Economia desacelera no 3T25, com perda de fôlego do consumo, e abre espaço para corte de juros

Avatar
Por: Monte Bravo
04/12/2025 • 3 mins de leitura

📄 Para conferir a análise em formato PDF, clique aqui.

  • Economia brasileira cresceu 0,1% na margem no 3T25, levemente abaixo das expectativas;
  • Gastos do governo e investimentos aceleraram, mas consumo ficou praticamente estável;
  • Em termos anuais, o PIB do Brasil cresceu 1,8% no trimestre;
  • Cenário reforça cenário com cortes de juros a partir de janeiro de 2026;
  • Revisamos nossa projeção de crescimento para o PIB em 2025.

A economia cresceu 0,1% na margem no terceiro trimestre de 2025. O resultado ficou ligeiramente abaixo do esperado.

Os gastos do governo e os investimentos aceleraram no período, mas o consumo ficou praticamente estável. Entre os setores da oferta, a indústria e a agropecuária tiveram forte desempenho na margem, enquanto os serviços cresceram mais lentamente.

A perda de fôlego da economia fica evidente no comportamento do consumo das famílias, que avançou apenas 0,1% na margem. Esse resultado reflete o menor dinamismo dos serviços prestados às famílias e o desempenho moderado do comércio. A desaceleração indica que a abertura mais lenta de vagas, o aumento do endividamento e os efeitos das taxas de juros mais altas estão limitando o crescimento do consumo — que havia registrado média de 0,6% no primeiro semestre deste ano.

O crescimento de 0,1% do PIB no 3T25 ficou ligeiramente abaixo da nossa projeção e do consenso do mercado, que esperavam alta de 0,2% na margem. Em termos anuais, a economia cresceu 1,8%, desacelerando em relação ao crescimento de 2,4% registrado no 2T25.

O consumo perdeu ritmo e avançou apenas 0,1% na margem, refletindo a dificuldade do comércio e dos serviços prestados às famílias em manter o forte crescimento observado no primeiro semestre. O enfraquecimento do mercado de trabalho — marcado pela desaceleração na abertura de vagas no terceiro trimestre. Além disso, os efeitos das taxas de juros mais altas sobre o crédito também contribuíram para reduzir a velocidade de expansão do consumo. 

Os investimentos surpreenderam e cresceram 0,9% na margem devido ao crescimento na importação de bens de capital em conjunto com o desempenho positivo da construção e do desenvolvimento de software. A construção civil cresceu 1,3% na margem, revertendo as contrações observadas nos dois primeiros trimestres do ano. Esse desempenho da construção foi resultado do aumento de operações de crédito via mercado de capitais, principalmente, para infraestrutura.

A demanda doméstica, composta por consumo e investimentos, subiu 0,2% na margem, após o ajuste da variação de estoques.

O setor externo contribuiu positivamente para o crescimento, com avanço de 0,4% na margem — resultado da forte alta das exportações (3,3%) e o fraco desempenho das importações (0,3%).

Pela ótica da oferta, a indústria cresceu 0,8% na margem. O desempenho positivo foi concentrado na indústria extrativa mineral (+1,7%) e na construção (+1,3%), que compensaram a forte queda da produção de eletricidade, gás e saneamento (-1,0%).

Os serviços tiveram um desempenho modesto, com alta de 0,1% na margem. Os serviços de tecnologia, transportes, atividades imobiliárias e comércio cresceram na margem, enquanto os serviços financeiros (bancos e seguradoras) tiveram contração na margem.

A agricultura cresceu 0,4% na margem, com destaque para o aumento de produção de milho, trigo, laranja e algodão.  

Após a divulgação, revisamos a projeção de crescimento da economia de 1,9% para 2,2% em 2025, devido à revisão do crescimento do 1° e 2° trimestres desse ano que passaram a indicar uma economia mais dinâmica que o divulgado inicialmente.

Apesar da revisão do crescimento do ano, a projeção para o 4° trimestre foi revisada de alta de 0,1% para contração de 0,1% na margem, com alta de 1,6% em termos anuais no período. 

O desempenho modesto da economia no terceiro trimestre confirma a perda de dinamismo da atividade e reflete os impactos do aumento da taxa de juros reais sobre a demanda interna. Setores cíclicos — como consumo, investimento e indústria — tendem a sentir esse impacto de forma mais clara.

Esse cenário reforça nossa avaliação de que a moderação do crescimento ao longo do segundo semestre deve levar o hiato do produto a níveis próximos da neutralidade no fim do ano. Esse movimento abrirá espaço para que o Banco Central inicie o ciclo de cortes de juros em janeiro de 2026, com a taxa Selic projetada em 11% ao ano em dezembro de 2026.

Por:
Avatar

Se você tem
Monte Bravo, Bravo!

Invista com quem ajuda você a alcançar o próximo topo.

Abra sua conta