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02/05/2024 • 5 mins de leitura
Monte Bravo Analisa | Federal Open Market Committee (FOMC) 01.05.2024
Fed mantém Fed Funds em 5,50%, mas reduz ritmo de…
A variação do dólar pode impactar diretamente os custos e o planejamento financeiro de empresas que possuem obrigações em moeda estrangeira.
Uma obrigação de US$ 100 mil, por exemplo, pode representar um valor em reais hoje e outro completamente diferente na data do pagamento. Em períodos de maior volatilidade cambial, essa diferença pode afetar o fluxo de caixa e até mesmo as margens de uma operação.
É nesse contexto que o NDF pode ser utilizado como instrumento de proteção cambial.
Por meio de um NDF de compra de dólar, a empresa estabelece uma taxa de câmbio para uma data futura, reduzindo sua exposição às oscilações do USD/BRL.
Mas como essa proteção funciona na prática? Entenda mais a seguir:
NDF é a sigla para Non-Deliverable Forward, um contrato de derivativo utilizado para estabelecer uma taxa de câmbio para uma operação futura.
Para uma empresa que terá de pagar uma obrigação em dólares, por exemplo, um NDF de compra USD/BRL pode ser utilizado para proteger o fluxo financeiro contra uma eventual alta da moeda.
Uma característica importante do NDF é que não há entrega física dos dólares. No vencimento, ocorre um ajuste financeiro calculado com base na diferença entre a taxa contratada e a cotação de referência utilizada para a liquidação.
Assim, o objetivo da operação é administrar o risco cambial associado a uma exposição futura, trazendo maior previsibilidade para o planejamento financeiro.
Imagine que sua empresa tenha uma obrigação de US$ 100 mil daqui a 45 dias.
Hoje, não é possível saber exatamente qual será a cotação do dólar na data do pagamento. Se a moeda subir, o custo da obrigação em reais também aumenta.
Para reduzir essa exposição, a empresa pode contratar um NDF de compra USD/BRL, estabelecendo uma taxa de R$ 5,20 por dólar para o vencimento.
A partir daí, existem diferentes cenários para a cotação do dólar na data de liquidação.
Imagine que, após os 45 dias, o dólar esteja em R$ 5,33.
Sem proteção, a compra de US$ 100 mil custaria:
US$ 100 mil × R$ 5,33 = R$ 533 mil
Como a empresa contratou o NDF à taxa de R$ 5,20, haverá um ajuste financeiro positivo correspondente à diferença entre a cotação de mercado e a taxa contratada.
Nesse caso:
R$ 5,33 − R$ 5,20 = R$ 0,13 por dólar
Para US$ 100 mil:
US$ 100 mil × R$ 0,13 = R$ 13 mil
A empresa recebe, portanto, um ajuste positivo de aproximadamente R$ 13 mil, que ajuda a compensar o impacto da alta do dólar sobre sua obrigação.
Agora imagine o cenário contrário. No vencimento, o dólar está em R$ 5,00.
Sem o NDF, a empresa poderia comprar os US$ 100 mil por:
US$ 100 mil × R$ 5,00 = R$ 500 mil
Como a taxa do NDF foi estabelecida em R$ 5,20, haverá, nesse caso, um ajuste financeiro negativo correspondente à diferença entre a taxa contratada e a cotação de referência.
A diferença seria:
R$ 5,20 − R$ 5,00 = R$ 0,20 por dólar
Para US$ 100 mil:
US$ 100 mil × R$ 0,20 = R$ 20 mil
Ou seja, a empresa não captura integralmente o benefício de uma eventual queda do dólar, porque o NDF funciona como uma proteção para a exposição cambial.
É justamente essa a lógica do hedge: reduzir a incerteza causada pela variação do câmbio, e não tentar prever qual será a cotação futura.
O funcionamento pode ser resumido assim:
| Cotação do dólar no vencimento | Resultado do NDF | Efeito sobre a obrigação |
|---|---|---|
| R$ 5,33 | Ajuste positivo de R$ 13 mil | Ajuda a compensar a alta do dólar |
| R$ 5,20 | Sem ajuste pela diferença cambial | Taxa coincide com a contratada |
| R$ 5,00 | Ajuste negativo de R$ 20 mil | A empresa não captura integralmente o benefício da queda |
Os valores acima são uma simulação didática baseada no exemplo de US$ 100 mil, taxa de R$ 5,20 e prazo de 45 dias.
O ponto principal é que, ao contratar a proteção, a empresa deixa de ficar totalmente sujeita à alta da moeda. Em troca, também abre mão de capturar integralmente os benefícios de uma eventual queda do dólar.
Uma taxa previamente estabelecida para a exposição cambial ajuda a empresa a planejar seus compromissos financeiros com maior previsibilidade.
Para empresas que terão de realizar pagamentos em dólares, uma valorização da moeda pode aumentar significativamente o custo da obrigação. O NDF pode ajudar a compensar esse impacto.
O NDF não exige a entrega física da moeda estrangeira. A operação é liquidada financeiramente no vencimento.
Em vez de depender exclusivamente da cotação futura do dólar, a empresa pode estruturar uma estratégia para administrar a exposição cambial de seus compromissos.
O NDF pode ser uma alternativa para empresas que possuem exposição cambial e compromissos futuros em moeda estrangeira.
Entre as situações que podem gerar essa exposição estão:
A estrutura adequada depende das características da exposição, do prazo, do fluxo financeiro e das condições da operação.
Não, e essa é uma distinção importante.
Ao contratar um NDF para proteger uma obrigação futura, a empresa não precisa tentar descobrir se o dólar vai subir ou cair. A finalidade da operação é gerenciar o risco associado à variação cambial.
Se o dólar subir, o ajuste positivo ajuda a compensar o aumento do custo da obrigação.
Se o dólar cair, o ajuste será negativo, e a empresa não captura integralmente a redução do custo que teria sem a proteção.
Portanto, o NDF deve ser entendido como uma ferramenta de gestão de risco e previsibilidade financeira, e não como uma estratégia para tentar acertar o próximo movimento do câmbio.
Para uma empresa com uma obrigação futura em dólar, a pergunta mais importante nem sempre é “para onde vai o câmbio?”.
Pode ser mais relevante perguntar:
Quanto da volatilidade cambial o meu negócio está disposto a assumir?
O NDF permite estruturar uma proteção para essa exposição, ajudando a reduzir a incerteza sobre o impacto do câmbio no fluxo de caixa.
No exemplo de uma obrigação de US$ 100 mil em 45 dias, uma taxa estabelecida em R$ 5,20 cria uma referência para a proteção.
Em ambos os casos, a lógica é a mesma: gerenciar a exposição cambial em vez de simplesmente ficar à mercê da cotação futura.
A Monte Bravo pode ajudar sua empresa a avaliar as alternativas de proteção cambial de acordo com as características e necessidades da sua operação. Fale com seu assessor Monte Bravo e saiba mais.
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Este material possui caráter informativo e não constitui recomendação ou oferta de operação. Operações com derivativos envolvem riscos e estão sujeitas à análise, às condições de mercado, à disponibilidade e às garantias aplicáveis.