Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
A Petrobras divulgou na noite de quarta-feira (28) seu Relatório de Produção e Vendas referente ao 3º trimestre de 2026.
Os números costumam trazer poucas surpresas, já que a ANP publica mensalmente a produção nacional. Desta vez, a produção de óleo ficou pouco abaixo do que o mercado esperava.
Produção: A produção de óleo, líquido de gás natural (LGN) e gás natural atingiu o recorde de 3.512 mil boed (barris de óleo equivalente por dia, medida que soma petróleo e gás), uma alta de 5,3% no trimestre e de 11,7% em 12 meses.
O avanço veio do pré-sal, com o ramp-up — aumento gradual da produção de plataformas novas — da P-78 e da P-79 em Búzios, o FPSO — plataforma que produz, armazena e transfere o petróleo — Alexandre de Gusmão operando acima da capacidade de projeto em Mero e a maior eficiência operacional desde o fim de 2018.
Pelos nossos cálculos, o pré-sal respondeu por cerca de 87% do óleo extraído no Brasil, enquanto o pós-sal recuou 4,2% devido a paradas para manutenção na Bacia de Campos. Com média de 3.359 mil boed em nove meses, a companhia já supera o teto da meta de 2026, de 3,1 milhões de boed. Estimamos que, mesmo que a produção no 4T26 recuasse para 2,82 milhões de boed, o ano ainda fecharia no teto. Isso abre espaço para uma revisão para cima da meta no próximo Plano de Negócios.
Refino e Vendas: O fator de utilização das refinarias, que mede quanto da capacidade foi de fato usada, recuou de 101% para 99% com a parada programada da RPBC, em Cubatão, mas a produção de diesel foi recorde, de 769 mil bpd. As vendas de derivados no mercado interno subiram 6,4% no trimestre, para 1.854 mil bpd, o maior volume desde 2021, com o diesel 14,4% maior por conta do plantio da safra de verão e da atividade industrial. A gasolina caiu 0,7%, efeito do aumento da mistura de etanol anidro de 30% para 32% a partir de agosto.
Na comercialização, a Petrobras exportou o volume recorde de 1.251 mil bpd de petróleo e derivados. Ainda assim, o saldo exportador, que é a diferença entre o que a companhia exporta e o que importa, caiu 14,6%, para 918 mil bpd, porque as importações mais que dobraram com a compra maior de derivados na comparação trimestral. É Importante ressaltar que as exportações de petróleo só não foram maiores porque cerca de 140 mil bpd já embarcados ainda estavam em trânsito no fim de setembro. Essas cargas devem ser contabilizadas como venda no 4T26, o que transfere parte da receita e do caixa deste trimestre para o próximo.
Esperamos uma reação neutra ao relatório, com as atenções voltadas para os resultados do 3T26 — que serão divulgados em 10 de novembro. A produção maior e as margens de refino ainda elevadas devem sustentar o EBITDA. O ponto que mais vamos acompanhar é o capital de giro. Em nosso relatório de resultados do 2T26, contávamos com o recebimento no 3T26 de cerca de R$ 9,7 bilhões da subvenção do diesel, valor que já estava no lucro mas ainda não tinha virado caixa.
Esperamos que, junto com a divulgação de resultados, a companhia anuncie seus dividendos intercalares. Estamos projetando um dividend yield entre 2,5% e 3,0%.
Nos níveis de preço atuais, e com o Caixa que a companhia deve gerar graças ao aumento de produção contratado e margens elevadas em refino, entendemos que a companhia terá condições de distribuir aos seus acionistas uma boa remuneração. Por isso, estamos elevando nossa recomendação das ações da companhia para compra e elevando nosso preço alvo para as ações da companhia (PETR4) para R$ 60.
| Preço Alvo | 60,00 |
| Preço Atual | 52,51 |
| Upside | 14% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 727,5 |
| Ações Emitidas (mi) | 6.444 |
| Free Float | 63,3% |
| Semana | -10,00% |
| Mês | +6,95% |
| Ano | +71,00% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.