria de transformação no IPA, com destaque para carne bovina, farelo de soja e óleo de soja.
O INCC também acelerou, influenciado por maior pressão sobre a mão de obra técnica. Os preços ao consumidor subiram menos do que em novembro, com alívio vindo das quedas nos preços de laticínios e frutas.
Para acessar o relatório completo, clique aqui.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |