Bolsa bate mais um recorde: Ibovespa continuará em alta? Analistas respondem
22/01/2026 • 3mins de leitura
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Principal índice da Bolsa superou os 171 mil pontos pela primeira vez, enquanto o dólar alcançou o menor nível desde o início de dezembro
O principal índice da Bolsa brasileira registrou nova máxima histórica nesta quarta-feira, superando os 171 mil pontos, em número preliminar, em valorização de 3,42%. Foi o maior avanço diário desde 11 de abril de 2023.
A nova rodada de valorização foi, na leitura de analistas, uma complementação ao movimento de terça-feira, de saída do capital global de economias fortes em direção à Bolsas de emergentes. Investidores reagiram também à pesquisa Atlas/Bloomberg mostrando diminuição entre Flávio Bolsonaro e o presidente Lula num eventual segundo turno do pleito de outubro.
O dólar também caiu 1,13%, aos R$ 5,31.
Apesar da suavização do tom de Donald Trump em discurso hoje em Davos, na Suíça, a tensão geopolítica em torno da Groenlândia segue promovendo uma rotação à países emergentes, avalia Jerson Zanlorenzi, chefe da mesa de renda variável do BTG Pactual:
Os ruídos institucionais envolvendo a administração dos EUA com a Europa, aliados comerciais históricos, tendo ruídos, fazem os investidores a recalibrar o que possuem aplicado nos EUA afirma Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora, associando o movimento ao ingresso de capital estrangeiro na Bolsa brasileira. Até a última segunda-feira, os estrangeiros já aportaram R$ 7,64 bilhões de reais no mercado de ações brasileiro, em continuidade aos R$ 24,6 bi ingressados pelo investidor internacional em todo o ano passado.
Jerson Zanlorenzi, chefe da mesa de renda variável do BTG Pactual, afirma que o mercado também repercutiu nesta quarta-feira a pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada pela manhã. Ela mostrou, entre dezembro e janeiro, uma diminuição da diferença num eventual segundo turno para presidência entre o atual senador fluminense Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT).
Independente do vencedor, o fiscal é a prioridade. E o mercado tem expectativa que um candidato mais alinhado à centro-direita tem aproximação com essa agenda afirma.
O mercado financeiro vê um candidato da oposição com chances de controlar de forma mais efetiva os gastos públicos, implicando numa reversão da atual trajetória da dívida pública, que cresce anualmente e deve superar os 83% em 2026, segundo o Tesouro Nacional.
Como consequência deste crescimento, há fuga de dólares, aumento no valor do câmbio e impacto na inflação, que é remediada com a necessidade de juros mais altos. Isso dificulta a obtenção de crédito pela indústria e pela população para consumir, o que impacta diretamente no crescimento do país e nos resultados das empresas.
Vai continuar?
Apesar da aproximação do período eleitoral, que tende a trazer volatilidade, as perspectivas seguem positivas. Para o BTG, o índice pode alcançar os 220 mil pontos no fim do ano, uma valorização de 28%, enquanto o Itaú BBA enxerga uma possibilidade de avanço aos185 mil, podendo chegar aos 252 mil num cenário mais otimista, o que representaria uma valorização de 47%. Já o Santander vê espaço para uma alta mais tímida, de 15%, aos 195 mil pontos:
O pano de fundo do momento é o fluxo do comprador estrangeiro. Os cortes pelo Fed ajudaram os emergentes a andarem um pocuo mais. A expectativa de corte ainda no 1º tri é um pano de fundo que dá suporte ao Ibovespa afirma Peretti, do Santander, que segue vendo um bom momento para a performance da Bolsa.
O Itaú BBA vê um crescimento de 17,5% para o índice nos seis meses seguintes ao primeiro corte nos juros. O alinhamento da flexibilização do juro local com o corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano), avalia o banco, pode ser um gatilho positivo para as ações brasileiras ao longo do ano.
Dólar cai
A forte entrada de fluxo estrangeiro após o discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, em meio às tensões envolvendo a Groenlândia levou o dólar a uma forte desvalorização durante o pregão de hoje, na maior queda desde 4 de dezembro de 2025.
Ao fechamento, o dólar recuou 1,13%, cotado a R$ 5,31. Já o DXY, índice que mede a força da moeda americana frente a seis divisas de economia forte, subiu 0,18%, aos 98,79 pontos.
Apesar de Trump ter negado o uso da força, o tema segue no radar dos investidores.
No cenário doméstico, o mercado também reagiu à pesquisa da AtlasIntel que mostrou redução da vantagem do presidente Luiz sobre o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.
Para o mercado, o foco não é o nome do candidato, mas a perspectiva para a política econômica em 2027, especialmente a chance de uma agenda voltada ao equilíbrio fiscal afirma Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo.
Conteúdo produzido por Paulo Renato Nepomuceno e Roberto Malfacini para O Globo.