Nova intervenção no Fed pressiona os mercados

12/01/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais iniciam a manhã desta segunda-feira (12) com sentimento de aversão ao risco.

A deterioração do humor nos Estados Unidos decorre da abertura de investigação criminal pelo Departamento de Justiça contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve. A medida representa uma clara escalada na tentativa de Trump de pressionar o banco central. Powell sugeriu que a ação resulta da recusa da autoridade monetária em atender às demandas do presidente por cortes de juros.

A reação nos mercados de renda fixa e câmbio sinaliza preocupação de que o episódio ameace a independência do Fed. Paradoxalmente, o movimento pode reforçar essa autonomia: a postura desafiadora de Powell indica relutância em deixar o cargo e há sinais de que o Senado pode atrasar a confirmação de uma nova indicação para a presidência da instituição.

Adicionalmente, as ações do setor bancário recuam após Trump defender um teto de 10% para os juros do cartão de crédito por um ano.

As taxas dos Treasuries oscilam marginalmente nesta manhã, sem direção única nos principais vértices. O papel de 10 anos opera a 4,20%, enquanto o título de 2 anos é negociado a 3,53%.

O ouro, percebido como hedge contra a erosão da independência do Fed e o risco de inflação resiliente, dispara. Os contratos futuros avançam 2%, enquanto o metal à vista sobe 1,81%, cotado a US$ 4.591,08 por onça-troy após atingir o recorde de US$ 4.600,33 mais cedo.

O dólar opera em terreno negativo globalmente, com o índice DXY em baixa de 0,33%, aos 98,81 pontos.

O petróleo, por sua vez, registra queda: o Brent recua 0,7%, a US$ 62,89 por barril, e o WTI cede 0,8%, a US$ 58,63. O movimento reflete o anúncio do Irã de retomada do controle após grandes manifestações antigoverno e os esforços para normalizar as exportações da Venezuela.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, com o sul-coreano Kospi atingindo máxima histórica, enquanto investidores avaliavam possível intervenção dos EUA no Irã. A Europa inicia a semana no vermelho, ponderando os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio e a pressão sobre o comando do Fed.

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sessão de sexta-feira (09) em alta de 0,27%, aos 163.370,31 pontos. O dólar terminou o dia em baixa de 0,37%, cotado a R$ 5,3660.

Economia

Brasil: O IPCA registrou alta de 0,33% em dezembro, em linha com o consenso do mercado, mas abaixo da nossa projeção (0,40%). A inflação manteve o comportamento favorável dos últimos meses, mas as medidas qualitativas tiveram um comportamento misto em dezembro. Os núcleos mantiveram comportamento benigno na margem, mantendo-se estáveis na média móvel de 3 meses anualizada. No entanto, os núcleos de serviços e bens reverteram a tendência de desaceleração dos últimos meses.

Para janeiro, o IPCA deverá ficar pressionado devido aos reajustes de transporte urbano, a pressão sazonal de alimentos e o aumento de combustíveis. Revisamos a projeção do IPCA para janeiro de 0,55% para 0,45%. A projeção do IPCA para 2026 foi mantida em 4,5%.

EUA: A criação de empregos nos EUA desacelerou em dezembro, com alta de 50 mil vagas não agrícolas, abaixo das expectativas e acompanhada de revisões negativas expressivas nos meses anteriores. O emprego privado avançou apenas 37 mil vagas, levando a média trimestral a 29 mil, sinalizando perda clara de fôlego do mercado de trabalho.

A taxa de desemprego caiu para 4,4%, refletindo aumento do emprego e redução da força de trabalho, influenciada por ajustes temporários ligados ao setor público. A taxa de participação recuou marginalmente, puxada pelos trabalhadores mais jovens, enquanto indicadores mais amplos de subutilização também mostraram melhora.

Destaques do Boletim Focus do Banco Central (09/01/2025):

  • IPCA/2026 caiu de 4,06 para 4,05%, enquanto o IPCA/2027 ficou estável em 3,80%;
  • PIB/2026 ficou estável em 1,80%, enquanto o PIB/2027 ficou estável em 1,80%;
  • Dólar/2026 ficou estável em R$ 5,50, enquanto o Dólar/2027 ficou estável em R$ 5,50;
  • Selic/26 ficou estável em 12,25% a.a., enquanto a Selic/2027 ficou estável em 10,50% a.a.;
  • Primário/26 subiu de -0,55% para -0,53%, enquanto Primário/27 subiu de -0,40% para -0,34%.

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Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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