Superquarta: BC não deve colocar política na decisão de juros
10/12/2025 • 2mins de leitura
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Na última Superquarta do ano, o economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa avaliou, no programa Morning Call, as expectativas do mercado para a decisão do Copom. Segundo ele, a projeção majoritária permanece pela manutenção da taxa de juros, mas o comunicado ganha relevância por indicar quando poderá começar um ciclo de cortes. Costa afirmou que a Monte Bravo espera algum alívio no tom do Banco Central, com reconhecimento da evolução recente de indicadores como atividade, mercado de trabalho, inflação e expectativas.
O economista destacou que a desaceleração da demanda doméstica, a perda de ritmo na geração de vagas e o comportamento dos núcleos de inflação contribuem para um cenário mais favorável. Ele avaliou que fatores políticos e fiscais recentes são acompanhados pelo Copom, mas tendem a ter impacto limitado na condução da política monetária, já que o Banco Central foca no horizonte de 2027 para avaliar a convergência da inflação. Costa também comentou que a revisão do Focus, que elevou a projeção da Selic para 2026, deve ser interpretada como cautela diante de ruídos de curto prazo.
Ao abordar os efeitos da taxa Selic elevada, Costa afirmou que o principal objetivo segue sendo garantir uma inflação baixa e previsível. Ele observou que a valorização recente do câmbio resulta tanto da política monetária doméstica quanto de um ambiente global mais favorável às moedas emergentes, com maior peso deste último fator. Para ele, a combinação de menor risco local e cenário externo contribuiu para um câmbio mais estável, ainda que a política monetária responda essencialmente ao compromisso de convergência inflacionária.