Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados de risco passam por uma onda — por enquanto, leve — de aversão ao risco em função de preocupações com avaliações excessivamente esticadas das empresas de tecnologia e do ecossistema de inteligência artificial. Ontem (05) foi um dia de recuperação após dois dias de quedas.
No front comercial, ministros da Suprema Corte dos EUA levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas generalizadas impostas pelo presidente Donald Trump, em um caso com implicações relevantes para a economia global.
Uma eventual decisão contrária poderia levar à reversão das tarifas. Há um consenso, porém, de que existem outras formas de estabelecer tarifas similares usando brechas na legislação.
Após alta moderada na véspera, as taxas dos Treasuries estão estáveis nesta quinta-feira (06), na esteira dos dados de emprego em linha com a expectativa. O título de 10 anos negocia a 4,14%. A taxa do papel de 2 anos está em 3,61%, enquanto o Treasury de 30 anos está em 4,73%.
O dólar recua 0,2% após ter atingido uma máxima de quatro meses na sessão anterior. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas, opera estável em 100,00 pontos. O ouro à vista sobe 0,1%, cotado a US$ 3.986,23 por onça.
Os preços do petróleo operam praticamente estáveis, após terem encerrado a sessão anterior nos menores níveis em duas semanas. O contrato futuro do Brent registra alta de US$ 0,02, ou 0,03%, a US$ 63,54 por barril.
Os mercados da Ásia encerraram o pregão desta quinta-feira em alta, acompanhando os ganhos de Wall Street após os resultados trimestrais da AMD superarem as expectativas e impulsionarem ações ligadas à inteligência artificial. O índice Nikkei 225, do Japão, subiu 1,34%. O Hang Seng, de Hong Kong, avançou 2,12%, enquanto o CSI 300, da China continental, teve alta de 1,43%.
As bolsas da Europa operam em queda nesta manhã, com investidores reagindo a uma nova leva de balanços corporativos. Os futuros nos EUA recuam levemente.
Por aqui, ontem, antes da reunião do Copom, o Ibovespa renovou as máximas e encerrou em alta de 1,72%, aos 153.294 pontos. O dólar caiu 0,70%, cotado a R$ 5,36. As taxas futuras de juros fecharam em queda.
EUA: O índice ISM de serviços subiu 2,4 pontos em outubro, para 52,4 pontos, acima das expectativas e no maior nível desde fevereiro. O avanço foi disseminado entre os componentes, com alta na atividade empresarial, nos novos pedidos e no emprego. O índice de preços pagos subiu para 70 pontos, o nível mais alto desde outubro de 2022, enquanto as menções a tarifas diminuíram em relação aos meses anteriores.
O comunicado do ISM destacou que a recuperação na atividade e nos novos pedidos é um sinal positivo. Porém, a persistente contração no emprego reflete cautela quanto à força da economia.
O PMI de serviços foi revisado ligeiramente para baixo, em 0,4 ponto, para 54,8 pontos em outubro. Os subíndices de novos negócios e de emprego também foram ajustados para baixo, assim como os de preços de insumos e de preços cobrados. O dado revisado indica que, apesar da resiliência da atividade no setor de serviços, as pressões de custo e de preços seguem em moderação.
EUA: Segundo o relatório da ADP, o emprego no setor privado aumentou em 42 mil vagas em outubro, após revisão para cima dos dados de setembro. O avanço foi liderado pelos serviços, que criaram 32 mil postos — impulsionados por altas em comércio, transporte e utilidades e em educação e saúde. Nas indústrias produtoras de bens, houve acréscimo de 9 mil empregos, com destaque para o setor de recursos naturais e mineração. O salário mediano dos trabalhadores que permaneceram no emprego cresceu 4,5% em relação ao ano anterior, mantendo o ritmo observado em setembro.
Brasil: O Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano, em decisão unânime, e reforçou o tom de cautela diante de um cenário global ainda incerto e de expectativas de inflação acima da meta. O comunicado destacou que, embora a inflação e seus núcleos tenham mostrado algum arrefecimento, os níveis permanecem elevados. O BC também observou que a atividade econômica mostra sinais de moderação, mas com um mercado de trabalho ainda aquecido.
Na sinalização futura da política monetária, o Copom não alterou a avaliação de que a “manutenção da Selic em nível contracionista por um período bastante prolongado” segue sendo a estratégia para produzir a convergência da inflação para a meta. Assim, o Copom — ao contrário do que esperávamos — sinalizou a continuidade da postura contracionista por um tempo mais longo.
Apesar do discurso duro, ainda entendemos que a queda da inflação projetada irá criar um espaço claro para o início dos cortes em janeiro de 2026.
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(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.
Não há divulgação de indicadores relevantes.

Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |