18/06/2021 às 12:24

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Sexta

Jun

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Por Rebeca Nevares, Sócia da Monte Bravo.

Quem acompanha o mercado sem dúvida tem olhado para o setor de commodities da nossa bolsa de valores. Os preços do minério de ferro vêm batendo novos recordes e as cotações de grãos e carnes estão bastante elevadas. A explicação se deve, em partes, pelo ciclo de alta das commodities. Mas, afinal, o que isso significa e como o investidor pode se beneficiar deste cenário? É sobre isso que falaremos no artigo de hoje.

Em primeiro lugar, o chamado superciclo ou boom, como afirmam alguns analistas, tem ocorrido devido aos preços elevados das commodities no mercado internacional. Essas altas foram impulsionadas, em grande parte, pela maior demanda da China e também pela maior liquidez global com anúncios, principalmente nos EUA, de pacotes de estímulos e taxas de juros mais baixas.

Muitos acreditam que temos bons motivos para acreditar que este ciclo perdurará durante algum tempo. Isto porque a economia do mundo está crescendo de forma quase sincronizada. Passamos por todo o processo de fechamento e reabertura das economias. Nos EUA as pessoas voltaram a levar uma vida normal aos poucos, com a atividade seguindo a mesma direção.

Na Europa este movimento foi iniciado recentemente e a tendência é que nos próximos meses outros países sigam o mesmo caminho, o que pode pressionar ainda mais os preços de diversas commodities.

Contudo, o investidor precisa olhar um pouco para a frente e entender se esta demanda ainda continuará e se os preços vão continuar a subir como no passado. Segundo Ricardo Kazan, trader de commodities da Legacy Capital, algumas têm potencial e outras não.

Em live promovida pela Monte Bravo semana passada, ele disse que existem quatro grandes setores de commodities e que precisamos olhar para a questão da oferta em todos.

O agrícola, primeiro que trataremos, trabalha com ciclos de oferta que giram entre seis meses e um ano. O setor depende do aproveitamento das safras para a definição dos ciclos. Este ano, por exemplo, temos um cenário peculiar. Devido a pandemia, os estoques dos produtores estão baixos, tanto nos EUA como no Brasil.

Caso haja uma quebra de safra em um desses polos, é bem provável que os preços subam muito e de forma bastante rápida.

Em segundo lugar, o setor de energia também vive um momento bastante delicado. Ano passado houve um choque enorme na demanda de petróleo por conta das restrições sanitárias, o que fez com que diversas empresas deixassem de investir em novos poços e campos.

Além disso, a questão da mudança de matriz energética e o ESG também têm feito com que as companhias percam o apetite por investimentos em novas estruturas de produção.

Ao mesmo tempo, hoje ainda há uma capacidade ociosa bastante grande, que deve ser utilizada já nos próximos meses a partir das reaberturas de outros países.

Um ponto destacado por Kazan foi o fato de, por conta da pandemia, as pessoas estarem utilizando mais o carro e menos transporte público. Por conta dessas questões, possivelmente ainda veremos os preços do petróleo subirem.

Contudo, é preciso observar a capacidade de produção dos players americanos. Provavelmente teremos uma definição sobre o tema ao fim do segundo semestre.

Por último, os setores de minério e metais também devem sofrer impactos. Obviamente, no caso do ferro precisamos observar os próximos passos da China.

Hoje, a produção mundial não tem dado conta da demanda chinesa, por isso vimos os preços do ferro saltarem de US$80 para US$250 em pouco tempo. Porém, o gigante asiático costuma interferir nos preços, como temos visto recentemente, e este é um fator a ser observado no curto prazo, principalmente.

Por outro lado, o cobre também deve ganhar espaço no radar do investidor nos próximos anos. Poucas pessoas se deram conta, mas o metal será um dos recursos mais importantes para a descarbonização que o mundo quer passar.

Segundo Ricardo, caso os países realmente queiram promover a mudança, ela passará diretamente pelo cobre, até por conta do cabeamento de novas usinas eólicas.

Já o ouro e a prata possuem ciclos geralmente bem definidos e de acordo com a política monetária. O ouro mais do que a prata.

Em 2020, essas commodities subiram em função da expansão fiscal mundial. É natural, por exemplo, ver o Federal Reserve (FED) subir os juros e os preços do ouro caírem.

A prata, porém, tem uma outra característica semelhante ao cobre. Os painéis solares, que têm EUA e China como grandes consumidores atualmente, são produzidos em parte, com a prata, o que deve aquecer a demanda nos próximos anos.

Para ter exposição a estes ativos citados no artigo, existem algumas formas, porém, nem todas são simples. Existem, por exemplo, os Trends, fundos que replicam determinados ativos fora do país. Ouro e prata já estão disponíveis no Brasil para os investidores.

No caso do cobre, ainda não existe um veículo para que o investidor possa acessá-lo diretamente na bolsa brasileira. Isto só pode ser feito, ao menos por enquanto, via corretoras de fora do país.

Por fim, existem também alguns fundos multimercado que têm exposição à commodities e estão disponíveis em praticamente todas as plataformas atualmente.

Se você tem dúvida sobre o assunto, não deixe de buscar a ajuda de um profissional do mercado. Eu tenho falado bastante sobre ciclos recentemente e é fundamental que o investidor compreenda este processo para obter retornos acima da média no longo prazo. Bons negócios!

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