Mesmo com riscos geopolíticos, mercados sustentam alta

09/01/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais sustentam os ganhos recentes mesmo com os riscos geopolíticos, enquanto investidores aguardam os dados desta sexta-feira (09).

A atenção recai sobre a decisão da Suprema Corte acerca da legalidade das tarifas de Trump, que tem potencial de impactar a política comercial e fiscal dos Estados Unidos.

No front econômico, a divulgação do relatório de emprego (payroll) deve indicar melhora modesta em dezembro, com a criação de 73 mil vagas e recuo da taxa de desemprego para 4,5%.

Neste cenário, o mercado embute dois cortes de juros pelo Fed para este ano. As taxas dos Treasuries operam com viés ligeiramente positivo nesta manhã: o título de 10 anos é negociado a 4,19%, enquanto a nota de 2 anos marca 3,51%.

O dólar exibe estabilidade no cenário global, com o índice DXY avançando 0,13%, aos 99,07 pontos. O ouro recua 0,13%, cotado a US$ 4.471,61 por onça-troy, enquanto o Bitcoin cede 1,10%, negociado a US$ 90.201,23.

Entre as commodities, o petróleo tipo WTI trabalha próximo da estabilidade, com leve alta de 0,09%, a US$ 57,81 por barril. O minério de ferro registra baixa de 0,92%, cotado a US$ 107,85 por tonelada.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. O índice CSI 300, na China, avançou 0,45%, o Hang Seng, em Hong Kong, subiu 0,32% e o Nikkei, no Japão, encerrou com ganho de 1,61%.

Na Europa, os mercados operam em terreno positivo, com o índice STOXX 600 subindo 0,37%.

Nos EUA, os futuros operam próximos da estabilidade. O destaque ontem (08) foi que a Alphabet superou a Apple e assumiu a vice-liderança entre as empresas mais valiosas do mundo — atrás apenas da Nvidia. A controladora do Google, cujas ações subiram 65% em 2025 liderando as “MagnificentSeven”, recuperou terreno na inteligência artificial.

No Brasil, ontem o Ibovespa encerrou com ganho de 0,59%, aos 162.936 pontos. O dólar terminou o dia praticamente estável, com recuo de 0,05%, cotado a R$ 5,3861. A curva de juros apresentou movimentos divergentes, com avanço nos vértices curtos e recuo nos longos, dinâmica que resultou em perda de inclinação.

Economia

China: A inflação ao consumidor apresentou leve aceleração em dezembro, com o CPI cheio avançando para 0,8% na comparação anual, ante 0,7% em novembro, influenciado principalmente pela alta dos preços de alimentos.

A inflação de itens não alimentícios permaneceu estável em 0,8% ao ano, com a queda dos preços de combustíveis e serviços compensada por uma aceleração moderada dos bens industriais. A inflação de serviços recuou levemente, especialmente em transporte, e o núcleo do CPI, excluindo alimentos e energia, manteve-se em 1,2% ao ano.

No atacado, a deflação dos preços ao produtor mostrou sinais de arrefecimento em dezembro. O PPI subiu marginalmente para -1,9% na comparação anual, ante -2,2% em novembro. Na comparação mensal, os preços ao produtor voltaram a crescer, após retração no mês anterior.

A melhora foi observada tanto nos bens intermediários quanto nos bens de consumo, embora ambos permaneçam em terreno negativo na comparação anual — indicando que as pressões deflacionárias seguem presentes, ainda que em processo gradual de dissipação.

Brasil: A produção industrial voltou a apresentar desempenho fraco em novembro, com retração de 1,2% na comparação interanual e aprofundando a queda observada em outubro. O resultado negativo foi novamente puxado pela indústria de transformação, enquanto a indústria extrativa manteve crescimento, embora em ritmo menor.

Na margem, a produção ficou praticamente estável, e o nível de atividade permaneceu bem abaixo do pico histórico de 2011. O quadro setorial foi marcado por ampla disseminação de resultados negativos, com destaque para bens de consumo duráveis e bens intermediários, além de recuos relevantes em segmentos como extrativas, veículos, químicos, alimentos e bebidas.

No acumulado de 2025 até novembro, a indústria registra crescimento modesto de 0,6% frente ao mesmo período do ano anterior, sustentado exclusivamente pela indústria extrativa. A transformação segue praticamente estagnada, refletindo desempenho desigual entre categorias de uso: bens de consumo duráveis e bens intermediários avançaram — impulsionados sobretudo pela produção de automóveis, eletrodomésticos e derivados de petróleo —, enquanto bens de capital voltaram a recuar e bens de consumo semi e não duráveis registraram queda expressiva.

O tracking do PIB indica contração de 0,1% na margem no 4° trimestre, com a economia encerrando o ano com alta de 2,2%.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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