Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
???? Para conferir o Informe Diário em formato PDF, clique…
📄 Para conferir o Informe Diário em formato PDF, clique aqui.
Os mercados acionários globais operam sob cautela nesta quarta-feira (28), com investidores em compasso de espera pela decisão do Fed nos Estados Unidos. O dólar perde força globalmente após as recentes declarações de Trump, enquanto o ouro reafirma seu papel de refúgio em um cenário de busca por proteção. No Brasil, o Ibovespa atingiu novo recorde histórico ontem (27), impulsionado por uma entrada vigorosa de fluxo de capital estrangeiro.
O panorama econômico dos EUA permanece resiliente, com crescimento sustentado e um mercado de trabalho que — embora apresente moderação — alcançou estabilidade. A inflação acima da meta oferece pouca justificativa para flexibilizações monetárias no curto prazo. Os contratos futuros de Fed Funds indicam dois cortes de 25 pontos base até o encerramento de 2026. No mercado de renda fixa, as taxas dos Treasuries de 2 anos operam estáveis a 3,57%, enquanto os papéis de 10 anos negociam a 4,24%.
O índice DXY — que acompanha o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes — recua 0,06%, para 96,16 pontos. O ouro avança 2,00%, negociado a US$ 5.283,98 por onça-troy — consolidando-se como um dos principais ativos de proteção em 2026, com valorização de 21,80% no ano. O Bitcoin apresenta alta de 0,40%, cotado a US$ 89.316,76.
No mercado de commodities, o petróleo WTI recua 0,40% e negocia a US$ 62,14 por barril. O minério de ferro, por sua vez, opera em leve alta de 0,08%, com a tonelada negociada a US$ 105,70.
Na Ásia, o índice chinês Shanghai CSI 300 encerrou a sessão em alta de 0,26%, enquanto o índice japonês Nikkei subiu 0,05% ao fim do pregão. Na Europa, o Euro Stoxx recua 0,09% nesta manhã.
Em Nova York, os contratos futuros do S&P 500 avançam 0,30%, sinalizando uma abertura positiva. No front corporativo, os resultados trimestrais de Microsoft, Meta Platforms e Tesla estão em pauta nesta quarta após o fechamento do mercado. A Apple apresentará seus números amanhã (29).
No Brasil, o Ibovespa encerrou a sessão de ontem aos 181.919,13 pontos, com alta de 1,79%, e acumula valorização de 12,91% no ano. O setor bancário subiu em bloco, com avanços de 2,63% no Bradesco, 2,65% no Itaú e 2,44% no BTG Pactual.
O otimismo foi acompanhado pela queda de 1,41% do dólar, que fechou a R$ 5,2060 — menor valor desde 2024. Na curva de juros, o movimento foi marcado pelo achatamento: a taxa para janeiro de 2027 recuou 10 p.b., para 13,58%, enquanto o vencimento para janeiro de 2031 cedeu 16 p.b., situando-se em 13,15%.
EUA: O índice de confiança do consumidor do Conference Board recuou 9,7 pontos em janeiro, para 84,5 pontos. O resultado ficou bem abaixo das expectativas e atingiuo menor nível desde março de 2014. Tanto o componente de expectativas quanto o de situação atual registraram quedas acentuadas, refletindo piora generalizada na percepção dos consumidores.
O diferencial do mercado de trabalho — que mede a diferença entre as respostas sobre a percepção da facilidade e a dificuldade de obter um vaga de trabalho — também diminuiu de forma expressiva e alcançou o menor patamar desde fevereiro de 2021, indicando perda de força do emprego.
Por outro lado, as expectativas de inflação para os próximos 12 meses subiram levemente para 5,7%. Segundo o Conference Board, a confiança “desabou” em janeiro, com aumento do pessimismo, especialmente diante das preocupações persistentes com preços, inflação e custos de energia e alimentos.
Brasil: O IPCA-15 de janeiro avançou 0,20%, abaixo das expectativas do mercado e das projeções, em um resultado favorecido por fatores pontuais, como a bandeira verde na energia elétrica, a deflação de passagens aéreas e de seguros de veículos, além da redução do IPVA no Paraná. Esses alívios compensaram pressões sazonais em alimentos e aumentos em serviços intensivos em mão de obra e telefonia. As medidas subjacentes seguiram com comportamento benigno, com desaceleração dos núcleos de inflação e de serviços na comparação anual.
Apesar do quadro mais favorável da inflação corrente — que, em tese, abriria espaço para o início do ciclo de cortes de juros —, a expectativa é de que o Banco Central mantenha a Selic em 15% ao ano na reunião de hoje. A ausência de sinalização prévia, a consolidação do consenso de manutenção e a agenda de recuperação de credibilidade da autoridade monetária reforçam a avaliação de que o Copom evitará surpreender o mercado neste momento.
Os núcleos de inflação registraram alta de 0,43% em janeiro, com leve aceleração na margem, mas desaceleração no acumulado em 12 meses. O núcleo de bens foi pressionado pelo fim dos efeitos deflacionários da Black Friday, enquanto o núcleo de serviços seguiu perdendo fôlego em termos anuais.
A projeção para o IPCA de janeiro foi revisada para 0,35% e a estimativa para 2026 foi mantida em 4,8%,diante da expectativa de maior incerteza fiscal no horizonte eleitoral — com impacto sobre o câmbio e a inflação no segundo semestre.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |