Informe Semanal
20/01/2025 • 2 mins de leitura
Posse de Trump e primeiros movimentos do novo governo dominam os holofotes nesta semana
Cenário global No cenário global, o grande destaque é a…
Nos EUA, os dados de mercado de trabalho foram mistos em novembro. Houve uma recuperação na abertura de vagas — impulsionada pelo fim das greves e pelos efeitos residuais dos furacões —, mas a taxa de desemprego apresentou leve alta. A economia gerou 227 mil vagas no mês, em linha com as expectativas. A média móvel trimestral também se recuperou, passando de 123 mil em outubro para 173 mil em novembro, evidenciando a resiliência do mercado de trabalho. Entre os setores, destacaram-se os serviços de lazer, entretenimento e saúde. Na indústria, após três meses de saldos negativos devido às greves, houve a criação de 22 mil vagas.
Por outro lado, a taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2% entre outubro e novembro, refletindo a queda na ocupação apontada pela pesquisa que calcula o desemprego. Essa discrepância entre as pesquisas de abertura de vagas e de taxa de desemprego é comum e tende a se ajustar ao longo de 12 a 18 meses. Ainda assim, o Federal Reserve (FED) analisa um conjunto mais amplo de dados, e a alta marginal no desemprego reforça sinais de arrefecimento do mercado de trabalho.
Mantemos a expectativa de que o Fed corte a taxa de juros em 25 pontos base, para 4,5% ao ano, na reunião do dia 18 de dezembro. O discurso mais recente do presidente do FED, Jerome Powell, sugere que essa redução é a decisão mais provável, mas que, a partir daí, a condução da política monetária será feita com cautela até alcançar um patamar próximo ao neutro. Esse posicionamento é compatível com um cenário de cortes alternados a partir de março de 2025, com os juros chegando a 3,5% a.a. ao final do ciclo de cortes.
No Brasil, o PIB cresceu 0,9% na margem no 3º trimestre — superando as projeções —, com alta de 4,0% em termos anuais. Esse desempenho reflete a relevância da demanda doméstica, impulsionada por ganhos de renda, aquecimento do mercado de trabalho e programas sociais. Os investimentos avançaram 2,1% na margem, com destaque para a produção de bens de capital, a construção civil e a importação de equipamentos.
O consumo também apresentou alta de 1,5%, sustentado pela expansão do crédito e pelas transferências de renda. A demanda externa, por sua vez, teve contribuição negativa, com exportações crescendo 2,1% e importações avançando 17,7% na comparação anual. Como resultado, a projeção do PIB para 2024 foi revisada de 3,2% para 3,4%.
Na próxima quarta-feira (11), o Banco Central divulgará sua decisão sobre a taxa de juros. O balanço de riscos para inflação se deteriorou ainda mais devido a diversos fatores: (i) intensificação no descontrole das expectativas de inflação; (ii) nova rodada de depreciação do câmbio (iii) crescimento econômico acima do potencial; e (iv) enfraquecimento da âncora fiscal após o anúncio do pacote de medidas. Esse cenário exige um aperto monetário mais rápido e incisivo neste momento do ciclo. Assim, reforçamos nossa expectativa de que o BC irá elevar a Selic em 100 pontos base nas reuniões de dezembro e janeiro, com aumentos adicionais de 50 p.b. em março e maio de 2025, encerrando o ciclo de alta com a taxa em 14,25% ao ano.