Preços do petróleo saltam e pressionam os mercados

13/03/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais voltam a operar sob pressão nesta sexta-feira (13). Os preços do petróleo saltaram após o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarar que o Estreito de Ormuz deve permanecer fechado como uma “ferramenta de pressão contra o inimigo”.

Os Estados Unidos e Israel continuam a bombardear o Irã pelo ar, mas o regime iraniano mantém o lançamento de mísseis e drones contra os países e embarcações do Golfo. A inteligência de Israel avalia ser improvável a queda do regime iraniano.

Depois de uma alta de quase 10% ontem, os futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) operam com leve alta de 0,10%, avaliado em US$ 95,83 por barril. Os futuros do petróleo Brent avançam 1,96%, a US$ 102,46 por barril.

O mercado acionário começa a embutir um cenário de conflito mais longo, no qual o Estreito de Ormuz permaneceria bloqueado por algum tempo.

O foco hoje recai sobre o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) de janeiro, o indicador de inflação preferido do Fed, prevista para as 9h30. O consenso aponta para uma alta de 0,3% do índice cheio no mês e de 2,9% no acumulado em 12 meses. A estimativa para o núcleo do PCE prevê um avanço de 0,4% no mês e de 3,1% na comparação anual.

A alta do petróleo e os temores crescentes com a inflação esfriaram as expectativas em relação aos cortes pelo Fed neste ano. Os Treasuries de dois anos estão estáveis na casa de 3,74%, enquanto os juros de 10 anos operam no patamar de 4,27% — 33 pontos base acima do fechamento de fevereiro. O índice DXY avança 0,44%. O ouro sobe 0,25%, negociado a US$ 5.092,11 por onça, enquanto o Bitcoin registra alta de 2,66%, a US$ 72.045,74.

Os mercados asiáticos caíram hoje. O chinês Shanghai CSI 300 fechou com queda de 0,39% e japonês Nikkei encerrou a sessão com perda de 1,16%.

Na Europa, o índice Euro Stoxx opera em baixa de 0,76%. Nos EUA, o S&P 500 Futuro recua 0,07%.

No Brasil, ontem (12) o Ibovespa registrou forte queda de 2,55%, enquanto o dólar avançou 1,73%, cotado a R$ 5,2459. A curva de juros subiu quase 30 p.b., reagindo ao estresse global com o petróleo.

O BC convocou para hoje, às 9h30, um leilão duplo no câmbio, conhecido como “casadão“, com a oferta simultânea de dólar à vista e de swap cambial reverso, ambas com valor de até US$ 1,0 bilhão. O leilão visa aliviar a pressão de alta no cupom cambial (taxa em dólar no Brasil), provocada pela diminuição de fluxo no mercado spot devido à guerra.

Economia

EUA: O déficit comercial diminuiu mais do que o esperado em janeiro, recuando para US$ 54,5 bilhões— ante US$ 72,9 bilhões em dezembro. As importações de bens caíram US$ 2,8 bilhões, refletindo principalmente a menor entrada de produtos eletrônicos e farmacêuticos, enquanto as exportações aumentaram US$ 14,6 bilhões, impulsionadas em grande parte por embarques de ouro. O superávit na balança de serviços avançou US$ 1,0 bilhão.

EUA: O início de novas construções residenciais surpreendeu positivamente ao subir 7,2% em janeiro, para uma taxa anualizada de 1,487 milhão de unidades. O dado de dezembro foi revisado para baixo, para 1,387 milhão. O avanço refletiu forte recuperação nas construções multifamiliares, que cresceram 29,9%, enquanto as obras de casas unifamiliares recuaram 2,8%. As permissões para novas construções caíram 5,4%, para 1,376 milhão de unidades anualizadas, com quedas tanto nos projetos multifamiliares quanto nos unifamiliares. Considerando os dados da balança comercial e do setor imobiliário, o trackingdo PIB indica alta de 2,7% na margem no 1° trimestre de 2026.

Brasil: O IPCA avançou 0,70% em fevereiro, em linha com nossa estimativa (0,73%), mas acima do consenso de mercado (0,61%). A composição foi menos favorável, com aceleração das medidas subjacentes — sobretudo no núcleo de serviços. As principais pressões vieram de educação, passagens aéreas, seguro de veículos e cuidados pessoais, além da reversão da deflação de vestuário. Por outro lado, a queda dos preços da gasolina e a deflação em serviços de entretenimento, como cinema e teatro, ajudaram a conter parte das pressões.

Apesar do resultado mais forte na margem, a tendência de desinflação permaneceu intacta. O IPCA em 12 meses recuou de 4,4% em janeiro para 3,8% em fevereiro. Ainda assim, os núcleos aceleraram no curto prazo: a média subiu 0,62% no mês, acima dos 0,45% de janeiro, levando a taxa em 12 meses de 4,4% para 4,5%. O núcleo de serviços ficou pressionado, refletindo o aumento do seguro voluntário de veículos, transporte escolar e serviços pessoais.

Do ponto de vista da política monetária, a surpresa de curto prazo da inflação tem peso limitado. O pano de fundo segue sendo de desinflação, atividade moderando e expectativas inflacionárias relativamente ancoradas, enquanto a taxa de juros permanece significativamente acima do nível neutro. Discursos recentes de dirigentes do Banco Central reforçam a sinalização de um corte de 50 pontos base na próxima reunião.

Ainda assim, diante da perspectiva de reajuste da gasolina nos próximos meses, revisamos a projeção da Selic terminal para 12,50% ao ano e elevamos a estimativa de inflação em 2026 de 4,8% para 5,0%. Para março, projetamos um IPCA mais moderado, com alta de 0,35%.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

Indicadores de hoje

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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