Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
A Vale reportou na noite de quinta-feira (29) seus resultados referentes ao terceiro trimestre de 2026.
Os números vieram em linha com as nossas estimativas e do consenso. O 3T26 foi fraco em minério de ferro, com preços realizados menores e queda de produção, mas que foram compensados em parte pelo bom desempenho do cobre e pela geração de caixa.
Diferente dos trimestres anteriores, a companhia não divulgou o relatório de produção separado e passou a reunir os dados operacionais e financeiros em um único relatório. Com isso, os números de volume e preço chegaram junto com o resultado.
A produção de minério de ferro ficou em 88,4 milhões de toneladas (-6% a/a), puxada por um recuo de 27% em Serra Norte, que a companhia atribui a restrições operacionais. O recorde de produção em Serra Sul (23,8 Mt) e a compra recorde de minério de terceiros (9,7 Mt) compensaram parte da queda e possibilitaram — junto com o consumo de estoques — que as vendas ficassem estáveis em 86,3 Mt. O preço realizado de finos caiu 10% t/t, para US$ 85,1/t, mas também pesaram o ajuste de frete nas vendas em trânsito no fim do trimestre e um prêmio de qualidade menor.
O prêmio all-in, que havia subido com a nova estratégia comercial adotada em meados de 2025, vem perdendo força à medida que a produção de Serra Norte cai na comparação anual. Neste trimestre, a linha ficou abaixo do mesmo período do ano passado (US$ 1,6/t vs. US$ 3,5/t).
O custo caixa da companhia ex-compras de terceiros atingiu US$ 23,1/t (+12% a/a), impactado pela valorização do câmbio, pela menor participação de Serra Norte (de custo mais baixo) e pelo diesel mais caro, apesar da queda de 4% t/t. O custo all-in, que leva em consideração fretes, royalties e demais custos, atingiu US$ 60,4/t (+ 21% a/a) puxada pelo frete.
Apesar dos desafios, a companhia manteve o guidance de Produção (335 a 345 Mt), mas agora aponta para o piso da faixa, o que exige cerca de 92,7 Mt no 4T26 — acima de qualquer trimestre do ano — e de Custo caixa (US$ 23,6/t) está ligeiramente acima do teto do guidance (US$ 22,5 a 23,5/t).
Do lado de metais básicos, o cobre foi novamente o destaque, com EBITDA de US$ 1,0 bilhão (+66% a/a), sustentado por preços realizados maiores e pelas receitas de subprodutos (ouro e prata principalmente), mesmo com a parada programada do moinho de Sossego. O níquel decepcionou, com custos maiores de feed e manutenção. A companhia espera terminar o ano na metade superior do guidance de produção de cobre e de níquel.
A geração de caixa foi o ponto positivo do trimestre, com fluxo de caixa livre recorrente de US$ 1,4 bilhão — apoiado na liberação de capital de giro, em menores impostos pagos e em ganhos com hedge de petróleo e frete.
Mesmo com um trimestre mais fraco em minério de ferro, os números vieram próximos do esperado e entendemos que boa parte das dificuldades já está refletida nos preços das ações após a correção recente.
Por outro lado, a geração de caixa segue sólida, a estrutura de capital é confortável e o cobre continua mostrando evolução. Mantemos nossa recomendação de compra, pois continuamos vendo na companhia uma boa combinação de geração de caixa e crescimento em cobre — ainda que o caminho em minério de ferro tenha ficado mais desafiador.
| Preço Alvo | 90,00 |
| Preço Atual | 62,00 |
| Upside | 45% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 275 |
| Ações Emitidas (mi) | 4.268 |
| Free Float | 73,0% |
| Semana | -5,69% |
| Mês | -11,36% |
| Ano | -14,38% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001