Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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O foco dos mercados globais recai sobre o relatório de emprego dos EUA nesta terça-feira (16), uma peça central do quebra-cabeça sobre a trajetória do emprego nos Estados Unidos.
O relatório de emprego atípico conjuga um dado de outubro sem a pesquisa domiciliar e um levantamento de novembro produzido de forma apressada — cuja qualidade é considerada questionável. Estes fatores tornam mais complexa a tarefa de avaliar a tendência do mercado de trabalho.
Economistas projetam criação de 50 mil vagas, uma forte desaceleração em relação às 119 mil abertas em setembro. A taxa de desemprego é estimada em 4,5%, ante 4,4% no mês anterior. Também será divulgado hoje o relatório de vendas no varejo de outubro.
Os futuros de Fed Funds embutem uma probabilidade implícita de 75,6% de manutenção da taxa básica na próxima reunião do Fed, em 28 de janeiro. Os juros dos Treasuries oscilam de forma contida nesta manhã. A taxa do título de 2 anos recua levemente, negociando a 3,50%, enquanto a taxa do papel de 10 anos trabalha em 4,18%.
O dólar opera em baixa frente às principais moedas. O índice DXY — que mede a força da moeda americana contra seis pares — cede 0,12%, aos 98,19 pontos. O ouro acompanha o movimento do câmbio e recua 0,58%, cotado a US$ 4.280,13 por onça. O Bitcoin avança 0,22%, negociada a US$ 86.391,85.
Entre as commodities, o petróleo opera em queda mais acentuada, com o WTI recuando 1,88%, a US$ 55,75 por barril. O minério de ferro também apresenta ajuste em baixa, com recuo de 0,26%, cotado a US$ 105,77.
Os mercados da Ásia recuaram de forma generalizada, acompanhando Wall Street. O Nikkei recuou 1,56%, enquanto o Shanghai CSI 300 caiu 1,20%. Na Europa, as bolsas operam em baixa moderada, com o Euro Stoxx recuando 0,29%.
Nos EUA, os futuros trabalham no negativo, com o S&P 500 Futuro cedendo 0,40%. No pregão regular, a Broadcom caiu 5,6%. A ServiceNow recuou 11,5% e a Oracle perdeu 2,7%. As ações da Microsoft também fecharam em queda, à medida que investidores realizaram lucros em papéis ligados à inteligência artificial e redirecionaram recursos para outros setores, como saúde e utilities.
No Brasil, ontem (15) o Ibovespa fechou em alta de 1,07%, aos 162.481 pontos. O dólar contra o real encerrou o dia praticamente estável, com leve alta de 0,02%, cotado a R$ 5,4191. Os juros recuaram cerca de quatro pontos base ao longo de toda a curva.
EUA: O presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que o objetivo central segue sendo reconduzir a inflação de forma sustentada à meta de 2% sem gerar riscos excessivos ao emprego. Segundo sua avaliação, os riscos de desaceleração do mercado de trabalho aumentaram nos últimos meses, à medida que a atividade perdeu fôlego e as pressões inflacionárias diminuíram. Diante desse equilíbrio mais favorável, o Fed ajustou sua postura, reduzindo a taxa básica em 25 pontos base, para a faixa entre 3,5% a 3,75%, e reforçou que futuras decisões dependerão dos dados, do cenário prospectivo e do balanço de riscos.
O dirigente também destacou que as tarifas devem ter um impacto pontual sobre os preços, concentrado em 2026, com a inflação recuando para pouco abaixo de 2,5% no próximo ano e convergindo à meta de 2% em 2027. Para a atividade, a expectativa é de aceleração do crescimento do PIB para cerca de 2,25% em 2026 — impulsionado por estímulos fiscais, condições financeiras mais favoráveis e investimentos em inteligência artificial.
Brasil: O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) recuou 0,2% em outubro na comparação mensal, com ajuste sazonal, marcando o segundo mês consecutivo de queda e apagando o avanço registrado em agosto. O resultado ficou levemente abaixo das expectativas e reforça a perda de fôlego da atividade desde maio, sobretudo nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. Na comparação anual, o indicador avançou apenas 0,4%, enquanto a média móvel trimestral também mostrou retração, sinalizando desaceleração mais disseminada.
O desempenho anual dos componentes cíclicos foi fracoem outubro, mesmo com contribuição relevante da agropecuária — que cresceu 4,1% na comparação anual, mas segue em trajetória de desaceleração. Os setores cíclicos, por sua vez, registraram o pior resultado interanual desde agosto.
Na margem, a agropecuária avançou 1,9% após seis meses de retração, enquanto indústria, serviços e impostos recuaram ou estagnaram, revertendo os ganhos do mês anterior. O resultado reflete um impasse entre a política monetária restritiva e estímulos pontuais à demanda, como liberações de recursos e crédito direcionado. Nesse ambiente, os serviços permanecem relativamente mais resilientes, sustentados por segmentos ligados à safra e à digitalização, enquanto a indústria continua a sentir com mais intensidade o impacto dos juros elevados.
Mantemos a expectativa de contração do PIB de 0,1% na margem no 4° trimestre, com o crescimento do ano terminando em 2,2%.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |