Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais apontam para uma estabilização após dois dias de quedas profundas. A escalada do conflito no Oriente Médio, após bombardeios dos EUA e de Israel ao Irã, gerou um cenário de forte aversão ao risco.
Nesta manhã, os mercados ocidentais ensaiam uma estabilização após Trump sinalizar escoltas marítimas para petroleiros atravessando o estreito de Ormuz. Os futuros de Wall Street estão próximos da estabilidade, enquanto a Europa opera em alta.
A guerra entre os EUA e o Irã se intensificou no quarto dia, com a Embaixada americana em Riad atacada na terça-feira e Trump advertindo que o conflito pode durar muito mais do que as quatro semanas inicialmente projetadas.
Trump afirmou na terça-feira que os EUA forneceriam seguro contra riscos para todo o comércio marítimo que transita pelo Golfo Pérsico, em uma tentativa de restabelecer o fluxo de petroleiros pelo estreito de Ormuz. O tráfego de navios-tanque pelo estreito, a rota de passagem mais vital do mundo para o petróleo bruto, foi interrompido após o comandante da Guarda Revolucionária do Irã ameaçar incendiar embarcações que tentassem atravessar a via.
Na agenda econômica de hoje, os investidores acompanharão o relatório de emprego no setor privado da ADP. O consenso aponta para a criação de 48 mil vagas em fevereiro, acima das 22 mil registradas em janeiro.
Nos EUA, a Treasury de dois anos negocia a 3,51%, enquanto a nota de dez anos opera a 4,07%, ambas próximas da estabilidade. No mercado de divisas, o índice DXY recua 0,17% e sustenta o nível de 98,88 pontos. O ouro avança 1,90% e atinge US$ 5.185,63 a onça-troy, em ritmo compartilhado pelo Bitcoin, que salta 4,98% para a cotação de US$ 71.419,62.
O petróleo WTI avança 0,47% para US$ 74,91 o barril. O minério de ferro exibe dinâmica divergente e cede 0,45%, precificado a US$ 99,62 a tonelada.
Na Ásia, sensível a interrupções no fluxo de petróleo importados, o pregão encerrou com perdas severas. O Kospi, da Coreia do Sul, despencou mais de 12% na quarta-feira, no pior desempenho diário em décadas, e ampliou a liquidação da sessão anterior. O índice japonês Nikkei afundou 3,61%, enquanto o índice chinês Shanghai CSI 300 fechou em baixa de 1,14%.
Os mercados acionários do Ocidente operam em recuperação. O EURO Stoxx avança 1,54%, ritmo superior ao do S&P 500 Futuro, que ensaia uma alta contida de 0,22%.
No Brasil, o Ibovespa encerrou a sessão anterior em queda de 3,28%, aos 183.104,87 pontos, enquanto o dólar saltou 1,88% e fechou cotado a R$ 5,2723. Na curva de juros futuros, as taxas subiram de 15 a 20 pontos-base.
China – O PMI industrial recuou em fevereiro, refletindo os efeitos do Ano Novo Lunar sobre a atividade. O PMI da indústria caiu para 49,0 pontos, abaixo do consenso, com retração nos subíndices de produção, novos pedidos e emprego. O órgão atribuiu o enfraquecimento ao feriado concentrado em fevereiro, que interrompeu operações e reduziu a atividade de mercado. Ainda assim, alguns segmentos — como processamento de alimentos e equipamentos eletrônicos — seguiram crescendo, enquanto vestuário e automóveis perderam fôlego.
No setor de serviços, o PMI oficial avançou marginalmente, puxado por serviços ligados a turismo e consumo, mas a construção voltou a enfraquecer, afetada pela paralisação de obras durante o feriado.
Em contraste, os indicadores não oficiais mostraram um quadro mais robusto. O PMI industrial da RatingDog subiu para 52,1 pontos, impulsionado por novos pedidos, produção e exportações. O PMI de serviços da instituição também acelerou de forma expressiva, sinalizando retomada mais ampla da demanda, inclusive externa. A divergência entre os PMIs oficiais e não oficiais sugere que o calendário tardio do Ano Novo Lunar distorceu as leituras do PMI oficial em fevereiro, enquanto os dados alternativos apontam para um momento de crescimento mais sólido no início do ano.
Brasil – A economia avançou 0,1% no quarto trimestre na comparação trimestral. Embora o PIB tenha permanecido em território positivo, a composição do crescimento foi heterogênea: agricultura, serviços e exportações sustentaram a expansão, enquanto indústria e investimentos recuaram, e o consumo das famílias ficou estagnado. A desaceleração é evidente na trajetória ao longo do ano: após crescer em média 0,9% nos dois primeiros trimestres de 2025, o ritmo arrefeceu para apenas 0,1% nos dois últimos, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva, o maior endividamento das famílias e a perda de tração do investimento.
Pela ótica da demanda, o enfraquecimento doméstico foi claro. O consumo perdeu fôlego em meio ao elevado comprometimento de renda, à desaceleração do mercado de trabalho e ao crédito mais caro. Os investimentos caíram 3,5%, pressionados pela fraqueza na produção de bens de capital e pela retração de 2,3% na construção civil, setor sensível ao custo do financiamento. Em contrapartida, o setor externo contribuiu positivamente, com exportações em alta e importações em queda, ampliando o impulso líquido do comércio exterior.
Após o resultado, mantemos projeção de crescimento de 2,0% em 2026, sustentada por estímulos fiscais e expansão do crédito. A moderação da atividade reforça o cenário de início do ciclo de flexibilização pelo Banco Central do Brasil já em março, com corte inicial de 50 pontos-base na taxa Selic. Mantemos a expectativa de continuidade do ciclo de cortes, reduzindo a taxa Selic para 12,25% a.a. em dezembro de 2026.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |