Com Superquarta no radar, mercados acompanham volatilidade do petróleo

17/03/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais tiveram um dia de alívio ontem (16), impulsionados pelo recuo do petróleo abaixo da marca de US$ 100. A queda da commodity garantiu ganhos em Wall Street: o S&P 500 avançou 1,00% e o Nasdaq Composite registrou alta de 1,20%.

A trégua, no entanto, dissipou-se na manhã desta terça-feira (17). O petróleo voltou a saltar mais de 2%, impulsionado por incertezas quanto à eficácia da coalizão liderada pelos Estados Unidos para assegurar o trânsito no Estreito de Ormuz.

O barril de Brent avança 2,45%, cotado a US$ 102,57, enquanto o WTI sobe 2,73%, negociado a US$ 96,05. A volatilidade reflete o temor de um choque global prolongado na oferta de energia desde o início da ofensiva contra o Irã.

O fluxo de notícias da guerra EUA x Irã e o impacto sobre os preços do petróleo são o principal fator na dinâmica dos mercados. A reunião do Fed amanhã (18), porém, também será importante — em especial para uma avaliação atualizada das expectativas dos diretores diante do choque de energia.

Os Treasuries operam estáveis: a taxa de dois anos está em 3,67% e a de 10 anos é negociada a 4,22%.

O índice DXY anota 99,77 pontos, com variação positiva de 0,06%. O ouro está estável a US$ 5.009,59. O Bitcoin recua 0,42%, negociado a US$ 73.923,42.

Na Ásia, o índice chinês Shanghai CSI 300 fechou em queda de 0,73% e o Nikkei, do Japão, encerrou com recuo de 0,09%.

Na Europa, o índice Euro Stoxx opera em alta de 0,42%. Nos EUA, o contrato futuro do S&P 500 recua 0,14%.

O Ibovespa encerrou o pregão de ontem com alta de 1,25%, aos 179.875,44 pontos. O dólar recuou 1,74% e fechou cotado a R$ 5,2309. Na curva de juros, as taxas recuaram e devolveram o estresse de sexta-feira (13): a ponta curta cedeu cerca de 20 pontos base e a ponta longa recuou mais de 30 p.b.

Economia

EUA: A atividade industrial no estado de Nova York perdeu fôlego em março. O índice Empire State Manufacturing Index recuou 7,3 pontos, para -0,2, ligeiramente abaixo do esperado. A leitura foi mista: enquanto novos pedidos e emprego avançaram, o componente de embarques caiu de forma relevante.

Por outro lado, as medidas de preços — tanto pagos quanto recebidos — registraram quedas expressivas, atingindo os níveis mais baixos em meses, possivelmente refletindo expectativas de custos de insumos menores após recente decisão da Suprema Corte sobre tarifas.

EUA: A produção industrial apresentou crescimento moderado em fevereiro. A indústria avançou 0,2%, com a manufatura exibindo desempenho semelhante e revisão altista para janeiro. O segmento de bens de capital, sensível ao ciclo de investimento, também cresceu, enquanto a produção de veículos ganhou tração. Por outro lado, o setor de utilities recuou, devolvendo parte da alta recente impulsionada por condições climáticas adversas. A taxa de utilização da capacidade permaneceu estável em 76,3%.

No conjunto, os dados vieram ligeiramente acima das premissas anteriores para o crescimento econômico. Com isso, o tracking do PIB indica alta anualizada de 3,0% na margem no primeiro trimestre.

Brasil: A atividade econômica iniciou o ano em alta moderada. O IBC-Br avançou 0,8% em janeiro na série com ajuste sazonal, após queda no mês anterior, e confirmoua tendência de recuperação. Ainda assim, o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado. Na comparação anual, o indicador subiu 1,0%, para o segundo maior nível da série histórica — atrás apenas do pico observado em abril do ano passado.

A composição do crescimento, no entanto, mostrou forte heterogeneidade. O avanço interanual foi integralmente sustentado pelo setor de serviços, enquanto agropecuária registrou expansão marginal e indústria e impostos apresentaram retração. O desempenho mais fraco desses segmentos reforça o quadro de recuperação desigual entre os principais setores da economia.

Na margem, os dados foram mais positivos. Excluindo a agropecuária, todos os componentes cíclicos cresceram, levando esse agregado a uma nova máxima histórica, assim como o setor de serviços. O tracking do PIB sinaliza alta de 0,8% na margem no 1° trimestre considerando os dados da indústria, comércio e serviços divulgados de janeiro desse ano.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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