Monte Bravo Analisa — Resultado Itaú 3T26

04/11/2026 • 3 mins de leitura

O Itaú divulgou nesta terça-feira (03) pela noite seus resultados do 3º trimestre de 2026.

Os números vieram em linha com as nossas expectativas e do consenso do mercado, com destaque positivo novamente para a qualidade do crédito e para o controle de despesas. Do lado negativo, destacamos um crescimento ainda tímido das receitas de serviços, que já se arrasta há alguns trimestres.

Indo aos números: a Carteira de Crédito cresceu 1,4% no trimestre e 10,2% em 12 meses, chegando a R$ 1,54 trilhão. A venda do varejo da Colômbia, concluída em julho, distorce a comparação, e sem ela a alta teria sido de 2,2% no trimestre. No Brasil, a carteira avançou 2,4%, com o crescimento concentrado em linhas com garantia ou de menor risco, como crédito imobiliário (+4,4%), consignado (+3,5%, com o consignado privado subindo 11,6%) e micro, pequenas e médias empresas (+4,2%), estas puxadas pelos programas governamentais.

A margem financeira com clientes cresceu 2,2% no trimestre (2,6% sem a Colômbia) e 6,6% no ano, para R$ 33,3 bilhões, apoiada em volume, maior número de dias corridos e úteis e operações estruturadas do atacado. O outro lado de crescer em linhas com garantia aparece na taxa, que caiu de 9,1% para 9,0% no consolidado e de 10,0% para 9,9% no Brasil, com o próprio banco apontando efeito negativo de mix e compressão de spread de ativos. A margem com o mercado foi o destaque do trimestre, saltando 42,3%, para R$ 1,3 bi, por conta da mesa de trading.

Na qualidade de crédito o quadro segue controlado a inadimplência acima de 90 dias subiu 0,1 p.p., para 2,0%, puxada por micro, pequenas e médias empresas (2,1%), com a normalização dos atrasos após o fim das carências dos programas governamentais, movimento que o próprio banco já antecipava. Em Pessoas físicas ficaram estáveis em 3,7% e a inadimplência de curto prazo (15 a 90 dias) caiu 0,1 p.p., para 1,7%.

Os serviços e seguros seguiram como o ponto fraco, com queda de 0,2% no trimestre (+0,1% sem a Colômbia) e estabilidade no ano, somando R$ 14,1 bi. Cartões emissor (+7,1%, ajudado pela menor despesa com o programa de pontos) e administração de recursos (+7,8%) cresceram bem, mas assessoria e corretagem caiu 26,3% com menos emissões de renda fixa, conta corrente pessoa física seguiu recuando e o resultado de seguros caiu 1,5% com sinistros maiores em prestamista, habitacional e vida. No acumulado do ano, a linha cresceu 3,0%, dentro da faixa revisada no 2T26.

A parte de despesas ex-juros cresceu 2,4% no trimestre e 1,7% no ano, para R$ 17,1 bi, pressionada pelo reajuste salarial de 4,6% do acordo coletivo, que passou a valer em setembro, e por mais despesas com ações trabalhistas. Como o reajuste pegou só um mês do 3T26, o efeito cheio aparece no 4T26. O índice de eficiência ficou em 37,5% (35,7% no Brasil), praticamente estável no trimestre e 1,3 p.p. melhor que um ano atrás.

Continuarmos confortáveis com a performance operacional do Itaú, pois temos o conforto de que a estratégia de investimentos em tecnologia permitirá ao banco acelerar os seus ganhos de eficiência nos próximos anos, aumentando de maneira relevante o ROE do Banco — que continua rodando em patamares bastante superiores aos seus principais concorrentes.

Esse conforto na capacidade de execução e um balanço bastante confortável — capaz de acelerar ganho de market share se tiverem confortáveis e/ou aumentar a remuneração dos acionistas — faz com que mantenhamos o Banco como o único incumbente com recomendação de compra.

Itaú (ITUB4) — Compra

Preço Alvo47,00
Preço Atual38,49
Upside22%
Capitalização de Mercado (R$ bi)449
Ações Emitidas (mi)9.756
Free Float50,00%

Performance

Semana-8,42%
Mês-22,21%
Ano-1,69%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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