Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
A Ambev reportou na manhã desta quinta-feira (29) seus resultados referentes ao 3º trimestre de 2026.
Os números ficaram mistos ante ao consenso de mercado: receita em linha, EBITDA ajustado — entre 1,5% e 2% — abaixo e lucro ajustado entre — 9% e 10% — acima. Mais uma vez, a principal decepção veio da Unidade de Cerveja Brasil, enquanto a surpresa positiva no lucro veio do resultado financeiro, e não da operação.
No consolidado, a receita líquida cresceu 7,6% a/a em termos orgânicos e o EBITDA ajustado somou R$ 7,3 bilhões (+8,9% a/a orgânico), com margem de 33,7%. À primeira vista, os números parecem bons, mas cerca de dois terços do crescimento orgânico do EBITDA veio da LAS, onde o avanço reflete em boa parte o repasse de preços em um ambiente de inflação alta na Argentina. O Brasil respondeu por menos de 10% desse crescimento.
A companhia anunciou um novo programa de recompra de até 190 milhões de ações em 18 meses, cerca de R$ 2,9 bi ao preço de 28/10, equivalente a 1,2% do total de ações e 4,7% das ações em circulação no mercado. A renovação, que cobramos no último trimestre, veio.
O volume de cervejas no Brasil subiu apenas 0,5% a/a, bem abaixo do mercado — que esperava algo próximo de 3% — e da indústria — que cresceu cerca de 4% com a ajuda da Copa, segundo a Nielsen. A companhia pede para olharmos o 2T26 e o 3T26 juntos, período em que seu volume cresceu 2,7% contra 1,3% da indústria, mas mesmo assim a leitura não empolga.
A receita por hectolitro subiu 4,8% a/a e o custo 5,4%, com as despesas crescendo 9,2%, puxadas por marketing e distribuição. Com isso, o EBITDA da unidade cresceu só 1% e a margem recuou para 34,9% (-1,3 p.p.). As marcas premium seguem como destaque, crescendo na casa dos 10% altos, enquanto as marcas mainstream continuam caindo.
Outro ponto que nos chama atenção é o custo. No acumulado do ano, o custo por hectolitro de Cerveja Brasil sobe 8,3%, acima da faixa de 4,5% a 7,5% que a companhia indicou para 2026 e manteve. Para cumprir o guidance, o 4T26 precisa vir bem mais leve, o que enxergamos como um risco.
As demais unidades trouxeram poucas novidades, com destaque positivo para a América Central e Caribe, com EBITDA crescendo 11,4% a/a orgânico e margem de 47,3%, mas pouco mudam o debate.
O lucro líquido ajustado atribuído aos acionistas subiu 14,1% a/a, para R$ 4,3 bi, mas essa leitura engana. Da alta de R$ 529 mi, a maior parte veio da melhora de R$ 774 mi no resultado financeiro, puxada por ganhos cambiais sem efeito caixa, enquanto o EBITDA contribuiu com R$ 212 mi. Em nossas contas, sem esse efeito o lucro ajustado teria crescido cerca de 2%.
Continuamos com nossa visão de que a companhia negocia em múltiplos demandantes para um mercado maduro e de competição acirrada. O trimestre reforça isso: mesmo com base de comparação fraca e Copa do Mundo, o negócio de cervejas no Brasil não conseguiu acelerar volume nem preço. Por isso, mantemos nossa recomendação de Venda e revisamos nosso preço alvo para R$ 15,50.
| Preço Alvo | 15,50 |
| Preço Atual | 14,46 |
| Upside | 7% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 224 |
| Ações Emitidas (mi) | 15.592 |
| Free Float | 29,00% |
| Semana | -14,23% |
| Mês | -5,30% |
| Ano | +5,93% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.