Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
O Nu divulgou nesta quinta-feira (13), após o fechamento do mercado, seus números referentes ao 2º trimestre de 2026.
Os números reportados foram fortes em praticamente todas as linhas que acompanhamos. Os principais destaques foram a recuperação da margem financeira ajustada ao risco, o primeiro trimestre da história da companhia com lucro acima de US$ 1 bilhão e a manutenção do ritmo de crescimento da carteira de crédito.
As ações reagiram de maneira bastante positiva, subindo mais de 8% no after market. O movimento deve se estender para o pregão de hoje (14).
A recuperação que projetamos no trimestre passado aconteceu. Quando comentamos o resultado do 1T26, dissemos que o salto nas provisões era conservadorismo do banco — não deterioração dos modelos de concessão — e que esperávamos que a combinação de Desenrola, melhora sazonal e evolução da carteira levasse a provisões menores e à expansão de margens nos trimestres seguintes.
Foi exatamente o que ocorreu: a margem financeira ajustada ao risco saltou de 9,5% para 12,4% (+2,90 p.p. t/t), bem acima dos 10,4% que o mercado projetava. A margem financeira cheia atingiu 22,9% (+1,80 p.p. t/t), ajudada pelo mix mais concentrado em cartão e crédito sem garantia e por um custo de captação estável em 88% da taxa interbancária, 3 p.p. abaixo do 2T25.
O lucro líquido veio em US$ 1,061 bilhão (+17% t/t; +49% a/a) em base cambial neutra, 10% acima do consenso de US$ 966 mi, com ROE de 33%. Vale, porém, uma calibragem: quando decompomos o resultado contra as projeções do mercado, praticamente toda a surpresa positiva está na linha de provisão, que veio 12% abaixo do esperado. A receita líquida de despesas de juros ficou em linha, as despesas operacionais vieram 10% acima e o lucro antes de provisões acabou 4% abaixo do consenso. Não enxergamos isso como um problema, mas é o tipo de detalhe que ajuda a evitar extrapolação apressada da linha operacional.
Sobre o Desenrola, a gestão foi transparente no call. O programa respondeu por cerca de 5% da melhora do custo do crédito, algo em torno de US$ 85 mi, aproximadamente 0,55 p.p. da expansão sequencial da margem ajustada ao risco, menos de 5% do lucro do trimestre e uma redução de cerca de 0,15 p.p. na inadimplência acima de 90 dias. Quatro quintos do efeito esperado já entraram neste trimestre e o restante vem no 3T26. Ajustando por tudo isso, a margem ajustada ao risco ficaria entre 11,9% e 12,3%, ou seja, o trimestre continua muito bom mesmo sem o programa. O que chama atenção é que as recuperações praticamente dobraram na comparação trimestral, para US$ 309 mi, enquanto a provisão bruta caiu bem menos.
A carteira de crédito atingiu US$ 39,4 bi (+5% t/t; +37% a/a) em base cambial neutra, com cartão crescendo 35%, crédito sem garantia 45% e colateralizado 30% na comparação anual. A inadimplência entre 15 e 90 dias, que é o indicador antecedente e não é afetado pelo Desenrola, recuou para 4,8% (-0,16 p.p.), com a sazonalidade contribuindo com 0,37 p.p. de melhora e a expansão intencional de risco tirando 0,24 p.p. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 6,9% (+0,35 p.p.), refletindo a migração natural dos atrasos curtos formados no primeiro trimestre, com a cobertura em 244%.
O melhor dado da apresentação, na nossa leitura, foi a abertura inédita da inadimplência acima de 90 dias em cartões por faixa de renda no Brasil: (i) no mercado de massa, o Nu está em 8,7% (vs. 14,4% dos bancos grandes e 20,6% das instituições menores); e (ii) no super core, 7,1% (vs. contra 7,6% e 13,5%, respectivamente).
As três faixas melhoraram na comparação anual, enquanto os pares deterioraram. É a evidência mais concreta que a companhia já apresentou daquilo que vínhamos argumentando desde o 3T25: o Nu opera o público de baixa e média renda melhor do que qualquer incumbente, e a principalidade da conta é o que sustenta essa diferença.
O ponto de atenção do trimestre está no Estágio 3 da carteira de empréstimos pessoais, que subiu de 6,3% para 8,3% do total em um único trimestre, com a cobertura desse estágio caindo de 68,5% para 66,2% e a provisão constituída sobre a formação de Estágio 3 nessa linha recuando de 136% para 87%. A explicação mais provável é o próprio Desenrola, que devolve ao balanço créditos já baixados e integralmente provisionados, inflando a formação sem exigir constituição correspondente. É a leitura razoável e a companhia sinalizou nessa direção, mas não é possível separar os dois efeitos com os dados publicados. Vamos acompanhar de perto no 3T26, quando o restante do programa entra e a base de comparação começa a limpar.
Os depósitos atingiram US$ 45,3 bi (+6% t/t; 18% a/a) em base cambial neutra, recuperando a saída sazonal do primeiro trimestre. A companhia continua crescendo seus depósitos, mostrando que (i) o banco tem ganhado principalidade dos clientes; e (ii) o banco tem uma base de depósitos crescente para continuar evoluindo no crescimento de sua carteira de crédito conforme for adicionando mais produtos. Essa aceleração deve ser importante para a rentabilidade da operação.
Com a evolução dos resultados, a Receita Média por Usuário Ativo (average revenue per active customer, ARPAC) atingiu US$ 17,1 por mês, crescimento de 22% ex-variações cambiais. O Custo de Servir (CS) se manteve estável em US$ 1,0. A alavancagem operacional que o Nu tem apresentado é um dos principais pontos de nossa tese.
No México, a licença virou operação. O banco múltiplo começou a operar em 6 de agosto, com 16 milhões de clientes, tornando o Nu o maior banco digital do país. A mudança destrava depósito de folha de pagamento, oferta de crédito ampliada, seguro de depósito maior e novos segmentos de cliente. Com a relação entre crédito e depósitos no país em apenas 35%, essa é hoje a maior reserva de crescimento de margem fora do Brasil.
No Brasil, a companhia lançou o Croma para o segmento super core, o segundo maior bolsão de lucro do mercado,. O Nu chegou a quase 118 milhões de clientes, com taxa de atividade acima de 86% pela primeira vez, e anunciou a aquisição do Banco Porto Real — que adiciona licença bancária ao conglomerado sem exigência adicional de capital ou liquidez.
Por fim, a companhia aprovou em junho seu primeiro programa de recompra, de até US$ 1 bi, com US$ 500 mi já executados a um preço médio implícito de US$ 12,31 por ação. A gestão afirmou que não há urgência em usar o restante e que o ritmo será oportunista.
A gestão passou a guiar margem ajustada ao risco entre 11,8% e 12,5% para o segundo semestre, contra 10,5% a 10,8% anteriormente, o que deve puxar as estimativas do mercado para cima. Nossas projeções para 2026 ficam próximas de US$ 4,1 bi de lucro, praticamente em linha com o consenso. Para 2027, ficamos mais conservadores, em torno de US$ 5,4 bi (vs. aproximadamente US$ 5,9 bi do mercado), porque levamos a meta de eficiência ao pé da letra e não assumimos queda adicional do custo de risco em um ciclo de crédito brasileiro ainda apertado.
Seguimos muito construtivos com a tese em Nu. O trimestre confirmou as duas frentes que mais nos interessam, a diferenciação de crédito no Brasil e a virada de chave no México.
| Preço Alvo | 17,00 |
| Preço Atual | 12,04 |
| Upside | 41% |
| Capitalização de Mercado (US$ bi) | 67,3 |
| Semana | +0,08% |
| Mês | +2,12% |
| Ano | -21,87% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.