Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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O apetite por risco volta a ganhar tração nos EUA. Ontem (11) o Dow Jones e o S&P 500 renovaram as máximas, enquanto investidores realizam lucros em parte do setor tech e migram para empresas ligadas ao ciclo doméstico após o corte de juros do Fed. O S&P 500 avançou 0,21% e encerrou a 6.901,00 pontos, enquanto o Nasdaq cedeu 0,26%.
No front geopolítico, o foco recai sobre as declarações de Mark Rutte, secretário-geral da OTAN, alertando que o continente deve se preparar para uma escalada militar. Em paralelo, o Banco Central da Rússia classificou como ilegal o plano europeu de utilizar ativos russos congelados para financiar a Ucrânia. Governos da União Europeia tentam chegar a um acordo sobre a proposta ainda nesta sexta-feira (12).
Os juros dos Treasuries apresentam movimentos discretos, com a taxa de 2 anos negociada a 3,54% e a de 10 anos a 4,17%, ambas próximas da estabilidade.
O dólar opera estável, com o índice DXY — que mede a força da moeda americana contra seis pares — subindo 0,08%, aos 98,43 pontos. O ouro registra alta de 0,89%, cotado a US$ 4.318,06 por onça troy, enquanto o Bitcoin, principal criptomoeda, cede 0,43%, a US$ 92.483,42.
Entre as commodities, o petróleo apresenta viés positivo, com o WTI em leve alta de 0,10%, a US$ 57,66 por barril. Já o minério de ferro em Cingapura trabalha em baixa de 0,74%, cotado a US$ 105,75 por tonelada.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta: o índice Nikkei, do Japão, avançou 1,37%, a bolsa de Xangai registrou ganho de 0,63% e o Hang Seng subiu 1,75%.
A Europa opera em terreno positivo, com o Euro Stoxx avançando 0,53%, descolada dos futuros em Nova York, que recuam 0,18%.
O setor de tecnologia sente o peso das projeções de custos: as ações da Oracle caíram 14% ontem, reacendendo temores sobre o custo exponencial da inteligência artificial após a empresa projetar elevar o capex de US$ 35 bilhões para US$ 50 bilhões. Na mesma linha, a Broadcom recua quase 5% no pré-mercado — a despeito de superar as expectativas de lucro e prever que as vendas de chips de IA dobrarão.
No Brasil, ontem o Ibovespa fechou em leve alta de 0,07%, aos 159.189 pontos. O dólar terminou o dia em baixa expressiva de 1,21%, cotado a R$ 5,41. A curva de juros apresentou deslocamento para baixo, com maior queda nos vértices longos em relação aos curtos — movimento que implica perda de inclinação e alívio no prêmio de risco.
Brasil: As vendas do varejo surpreenderam positivamente em outubro. No conceito restrito, as vendas cresceram 1,1% na comparação anual, superando as projeções do mercado. O varejo ampliado recuou apenas 0,3% na mesma base, mostrando queda mais branda que o esperado. Na série com ajuste sazonal, o varejo restrito avançou 0,5% frente a setembro — melhor resultado desde março —, enquanto o varejo ampliado cresceu 1,1% e acumula quatro altas consecutivas — revertendo integralmente a queda acentuada registrada em junho.
Entre os setores, destacaram-se combustíveis e lubrificantes e, sobretudo, eletrodomésticos, que avançaram após meses de perdas e atingiram níveis de venda próximos aos melhores momentos da série. A recuperação dos eletrodomésticos está associada à deflação da categoria ao longo do ano, reforçada pelos descontos da Black Friday em novembro. Por outro lado, segmentos como vestuário e móveis apresentaram desempenho fraco, acumulando retrações tanto na comparação mensal quanto anual.
No varejo ampliado, o principal impulso veio de veículos e motos, que cresceu 3,0% na margem, beneficiado pelo programa Carro Sustentável, pelo avanço dos licenciamentos de motocicletas e pela retomada do crédito para aquisição de veículos. Apesar do resultado positivo do comércio em outubro, mantemos a expectativa que o PIB deverá contrair 0,1% na margem, como reflexo da moderação do ritmo de abertura de vagas, o encarecimento e redução da concessão de crédito.
Brasil: O IBGE elevou sua projeção para a safra de grãos de 2026 para 335,7 milhões de toneladas, um aumento de 3 milhões em relação ao prognóstico anterior. Ainda assim, a estimativa aponta queda de 2,9% na comparação com 2025, refletindo sobretudo a expectativa de recuo na produção de milho — que deve encolher 6,8%, equivalente a 9,6 milhões de toneladas.
A Conab, que trabalha com ano safra, ajustou levemente para baixo sua previsão para 2025/26, de 354,8 para 354,4 milhões de toneladas, mas ainda projeta novo recorde de produção. A estimativa implica alta de 0,6% frente a 2024/25, equivalente a um incremento de 2,2 milhões de toneladas.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |