Investidores operam com cautela, de olho nos juros nos EUA e ações de tecnologia

17/11/2025 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais iniciam a semana em tom defensivo. Investidores estão reavaliando riscos após a combinação de temores sobre as avaliações das ações ligadas à inteligência artificial e um ajuste nas expectativas de juros nos EUA.

Os comentários recentes de dirigentes do Fed têm levado o mercado a reconsiderar a probabilidade de um corte de juros em dezembro.

Ao longo desta semana, o foco recairá sobre uma bateria de indicadores nos EUA, em busca de sinais sobre a economia. O relatório de criação de empregos de setembro, adiado pelo shutdown, será divulgado na quinta-feira (20).

Atualmente, os mercados embutem uma probabilidade de 56,10% de manutenção dos juros pelo Fed na próxima reunião. Há um mês, a chance de um corte na última reunião do FOMC em 2025 era estimada em 95%.

As taxas dos Treasuries permanecem praticamente estáveis: O título de 10 anos está em 4,12%, o de 2 anos em 3,60% e o de 30 anos avança para 4,75%.

O dólar estende ganhos. O índice DXY — que mede a força da moeda frente a uma cesta de seis divisas — sobe 0,10%, para 99,40 pontos. O ouro opera estável nesta segunda-feira (17), após queda superior a 2% na sessão anterior por conta da revisão das apostas para cortes de juros. O spot avança 0,10%, a US$ 4.078,44 por onça. O Bitcoin recuou para US$ 94.491,22 na manhã de sexta (14) — sua mínima desde 7 de maio — e negocia a US$ 95.558 hoje, em alta de 0,60%.

Os preços do petróleo recuam nesta segunda. A queda acontece com a retomada do carregamento no terminal russo de Novorossiysk — que ficou suspenso por dois após um ataque ucraniano no Mar Negro. O Brent cai US$ 0,45, ou 0,70%, para US$ 63,94 por barril.

Na Ásia, os mercados operaram de forma mista nesta segunda. Investidores avaliaram o aumento das tensões entre Japão e China após Pequim emitir alerta sobre viagens e estudos no país vizinho. O japonês Nikkei 225 recuou 0,63%, o Hang Seng caiu 0,51% e o CSI 300 fechou estável.

As bolsas europeias operam no campo negativo, enquanto os futuros de ações dos EUA estão praticamente estáveis após uma semana volátil — marcada por preocupações com avaliações, rotação setorial e reprecificação das apostas para cortes de juros pelo Fed, o que pressionou o trade de IA. Os investidores acompanharão novos sinais sobre o fôlego desse segmento com a divulgação dos resultados da Nvidia na quarta-feira (19).

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,37%, aos 157.739 pontos. O dólar encerrou em queda de 0,74% frente ao real. As taxas futuras de juros avançaram ao longo da curvam, ainda sob influência do leilão do Tesouro da quinta (13) — o maior do ano.

Economia

EUA: O presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, reiterou na sexta-feira que a inflação “permanece muito alta”, citando leituras recentes em torno de 3% — ainda acima da meta de 2%. Ele alertou que a persistência inflacionária por mais de 4 anos pode desancorar expectativas e tornar o retorno à meta mais custoso.

Schmid reconheceu algum esfriamento no mercado de trabalho, mas avalia que a taxa de desemprego de 4,3% segue próxima do pleno emprego. Ele destacou que parte da desaceleração decorre de fatores estruturais, como aposentadorias e menor imigração, e não de fraqueza cíclica.

Para ele, a política monetária atual é “apenas moderadamente restritiva”, considerando a resiliência econômica, o nível elevado das ações e o investimento robusto. Essa leitura embasou seu voto contrário ao último corte de juros e orientará sua posição na reunião de dezembro.

Sobre o balanço patrimonial, Schmid apoiou o fim da redução a partir de 1º de dezembro e defendeu operar com um balanço “menor e menos distorcido”, priorizando ativos de curto prazo e avaliando ferramentas como o Standing Repo Facility para administrar a demanda por reservas.

Brasil: O IGP-10 avançou 0,18% em novembro, após alta de 0,08% em outubro, acumulando queda de 0,80% no ano e aumento de 0,34% em 12 meses. O resultado deste mês foi puxado sobretudo pela aceleração dos preços da indústria de transformação no IPA, com destaque para carne bovina, farelo de soja e óleo de soja.

O INCC também acelerou, influenciado por maior pressão sobre a mão de obra técnica. Os preços ao consumidor subiram menos do que em novembro, com alívio vindo das quedas nos preços de laticínios e frutas.

Destaques do Boletim Focus do Banco Central (14/10/2025):

  • IPCA/2025 caiu de 4,55% para 4,46%, enquanto o IPCA/2026 ficou estável em 4,20%;
  • PIB/2025 ficou estável em 2,16%, enquanto o PIB/2026 ficou estável em 1,78%;
  • Dólar/2025 caiu de R$ 5,41 para R$ 5,40, enquanto o Dólar/2026 ficou estável em R$ 5,50;
  • Selic/25 ficou estável em 15,00% a.a., enquanto a Selic/2026 ficou estável em 12,25% a.a.;
  • Primário/25 ficou estável em -0,50%, enquanto Primário/26 ficou estável em -0,60%.

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Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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