Monte Bravo Analisa — Cenários de Petróleo e impactos sobre Petrobras e PRIO

25/03/2026 • 2 mins de leitura

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As ações das empresas de Exploração e Produção (E&P) de petróleo têm apresentado uma performance bastante positiva em 2026, acompanhando a valorização da commodity no mercado internacional.

É importante destacar que o cenário atual é reflexo de um choque de oferta, provocado principalmente pela interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — um dos gargalos logísticos mais críticos do mundo. Embora já existam disrupções causadas por ataques a infraestruturas de produção, esses impactos concentraram-se mais no setor de gás do que no de petróleo até o momento.

Cenários para o preço do petróleo:

  • Resolução Parcial: Cenário de trégua envolvendo Israel, EUA e Irã — com a paralisação de ataques e a reabertura do Estreito de Ormuz. Nestas condições, acreditamos que o petróleo do tipo Brent recuaria para o patamar de 80 a 85 dólares por barril.
  • Acordo de Paz Abrangente: Cenário menos provável, mas definitivo, com fim de embargos ao óleo iraniano e cumprimento dos 15 pontos propostos pelos EUA, derrubando drasticamente o risco geopolítico embutido nos preços. Neste caso, estimamos que o petróleo possa voltar a testar o patamar de 60 dólares por barril.

Manter esses valores em mente é vital. Em 2025, quando o óleo operou em níveis mais baixos do que os atuais — com preço médio US$ 69 por barril —, a Petrobras (PETR4) pagou cerca de 8% em dividendos. Este é um patamar acima do que acreditamos como ideal, porque a empresa distribuiu mais do que o recomendado, se for considerado uma gestão de caixa conservadora, frente aos fortes investimentos realizados. Com o petróleo voltando a negociar no patamar próximo aos US$ 70 e com as ações da companhia valorizadas, o resultado seria um dividend yield mais baixo.

Nosso cenário base projeta preços de petróleo menores do que os atuais. Além disso, considerando a velocidade com que as negociações diplomáticas podem avançar, faz sentido montar proteções para as ações da companhia.

Como comentamos em nossos últimos relatórios, ainda existe uma possibilidade de os papeis da companhia se desconectarem dos fundamentos do óleo durante o cenário eleitoral. Por isso, sugerimos estruturas com vencimentos mais curtos, de dois a três meses — que deve ser um período de negociações intensas e que podem levar a correções mais relevantes em dias de noticias mais positivas.

Nos últimos dois trimestres, a companhia distribuiu dividendos de R$ 1,35 por ação, correspondente a um DY de aproximadamente 3,5%. Esperamos que, com o aumento no preço do óleo no curto prazo, a companhia siga com o pagamento de dividendos robustos: para o 1T26, projetamos um DY entre 2,5% e 3,0%.

Ao somar os proventos já anunciados com nossa projeção, os ganhos devem ser suficientes para cobrir a totalidade ou quase todo o investimento feito para pagar por alguma proteção.

O caso de PRIO (PRIO3) é parecido. No entanto, hoje temos parâmetros piores para a realização de proteção e, no caso da companhia, conseguimos pensar em janelas maiores de prazo, pois não devemos ter impactos das eleições influenciando os preços do papel.

Apesar disso, é importante ressaltar que a PRIO pode anunciar uma política formal de remuneração aos seus acionistas em algum momento de 2026. Isto ocorre pois, com a entrada em operação da Wahoo e a consolidação de Peregrino, a companhia deve gerar bastante caixa.

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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