Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
???? Para conferir o Informe Diário em formato PDF, clique…
Para conferir o Informe Diário em formato PDF, clique aqui.
Os mercados globais absorveram, em grande medida, os riscos geopolíticos. No entanto,a intensificação das tensões testa a resiliência nesta abertura de ano.
Os investidores ponderam o aumento das fricções diplomáticas, incluindo a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e a perspectiva de a Groenlândia tornar-se um novo foco de instabilidade sob a chamada “Doutrina Donroe” de Donald Trump.
O tema da acessibilidade à moradia (affordability) permanece em foco pela repercussão na popularidade de candidatos no ano das eleições de meio de mandato. O presidente Trump prometeu ontem impedir que investidores institucionais adquiram casas unifamiliares, citando explicitamente razões de acesso, movimento que sucede uma série de recuos em tarifas. Trata-se de políticas voltadas a problemas específicos, que embutem riscos para os mercados: são menos previsíveis, mais suscetíveis ao sentimento das redes sociais e a lobbies e podem revelar-se contraproducentes.
Os juros dos Treasuries oscilam próximos da estabilidade nesta manhã. A taxa de 10 anos trabalha a 4,16%, enquanto o título de 2 anos é negociado a 3,47%.
O dólar opera com leve viés positivo. O índice DXY, que avalia a força da moeda americana contra seis pares, avança 0,10%, aos 98,78 pontos. O ouro registra ajuste negativo de 0,61%, cotado a US$ 4.429,15 por onça-troy, enquanto o Bitcoin cede 1,26%, negociado a US$ 89.861,67.
O petróleo caminha em terreno positivo, reagindo à redução dos estoques nos Estados Unidos: o WTI opera em alta de 0,89%, cotado a US$ 56,49 por barril, enquanto os futuros do Brent avançam 0,40%, a US$ 60,20. Já o minério de ferro marca valorização de 2,07%, cotado a US$ 108,85 por tonelada.
As bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta sessão. O índice japonês Nikkei recuou 1,63%, enquanto o Shanghai CSI 300 registrou perda de 0,82%.
Na Europa, o índice Euro Stoxx trabalha em leve queda de 0,19%, em linha com os futuros em Nova York, onde o S&P 500 recua 0,21%.
No Brasil, ontem (07) o Ibovespa fechou em baixa de 1,03%, aos 161.975,24 pontos. O dólar encerrou a sessão em alta de 0,24%, cotado a R$ 5,3887. A curva de juros ganhou inclinação, reagindo a temores fiscais.
EUA: Segundo o relatório da ADP, o emprego no setor privado aumentou em 41 mil vagas em dezembro, na comparação mensal com ajuste sazonal. O resultado veio após uma revisão para baixo do dado de novembro, que passou de +3 mil para uma queda de 29 mil postos. O avanço em dezembro foi puxado pelo setor de serviços, com criação líquida de 44 mil empregos.
Dentro dos serviços, destacaram-se as altas em educação e saúde (+39 mil) e em lazer e hospitalidade (+24 mil), que mais do que compensaram a queda de 29 mil vagas em serviços profissionais e empresariais. O crescimento mediano do salário anual dos trabalhadores que permaneceram no emprego foi de 4,4% em dezembro, mantendo o mesmo ritmo observado em novembro.
EUA: As vagas em aberto mantidas pelas empresas medidas pelo relatório JOLTS caíram 303 mil em novembro, para 7,146 milhões, após revisão para baixo do dado de outubro, ficando bem abaixo das expectativas. A queda foi mais intensa nos setores de hospedagem e alimentação e de transportes, enquanto varejo e construção registraram aumento de vagas.
As taxas de vagas em aberto e de contratações recuaram, enquanto a taxa de demissões caiu levemente e a taxa de pedidos de desligamento voluntário subiu marginalmente. No governo federal, a taxa de contratações aumentou, enquanto a de desligamentos diminuiu, movimento associado ao fim do shutdown.
EUA: O índice ISM de serviços avançou 1,8 ponto em dezembro, para 54,4 pontos, atingindo o maior nível desde outubro de 2024 e contrariando as expectativas de leve queda. O resultado foi disseminado, com altas nos componentes de atividade, novos pedidos e emprego. Os indicadores de novos pedidos de exportação e de importações também subiram, enquanto o índice de preços pagos recuou para o menor nível desde março de 2025, sinalizando algum alívio nas pressões de custos.
Nos comentários qualitativos do ISM, parte dos respondentes descreveu a atividade como “saudável”, impulsionada pela temporada de fim de ano, embora ainda haja menções a incertezas relacionadas a tarifas e seus efeitos sobre preços.
O número de referências a tarifas diminuiu em relação aos meses anteriores, assim como as menções ao shutdown do governo federal, sugerindo redução dessas fontes específicas de incerteza no curto prazo.
O tracking do PIB indica alta de 2,7% na margem no 4° trimestre, o que pode ser considerado um resultado surpreendente dado o impacto do shutdown do governo americano no período.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |