Investidores mudam foco para Superquarta, mas riscos permanecem no radar

27/01/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais operam com relativa estabilidade, enquanto investidores calibram as expectativas para a reunião de política monetária do Fed.

A ameaça de líderes democratas em bloquear o pacote de financiamento governamental de US$ 1,2 trilhão reintroduziu o risco de shutdown no radar dos agentes.

Paralelamente, a especulação de que Trump possa anunciar um novo nome para a presidência do Fed ainda esta semana — visando uma postura mais flexível — pressiona a percepção de independência do banco central americano.

No mercado de renda fixa dos EUA, os futuros de Fed Funds seguem embutindo praticamente doiscortes de 25 pontos base em 2026. Assim,as taxas dos Treasuries operam estáveis nesta manhã: o título de 2 anos negocia a 3,59% e a taxa de 10 anos em 4,22%.

No segmento de moedas e ativos digitais, o dólar medido pelo índice DXY é cotado a 96,96 pontos, com recuo de 0,09%. O ouro avança 1,69% e negocia a US$ 5.093,46, enquanto o Bitcoin é negociado a US$ 87.847,06 com queda de 0,14%.

Entre as commodities, o petróleo apresenta estabilidade, com o Brent negociado a US$ 64,67 por barril, enquanto o mercado segue atento ao aumento do contingente militar dos EUA no Oriente Médio. O minério de ferro negocia em leve baixa de 0,24%.

Na Ásia, o pregão encerrou com sinais mistos. O índice Nikkei, do Japão, registrou alta de 0,85%, enquanto o índice chinês Shanghai CSI 300 fechou com recuo de 0,03%.

Na Europa, o Euro Stoxx opera em alta de 0,16%, acompanhando o sinal positivo dos futuros em Nova York — onde o S&P 500 Futuro avança 0,21%.

O anúncio de novos investimentos da Nvidia em infraestrutura de inteligência artificial oferece um contraponto tecnológico ao pessimismo macroeconômico.

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sessão de ontem (26) aos 178.720,68 pontos, com ligeira queda de 0,08%. O dólar fechou cotado a R$ 5,2831, com baixa de 0,05%. Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentaram queda na ponta longa.

Economia

China: Na comparação anual, os lucros industriais cresceram 4,9% em dezembro, revertendo a queda de 13,0% registrada em novembro. Em termos sequenciais e com ajuste sazonal, os lucros avançaram expressivos 30,2% no mês, após alta de 1,2% em novembro. O desempenho refletiu, sobretudo, a melhora dos setores de bens de consumo e capital — cujos lucros subiram 4,7% em relação a dezembro do ano anterior —, enquanto os setores extrativos minerais e básicos — como produção de petróleo e siderurgia —apresentaram retração de 1,9%, embora bem menor do que a observada no mês anterior.

O setor de equipamentos foi o principal responsável pelo resultado, contribuindo com 2,8 p.p. para o crescimento anual de 0,6% dos lucros industriais em 2025. O destaque ficou para os segmentos de ferrovias e aeronaves, com alta de 31,2% nos lucros, e indústria eletrônica (19,5%).

Brasil: O déficit em conta corrente ficou em US$ 3,4 bilhões, abaixo das expectativas, em dezembro. Ainda assim, o desequilíbrio externo se aprofundou no acumulado de 2025, alcançando US$ 68,8 bilhões — ante US$ 66,2 bilhões em 2024. O resultado de 2025 foi o pior déficit desde 2014. A melhora relativa dos serviços foi mais do que compensada por uma deterioração expressiva da balança comercial, que respondeu pela principal contribuição negativa no ano.

O fluxo de investimentos diretos no país surpreendeu negativamente no fim do ano, ficando bem abaixo das projeções e marcado por fortes saídas líquidas de lucros reinvestidos. O movimento — mais intenso do que o padrão sazonal — parece ter sido antecipado pela discussão e implementação da tributação sobre remessas de lucros, prevista para entrar em vigor em 2026. Apesar disso, tanto o déficit em conta corrente quanto o Investimento Direto Estrangeiro em 12 meses recuaram em relação aos picos observados no meio do ano, com o Investimento Direto Estrangeiro ainda mantendo folga confortável frente ao déficit externo.

No lado financeiro, os fluxos de capitais foram mais favoráveis do que no fim de 2024, sustentados por entradas para investimentos em Renda Fixa, que registraram entrada de US$ 5,8 bilhões em dezembro, em um contexto em que o elevado diferencial de juros segue direcionando os investimentos externos. No acumulado do ano, a entrada de investimentos em RF atingiu US$ 20,2 bilhões.

Por outro lado, os investimentos em ações registraram saldo negativo de US$ 1,4 bilhões em dezembro e saídas de US$4,9 bilhões em 2025. O forte rali da bolsa em janeiro indica que esse fluxo deve ter se revertido, embora uma parte das compras de ações por investidores estrangeiros pode ter sido feita com os recursos que já estavam no mercado de Renda Fixa — não gerando fluxo de novos recursos entrando no país nesse período.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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