Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais estão assimilando bem uma nova série de fatores de risco, que variam de tensões geopolíticas no Irã até renovadas pressões do governo Trump sobre o Federal Reserve.
A ameaça de impor uma tarifa adicional de 25% sobre importações de países que negociam com Teerã — uma lista que inclui China, Índia, União Europeia e Turquia — adiciona uma camada de imprevisibilidade ao cenário.
Hoje (13), as atenções se voltam para o índice de preços ao consumidor (CPI) de dezembro nos Estados Unidos, que deve oferecer um retrato mais fidedigno da inflação após as distorções causadas pela recente paralisação do governo (shutdown). O consenso aponta alta de 2,70% no acumulado em12 meses, com o núcleo recuando de 2,70% para 2,60% no mesmo período. A coleta de dados permanece prejudicada, com menos preços em menos cidades sendo pesquisados, obrigando a um volume de estimativas superior ao usual.
As taxas das Treasuries operam com oscilações contidas, mesmo após a abertura do processo contra Powell, o vencimento de 10 anos registra leve alta a 4,20%, enquanto o de 2 anos marca 3,53%.
O dólar exibe viés negativo: o índice DXY — que mede a força da moeda americana ante uma cesta de seis pares — recua 0,33%, a 98,81 pontos. O ouro avança 1,81%, cotado a US$ 4.591,08 por onça-troy. O Bitcoin, principal criptomoeda, sobe 0,12%, a US$ 90.526,42.
O petróleo WTI opera em queda de 0,71%, a US$ 58,70 por barril. O minério de ferro, por sua vez, registra alta de 0,45% e negocia a US$ 108,34 por tonelada.
Na Ásia, as bolsas encerraram majoritariamente em alta nesta terça-feira. O destaque foi o Nikkei 225, no Japão, que saltou 3,10% após o Partido Liberal Democrata sinalizar a dissolução da Câmara Baixa ainda este mês, com provável eleição antecipada em fevereiro.
Na Europa, os índices operam em terreno negativo, com o Euro Stoxx recuando 0,29%. Em Nova York, os futuros também trabalham no vermelho: o S&P 500 futuro cai 0,68%, com investidores em compasso de espera pelos dados de inflação e balanços corporativos. O JPMorgan divulga seus números do quarto trimestre antes da abertura, inaugurando a temporada de resultados que trará, nos próximos dias, demonstrativos de grandes instituições como Bank of America, Citigroup e Morgan Stanley.
No âmbito doméstico, o Ibovespa encerrou o pregão de ontem (12) em queda de 0,13%, aos 163.150,34 pontos. O dólar terminou o dia em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,3719. A curva de juros futura avançou cerca de 5 pontos base.
EUA: O presidente do Fed de Nova York, John Williams, avalia que a política monetária entrou mais bem posicionada em 2026 para cumprir seus dois mandatos. Nos últimos meses, o esfriamento do mercado de trabalho elevou os riscos de desaceleração da atividade, ao mesmo tempo em que as pressões inflacionárias perderam força, tornando o balanço de riscos mais equilibrado do que anteriormente.
Nesse contexto, os cortes acumulados de 75 pontos base na taxa básica promovidos pelo FOMC no fim do ano passado aproximaram a política monetária de uma posição neutra. A avaliação é de que a postura, antes modestamente restritiva, agora oferece suporte tanto à estabilização do mercado de trabalho quanto ao processo de convergência da inflação à meta. Williams destaca que esse ajuste tornou a política monetária mais adequada para lidar com o estágio atual do ciclo econômico.
O cenário base para a economia americana é considerado favorável,com expectativa de crescimento do PIB acima do potencial em 2026, entre 2,5% e 2,75%, impulsionado por estímulos fiscais, condições financeiras ainda acomodatícias e maiores investimentos em inteligência artificial, além de um efeito de recomposição após o impacto do shutdownno início do ano.
A inflação deve sofrer um impacto pontual das tarifas, com pico entre 2,75% e 3% no primeiro semestre, desacelerando em seguida para cerca de 2,5% no ano e convergindo a 2% em 2027. Nesse ambiente, a taxa de desemprego tende a se estabilizar em 2026 e recuar gradualmente nos anos seguintes.
Avaliamos que a continuidade da trajetória de desinflação e a folga do mercado de trabalho deverão permitir que o Fed retome o ciclo de corte de juros ao longo de 2026, com dois cortes de 25 p.b. nas taxas de juros, levando a taxa básica para 3,25% a.a. ao final de 2026.
EUA: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve entrevistar na próxima quinta-feira (15) Rick Rieder, diretor de investimentos em renda fixa da BlackRock, como possível indicado para a presidência do Fed. Rieder integra a lista de quatro finalistas para substituir Jerome Powell, cujo mandato termina em maio, ao lado do diretor do Fed Christopher Waller, do ex-diretor Kevin Warsh e do assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.

Não houve divulgação de indicadores relevantes.
Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |