Fed mantém juros, mas dois diretores aliados de Trump votaram por corte

29/01/2026 • 2 mins de leitura

A decisão do Fed de manter os juros no intervalo de 3,5% a 3,75% veio conforme o esperado, sem surpresas. A votação teve dois dissidentes: Stephen I. Miran e Christopher J. Waller, aliados de Donald Trump e este último cotado como sucessor de Jerome Powell, que votaram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual.

Para Nicolas Gass, head de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, a decisão de manter os juros reflete cautela diante da análise dos dados econômicos, cuja divulgação foi prejudicada nos últimos meses por conta do shutdown. Na coletiva, Powell disse que os efeitos da paralisação do governo devem ser revertidos neste trimestre.

– Acredito que um corte, mesmo que certo, deve vir no segundo semestre. Devemos ter um corte total no ano de 0,75 ponto percentual, dividido em duas reuniões: um corte de 0,25 e outro de 0,50. Mas acredito que esse primeiro corte deve ocorrer, de fato, no segundo semestre deste ano, quando já teremos outra gestão do Banco Central americano, possivelmente com alguém com uma linguagem muito similar à de Trump, com um discurso um pouco mais dovish, eventualmente mais focado na redução dos juros.

Alexandre Mathias, estrategista-chefe da Monte Bravo, destaca que os dados indicam que a economia tem se expandido a um ritmo sólido, que os ganhos no mercado de trabalho permanecem baixos e que a taxa de desemprego apresentou alguns sinais de estabilização, ao mesmo tempo em que a inflação segue um tanto quanto elevada.

– Agora, o mercado deve acompanhar de perto os dados de inflação, de um lado, e de atividade, especialmente de emprego, de outro, para avaliar quando será possível discutir um ou dois cortes ao longo deste ano.

Conteúdo produzido por Ana Carolina Diniz para o Jornal O Globo.