Ataque de EUA e Israel ao Irã causa disparada nos preços do petróleo

02/03/2026 • 4 mins de leitura

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Os mercados globais operam em forte baixa na manhã desta segunda-feira após os EUA e Israel atacarem o Irã no fim de semana, o que desencadeou uma disparada nos preços do petróleo e adicionou a instabilidade no Oriente Médio à lista de preocupações dos investidores.

O custo humanitário da guerra é invariavelmente terrível, mas a dimensão econômica do conflito é menos dramática. As consequências inflacionárias dependem de uma alta sustentada do preço do petróleo, não de um pico isolado. Ademais, a economia global tornou-se menos dependente da commodity.

Os futuros do S&P 500 recuam mais de 1%, enquanto os do Nasdaq 100 cedem quase 2%. Os contratos futuros de ouro avançam. Os preços do petróleo nos EUA saltam quase 8,00% nas negociações overnight, e o Brent, referência global, sobe mais de 9,00%, em meio ao temor de que o confronto escale para uma guerra mais ampla e interrompa o fornecimento. O Irã é o quarto maior produtor de petróleo da Opep.

Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel mataram o líder supremo aiatolá Ali Khamenei no fim de semana, um dos episódios mais impactantes desde 1979. O presidente Trump afirmou que as operações militares dos EUA no Irã estão “adiantadas”; no entanto, os investidores temem um conflito prolongado, apesar das declarações. Autoridades iranianas prometeram uma retaliação.

Embora o risco de cauda de um conflito prolongado seja maior do que em 2024 ou 2025, não avaliamos que a guerra escale a ponto de alterar drasticamente o cenário macroeconômico global.

Nesta manhã, as Treasuries de dois anos avançam 4 pontos-base, a 3,42%, enquanto as taxas dos títulos de dez anos operam quase estáveis, em 3,97%. O índice DXY sobe 0,62% e alcança 98,22 pontos. O ouro valoriza 2,08%, cotado a US$ 5.388,60, e o bitcoin avança 1,21%, negociado a US$ 66.317,95.

No mercado de commodities, o petróleo WTI salta 7,55%, a US$ 72,08. O minério de ferro opera praticamente estável, com leve alta de 0,01%, a US$ 99,06. A trajetória do petróleo dependerá de interrupções no tráfego pelo Estreito de Ormuz, o gargalo estratégico para o escoamento da commodity. Uma paralisação prolongada poderia reacender pressões inflacionárias.

Na Ásia, o índice chinês Shanghai CSI 300 fechou com alta de 0,38%, ao passo que o Nikkei, do Japão, encerrou a sessão com queda de 1,35%. Na Europa, o Euro Stoxx recua 1,89%, movimento acompanhado pelos contratos futuros do S&P 500 nos EUA, que operam em baixa de 1,11%.

No Brasil, na sexta-feira, o Ibovespa encerrou em queda de 1,16%, aos 188.786,98 pontos, e o dólar cedeu 0,25%, cotado a R$ 5,1252. Na renda fixa, a curva de juros registrou alta, com as taxas avançando de 8 a 10 pontos-base.

Zona do Euro – O PMI industrial subiu de 49,5 em janeiro para 50,8 pontos, alcançando o maior nível em 44 meses e superando a marca de 50 pontos que separa contração de crescimento. O resultado confirmou a leitura preliminar e ficou em linha com as expectativas. A leitura sinaliza que o setor manufatureiro do bloco ganhou tração no mês passado, reforçando sinais de estabilização após um período prolongado de fraqueza industrial.

Brasil – O IPCA-15 de janeiro avançou 0,84%, superando com folga as projeções — 0,58% na nossa estimativa e 0,56% na mediana do mercado. A surpresa foi liderada pela alta atípica nas passagens aéreas, contrariando o padrão sazonal de deflação, além de pressões em itens como consertos, manutenção e automóveis novos. Os núcleos também aceleraram na margem, especialmente em serviços, sugerindo uma dinâmica inflacionária menos benigna no curto prazo.

Apesar da leitura mais forte, o impacto sobre a política monetária tende a ser limitado. O Banco Central orienta suas decisões pelas projeções para o horizonte relevante, e não apenas pelo dado corrente. Com sinais de desaceleração da atividade, expectativas relativamente ancoradas e juros reais elevados, mantemos a avaliação de que o ciclo de cortes pode começar em março, com redução de 50 pontos-base. Revisamos o IPCA de fevereiro para 0,73% e seguimos projetando 4,8% para 2026, incorporando maior incerteza fiscal e possível depreciação cambial no segundo semestre.

Destaques do Boletim Focus do Banco Central (27/2/26):

IPCA/26: estável em 3,91% | IPCA/27: caiu de 3,80% para 3,79%

PIB/26: estável em 1,82% | PIB/27: estável em 1,80%

Dólar/26: caiu de R$ 5,45 para R$ 5,42 | Dólar/27: estável em R$ 5,50

Selic/26: caiu de 12,13% para 12,00% | Selic/27: estável em 10,50%

Primário/26: estável em -0,50% | Primário/27: estável em -0,42%

Para acessar o Boletim completo, clique aqui: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.          

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
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Analista de Ativos
CNPI: 9236

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