Sala de Imprensa
15/03/2024 • 3 mins de leitura
Mercado de AAIs: Pier Mattei no Brazil Journal
Com a queda dos juros e o endurecimento das regras…

Em 2025 foi importante ter uma estratégia de investimentos ancorada na premissa de evitar apostas direcionais e concentrar a alocação em assimetrias bem definidas. Em um ambiente marcado por elevada incerteza fiscal e política no Brasil, além de um pano de fundo global mais construtivo, foi preciso priorizar uma estrutura de risco que permitisse capturar o retorno associado a um cenário internacional benigno, sem incorporar o risco específico do Brasil.
Essa abordagem se traduziu em uma combinação de posições estruturais no exterior e em ativos indexados à inflação no Brasil, com posições táticas pontuais ao longo do ano passado. Para 2026, é prevista uma continuidade das tendências globais observadas no ano anterior, mas com menor risco tático no mercado local.
Nesse sentido, há confiança em um plano global semelhante neste ano, com um cenário internacional benigno, caracterizado por atividade econômica saudável e inflação contida nas principais economias, tais como Estados Unidos, Europa e China, ainda sob um viés global de afrouxamento monetário.
Desse modo, os Estados Unidos devem seguir como principal vetor do ciclo. A condução da política monetária tende a ser cada vez mais dependente dos dados, com atenção especial à evolução do mercado de trabalho. Com os juros já mais próximos das estimativas de taxa neutra, os cortes deverão ocorrer de forma mais gradual e cautelosa, mas ainda consistentes com um pano de fundo macroeconômico construtivo.
Já no curto prazo, o estímulo fiscal, além do monetário, segue introduzindo um viés positivo para a atividade dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, efeitos metodológicos apontam para uma inflação mais elevada no primeiro semestre deste ano, com reversão para patamares próximos à meta na segunda metade do ano. Entretanto, talvez mais importante, sem pressionar as expectativas inflacionárias ou gerar preocupações quanto à sua persistência.
Esse ambiente permanece favorável aos ativos de risco, com perspectiva de crescimento surpreendente dos lucros corporativos, uma assimetria interessante nos bonds e a manutenção do ouro como componente relevante de proteção estrutural. Do ponto de vista do balanço de riscos, existe a probabilidade de uma desaceleração econômica global maior do que a de uma reaceleração inflacionária, reforçando uma preferência por títulos de renda fixa americana de prazo intermediário.
No caso do ouro, apesar do desempenho expressivo em 2025, eventos recentes como o episódio envolvendo a Venezuela e a divulgação do relatório americano de Segurança Nacional reforçam a leitura de uma transição na estratégia geopolítica dos Estados Unidos, com maior regionalização de interesses. Esse movimento amplia a área de influência americana na América Latina, ao mesmo tempo em que aumenta as vulnerabilidades em outros eixos geopolíticos relevantes, como China–Taiwan e Europa–Rússia–Ucrânia, sustentando o papel do ouro como proteção em cenários de maior turbulência global. Esse vetor deve continuar sustentando a demanda por ouro pelos bancos centrais e investidores.
No mercado local, a principal mudança foi o anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Embora uma alternativa de centro-direita ainda não esteja totalmente descartada, sua viabilidade dependerá da evolução das pesquisas ao longo do primeiro trimestre de 2026.
A leitura predominante é que se trata de uma candidatura a ser levada a sério, mas relativamente mais vulnerável em um eventual segundo turno contra o atual presidente, além de trazer incertezas quanto à composição de uma possível equipe econômica. Esses fatores trazem mais risco aos ativos locais.
O cenário brasileiro tende a se tornar mais desafiador em 2026, enquanto os preços dos ativos ainda embutem probabilidades elevadas de um desfecho positivo para câmbio, renda fixa, bolsa e crédito. Nesse ambiente, é possível acreditar que a combinação entre prudência, assimetria e diversificação internacional segue sendo a forma mais eficiente de navegar neste ano, com consistência e proteção do capital.
Leia aqui o artigo publicado na InfoMoney, produzido por Guilherme Loureiro, CIO da Monte Bravo.