Volatilidade de ouro e dólar desafia até investidores experientes

20/03/2026 • 2 mins de leitura

A indefinição sobre os rumos da taxa de juros e a quebra de correlações históricas entre ativos como ouro e dólar têm desafiado até os investidores mais experientes, avalia Fernanda Rocha, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC e assessora de investimento da Monte Bravo.

Ela destacou que o cenário atual de conflitos no Oriente Médio trouxe uma volatilidade atípica que confunde as estratégias tradicionais de proteção. “É de enlouquecer qualquer um mesmo, porque a gente está acostumado com algumas correlações e nesse momento a gente vê que as descorrelações elas se perderam. Normalmente a gente tem aquele fluxo, ou é dólar ou é ouro fazendo uma balança, quando um cai o outro sobe, e hoje vemos o ouro cedendo um pouco e o dólar também”, explicou.

A assessora de investimento analisou as expectativas para a “Super Quarta”, ressaltando que o mercado está dividido sobre o próximo passo do Banco Central em relação à Selic. “A comunicação não mudou, o que nos leva a crer que a perspectiva continua a mesma de antes. Na Monte Bravo, a gente acredita que a primeira queda seja de 0,50%. Mas o Itaú colocou para 0,25%, outras corretoras tiraram completamente essa primeira queda, então está todo mundo em dúvida do que realmente vai acontecer”, afirmou.

Sobre a pressão inflacionária e os dados recentes de atividade econômica, como o IBC-Br, a assessora da Monte Bravo acredita que ainda existe uma margem técnica para o afrouxamento monetário. “Hoje a gente está com juro real muito restritivo, então esse juro teria espaço sim para essa primeira queda. Não teria por que ficarem com receio de ter essa primeira baixa chegando ali em 14,5%”.

Fernanda Rocha também pontuou que as incertezas externas e a postura do Federal Reserve nos Estados Unidos pesam nas decisões locais, exigindo cautela extra dos gestores. “No mercado financeiro tudo são probabilidades, e temos uns 15% de chance de que esses conflitos continuem por semanas ou meses, o que faz a gente ter uma cautela a mais. Acredito que o Banco Central também trabalhe com esse pensamento mais duro e cauteloso”.

Ao tratar do mercado americano, ela reforçou que a equipe da Monte Bravo projeta um cronograma mais longo para o início dos cortes de juros pelo Fed. “Lá no Fed eles estão bem divididos e a gente fica calculando o voto de cada um para saber a perspectiva, mas acreditamos que esse movimento contínuo de quedas de juros lá vai ser mais para o final do ano e que agora a taxa se manteria”, avalia.

Leia aqui a reportagem publicada na Times Brasil.