Monte Bravo Analisa — Resultado Santander 3T26

28/10/2026 • 3 mins de leitura

O Santander divulgou nesta quarta-feira (28) pela manhã seus resultados do 3º trimestre de 2026.

Os números reportados pela companhia ficaram bem abaixo de nossas estimativas e do mercado — o que ajuda a explicar a performance negativa das ações do banco hoje.

Consideramos o qualitativo do resultado ruim. O resultado antes de impostos ficou em R$ 2,7 bilhões e o lucro só terminou acima dele porque a linha de impostos veio positiva, ajudada por cerca de R$ 950 milhões em créditos tributários sobre prejuízos fiscais. Este é um ganho contábil que só vira dinheiro no futuro, quando o Santander pagar menos imposto.

Olhando os números, a Carteira de Crédito ampliada cresceu 0,9% no trimestre e 4,7% no ano, ou 1,6% e 5,4% sem a cessão de cerca de R$ 5 bi em financiamento de veículos para um FIDC. O avanço ficou concentrado em grandes empresas, linhas de spread menor.

Esse mix tem “cobrado” seu preço: a Margem Financeira com Clientes recuou 1,3%, para R$ 15,9 bi, com o spread caindo de 10,0% para 9,7%, e a Margem com o Mercado ampliou a perda de R$ 718 mi para R$ 895 mi — linha que, em nossa avaliação, deve seguir negativa enquanto os juros permanecerem nos níveis atuais.

Sobre a qualidade de crédito, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%, puxada pela pessoa física, que chegou a 5,5% com pressão em baixa renda e agronegócio. Do lado positivo, os créditos que já mostram aumento relevante de risco mas ainda não estão inadimplentes — o chamado estágio 2 — caíram 8,2% no trimestre, ainda que sigam 47% acima de um ano atrás.

A PDD somou R$ 7,5 bi, queda de 2,5% no trimestre, mas boa parte do recuo veio da recuperação de créditos já baixados, que subiu 24% com a venda de uma carteira de grandes empresas, e a despesa de provisão antes disso caiu só 0,6%. Entendemos que a carteira parou de piorar na margem, mas ainda não começou a melhorar.

As comissões cresceram 1,6% no trimestre, com seguros e cartões compensando a queda em corretagem. As despesas gerais caíram 3,0%, bem abaixo da inflação, o que confirma que o controle de custos segue bem executado — mas não é suficiente para compensar a receita mais fraca.

Sobre a oferta do Santander Espanha, que propõe trocar cada unit por 0,4056 BDR do controlador: o resultado pesa menos no preço do que em trimestres normais, porque a unit tende a acompanhar o valor da troca. Usando os preços por volta das 10h30 de hoje, o prêmio é de 4,2% sobre a tela. Considerando os ajustes previstos na oferta pelo JCP de outubro do Santander Brasil e pelo dividendo de € 0,127 por ação do Santander Espanha, a relação passa para cerca de 0,404 BDR por unit e o valor cai para R$ 25,65 — prêmio de 2,6%.

A queda de cerca de 12% da ação do controlador desde o anúncio consumiu quase todo o prêmio original de 15%. O que sobra é pouco para quem vai esperar até o primeiro semestre de 2027 carregando o risco de câmbio e de oscilação da ação do controlador.

O Santander não está entregando o que prometeu em rentabilidade. O ROE segue abaixo do custo de capital, a receita perde força e a melhora no crédito ainda não chegou à pessoa física. A tese não mudou, ela apenas ficou mais lenta, e o corte no JCP sugere que a própria gestão trabalha com um caminho mais longo. As dúvidas que ficam são quanto da provisão do trimestre foi pontual e o que a nova gestão vai indicar para 2027.

Mantemos nossa visão negativa para a operação brasileira bando e, entendendo que o prêmio para a troca é baixo, parece fazer sentido se expor ao setor financeiro brasileiro via outras companhia que tem melhores perspectivas em nossa opinião.

Santander (SANB11) — Neutro

Preço Alvo27,50
Preço Atual25,00
Upside10%
Capitalização de Mercado (R$ bi)95
Ações Emitidas (mi)3.818
Free Float11,7%

Performance

Semana-11,58%
Mês-17,18%
Ano-27,10%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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