Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
O Bradesco reportou na noite de quarta-feira (28) seus resultados referentes ao 3º trimestre de 2026.
Nós consideramos os números mistos e essencialmente em linha com nossas estimativas e do consenso. No entanto, o qualitativo do resultado ficou um pouco pior que esperávamos.
A carteira expandida atinge R$ 1,15 trilhão, crescendo 1,1% no trimestre e 11,1% em 12 meses — acima do teto do guidance e acima do sistema. Gostamos da desaceleração. O banco está trocando crescimento por rentabilidade ajustada ao risco: encolhe capital de giro sem garantia e crédito pessoal clean, enquanto cresce em linhas com colateral, que já são 61,2% da carteira. Faltou esse comportamento em ciclos anteriores. A ressalva é de que o ajuste chega depois de um ano rodando acima do próprio guidance, e a prova dessa disciplina vai aparecer no custo do crédito dos próximos trimestres.
A margem financeira total cresceu 2,4% no trimestre, para R$ 21,4 bilhões, mas a decomposição importa. A margem com clientes subiu 1,5%, puxada por volume e calendário — foram quatro dias úteis a mais. Spread e mix jogam contra, e a taxa média cai de 9,1% para 8,9%. A margem com mercado saltou 30%, para R$ 875 milhões, sem ajuda do caixa novo, homologado só em 8 de outubro.
As receitas de serviços cresceu 4,2% no trimestre, para R$ 10,9 bi, com recorde de R$ 4,8 bi em cartões puxado pela alta renda. Uma ressalva: por dia útil, a linha cai cerca de 2% contra o 2T26, e o crescimento anual de 3,1% roda abaixo do ritmo do primeiro semestre.
Cartões, asset e investment banking vão bem, enquanto conta corrente e cobrança seguem encolhendo. Seguros foi o maior detrator do trimestre. O resultado operacional caiu 8,6%, para R$ 5,6 bi, com sinistralidade de 74,6%, e o lucro do Grupo Segurador resiste: R$ 2,9 bi com ROE de 22%.
A qualidade de crédito foi o centro do trimestre. A PDD expandida subiu 6,6% t/t e 24,3% em 12 meses, para R$ 10,6 bi, e o custo do crédito vai de 3,5% para 3,7%. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6% (+0,3 p.p.), com pessoa física em 5,8% e MPME em 4,9%. Na teleconferência, a gestão decompôs a piora: metade vem do capital de giro com garantia do FGI e do FGO, carteira que cresce 31,5% em 12 meses e já está entre as cinco maiores do banco, e cerca de 10 pontos-base vêm da sazonalidade do Banco John Deere. A mecânica confere com o regulamento do BNDES. A honra da garantia só pode ser pedida a partir de 90 dias de atraso, então esses contratos precisam sujar o índice antes de o fundo pagar, com perda esperada bem menor.
As despesas seguem como o grande destaque positivo. Elas caíram 0,7% t/t e 1,0% a/a, para R$ 16,3 bi, sem efeito pontual e já com o acordo coletivo de 4,6% rodando. O índice de eficiência trimestral atinge 45,4% — o melhor da série recente — e a gestão mira algo perto de 40% ao fim da transformação.
O guidance de 2026 foi mantido. Carteira em 11,1% e seguros em 8,6% rodam acima dos tetos, serviços em 3,6% está dentro da faixa e despesas em 3,2% estão bem abaixo do piso. A margem financeira líquida anualizada, de R$ 42,7 bi, está colada no piso da faixa de R$ 42 bi a R$ 48 bi, e o próprio RI confirmou essa leitura. Esse número é o retrato do trimestre: a margem bruta cresceu 15% no ano, a PDD cresce 24%, e a diferença é o que sobra para o acionista.
Entre a divulgação e este relatório, o quadro de mercado mudou. Com o resultado da eleição de domingo (25), o mercado passou a precificar juros mais altos por mais tempo, a parte longa da curva abriu e as ações de bancos sofreram um de-rating forte e generalizado. BBDC4 saiu de R$ 20,22 em 22 de outubro para R$ 14,20 em 29 de outubro, uma queda de aproximadamente 30% em cinco pregões.
Juro mais alto por mais tempo bate no Bradesco por três canais: (i) a margem com mercado, com sensibilidade estimada pela gestão em R$ 900 mi por 100 pontos-base; (ii) a marcação dos títulos, que freia o crescimento do valor patrimonial; e (iii) o custo do crédito, que demora mais para ceder com a economia fraca. Na outra direção, o financeiro da Seguradora se beneficia de juros maiores e as despesas seguem como âncora.
Em nossa opinião a tese de destravamento de valor segue de pé, com a lembrança de que parte do crescimento do VPA é dinheiro novo dos próprios acionistas. Nossas dúvidas são três: (i) a inadimplência do massificado, que ainda sobe no 4T26 e só cede ao longo de 2027; (ii) se as comissões fora de cartões saem do lugar; e (iii) como o banco entra em 2027, com economia desacelerando, reajuste salarial cheio e o funding do FGI/FGO em discussão.
Sobre valuation, a queda mudou os termos da conversa. A aproximadamente R$ 14,20 — fechamento de 29 de outubro — a ação negocia a 0,84x o valor patrimonial e a 5,8x o lucro de 12 meses. O desconto voltou, mas veio junto com um custo de capital maior, e um ROE na casa de 15% a 16% paga pouco acima do que o acionista passou a exigir. É isso que o múltiplo abaixo de 1x está dizendo. A assimetria melhorou para quem carrega horizonte longo. Preferimos ver dois sinais antes de mudar a recomendação: a inflexão da inadimplência do massificado e alguma estabilização dos juros, que hoje dominam o papel e o setor.
No 2T26, escrevemos que estávamos mais construtivos com o banco. O 3T26 e o novo cenário não desfizeram essa visão, mas tiraram a pressa dela. Mantemos recomendação Neutra para as ações do banco e estamos mudando nosso target para R$ 18,50.
| Preço Alvo | 18,50 |
| Preço Atual | 14,20 |
| Upside | 30% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 152 |
| Ações Emitidas (mi) | 10.577 |
| Free Float | 58,0% |
| Semana | -29,00% |
| Mês | -20,25% |
| Ano | -22,05% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.