Monte Bravo Analisa — Resultado Inter 2T26

06/08/2026 • 3 mins de leitura

O Inter divulgou nesta quarta-feira (05) após o fechamento seus resultados do 2º trimestre 2026.

Os números vieram acima das nossas estimativas, puxados pela expansão relevante da Margem Financeira — que mais do que compensou receitas de serviços novamente fracas e uma nova rodada de deterioração nos indicadores de crédito.

O lucro líquido do banco somou R$ 421 milhões, recorde da companhia, com alta de 34% na comparação anual e um ROE anualizado de 16,3%.

As ações chegaram a cair mais de 8% ao longo do pregão seguinte à divulgação e, mesmo com recuperação parcial ao longo do dia, seguem caindo mais de 3%. Entendemos que o mercado segue com pouca tolerância a qualquer sinal adicional de deterioração na qualidade da carteira, mesmo diante de um resultado operacional forte.

O call de resultados parece ter ajudado a conter parte da queda inicial, já que a companhia reforçou que a expectativa de Custo de Risco para o 2º semestre do ano segue em torno de 6% — sem mudança em relação ao que já vinha sendo sinalizado. Além disso, o Inter voltou a reforçar que o Consignado Privado concentra a maior parte da piora nos indicadores, o que reduz, na nossa visão, a leitura de que o problema seja generalizado pela carteira.

A gestão também comentou que o foco não é minimizar o NPL, mas sim maximizar o NIM ajustado ao risco, e que deve lançar em breve um produto de seguro para o Consignado Privado. O lançamento tende a ajudar tanto na redução de provisões quanto na geração de receita adicional.

A Carteira de Crédito segue crescendo em ritmo forte, com variação anual de 29% e trimestral de 4%, com destaque para Imobiliário (+37% a/a) e Cartão de Crédito (+23% a/a) — este último beneficiado pela reprecificação que a companhia vem realizando desde o ano passado. O Consignado Privado, que já vínhamos acompanhando de perto, atingiu R$ 2,8 bilhões, ante R$ 2,5 bi no 1T26, e segue sendo o principal vetor tanto do crescimento quanto da piora nos indicadores de crédito.

Do lado da rentabilidade, o trimestre foi o melhor da história da companhia. O NIM 2.0 rompeu a marca de dois dígitos pela primeira vez e ficou em 10,12% (+0,58 p.p. t/t; +1,05 p.p. a/a). Parte relevante desse ganho veio de um efeito não recorrente do hedge de IPCA, decorrente do descasamento observado no 1T26 que só impactou o resultado neste trimestre. Este efeito precisa ser normalizado ao projetarmos a margem adiante.

Já o Retorno Ajustado ao Risco recuperou para 5,86% (vs. 5,58% no 1T26), mas segue abaixo do pico de 5,92% visto no 4T25. Assim, mesmo com o NIM batendo recorde, boa parte do ganho de margem segue sendo consumida pelo Custo do Crédito.

O Custo de Risco subiu para 5,9% (vs. 5,6% no 1T26). A inadimplência acima de 90 dias voltou a piorar, para 5,3% (+0,20 p.p. t/t), enquanto a inadimplência de 15 a 90 dias também piorou 20 bps, para 4,8% — um movimento que já não esperávamos, dado que ela havia estabilizado no trimestre passado.

A companhia também alterou a política de write-off de cartões, gerando efeito não recorrente de 0,30 p.p. de melhora no NPL acima de 90 dias. Excluído esse efeito, a piora teria sido maior. Mais uma vez, o Consignado Privado é o principal responsável pela deterioração, respondendo por mais da metade do aumento anual da inadimplência, ainda que sua rentabilidade marginal siga atrativa. A Cobertura recuou para 134% (vs. 137% no 1T26).

As receitas de serviços voltaram a decepcionar, crescendo apenas 11% na comparação anual — abaixo do crescimento de 18% visto no 1T26. O TPV de Cartões continuou em ritmo forte, mas com o GMV da InterShop e as receitas de investimentos e seguros pressionando a linha.

As Despesas não Decorrentes de Juros continuaram subindo (+19% a/a), mas seguem crescendo bem abaixo do crescimento de receita, o que tem permitido que o Inter entregue ganhos de eficiência. O Índice de Eficiência chegou a 42,1% no trimestre (vs. 43,8% no 1T26), ainda distante da meta de 30% para 2027, mas com um ritmo de melhora consistente.

Temos recomendação de compra para os papeis do Inter (INBR32). Apesar disso, estamos aproveitando o resultado para incorporar premissas um pouco mais desafiadoras para a qualidade do crédito e consequentemente uma NIM pior. Por isso, estamos ajustando nosso preço-alvo para R$ 35.

Um ponto importante é que o resultado não muda a nossa tese. Isto ocorre por uma série de fatores: (i) a companhia segue crescendo bem mais que seus pares e com múltiplos ainda atrativos; (ii) tem entregado ganhos de eficiência trimestre após trimestre; e (iii) mostra capacidade de continuar aumentando a rentabilidade via NIM, mesmo em um ciclo de crédito mais desafiador.

Dito isso, o Custo de Risco segue sendo o principal risco à tese e deve continuar no centro do debate nos próximos trimestres, pois — caso a deterioração persista além do que a própria companhia projeta — pode ser necessário revisar nossas estimativas de provisão para baixo.

Inter & Co. (INBR32) — Compra

Preço Alvo35,00
Preço Atual28,95
Upside21%
Capitalização de Mercado (US$ bi)2,54
Ações Emitidas (mi)440
Free Float68,0%

Performance

Semana+2,01%
Mês-0,52%
Ano-37,02%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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