Mercados aumentam apostas em corte de juros nos EUA em dezembro

26/11/2025 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais ganham tração com a perspectiva de queda dos juros na reunião de dezembro e também com a proximidade da mudança no comando do Federal Reserve vista como potencialmente mais favorável a cortes de juros.

O movimento ocorre após o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmar na terça-feira (25) que há uma “chance muito boa” de Trump indicar o novo presidente do Fed antes do Natal.

Embora Bessent tenha dito que ainda entrevista candidatos, as expectativas estão migrando para o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett. Hassett é visto como alguém mais inclinado a defender juros mais baixos.

Os mercados precificam agora quase 85,0% de probabilidade de um corte de 25 pontos base pelo Fed na reunião de dezembro. As taxas dos Treasuries oscilam de forma moderada nesta manhã: o título de 10 anos negocia em 4,06% e o de 2 anos está em 3,50% — ambos próximas da estabilidade, com variações marginais —, enquanto a taxa de 30 anos sobe para 4,66%.

O dólar tocou a mínima de uma semana e hoje (26) negocia em leve alta frente a uma cesta de moedas. O índice DXY avança 0,05%, para 100,21 pontos. O ouro sobe ao maior nível em quase duas semanas nesta quarta-feira, com o ouro à vista em alta de 0,80%, para US$ 4.161,10 por onça.

Os preços do petróleo se recuperam levemente nesta quarta-feira. O Brent avança 19 centavos, ou 0,30%, para US$ 62,67 por barril, enquanto o WTI ganha 14 centavos, ou 0,24%, para US$ 58,09 o barril.

As bolsas da Ásia fecharam em alta nesta quarta, acompanhando os ganhos de Wall Street. As bolsas da Europa estão em alta generalizada, à medida que aumentam as expectativas de corte de juros pelo Fed em dezembro. O índice pan-europeu STOXX 600 avança 0,30%.

No Brasil, ontem o Ibovespa fechou em alta de 0,4% aos 155.910 pontos, enquanto o dólar terminou o dia em queda de 0,4%, cotado a R$ 5,3859. A curva de juros recuou de forma homogênea.

Economia

EUA: As vendas no varejo americano mostraram fraqueza em setembro, com uma queda de 0,1% no núcleo — que exclui itens voláteis como carros, gasolina e materiais de construção — contrariando as expectativas. Embora alguns segmentos como postos de gasolina e lojas de cuidados pessoais tenham apresentado ganhos, categorias importantes como artigos esportivos, varejo online e vestuário recuaram. Em termos reais, o núcleo das vendas diminuiu 0,4% no mês, mas ainda crescem a um ritmo sólido na taxa trimestral anualizada.

No lado da inflação ao produtor, o PPI avançou 0,3% em setembro, impulsionado por energia e alimentos, mas o núcleo do índice manteve um ritmo contido e subiu apenas 0,1%. Margens de varejistas e atacadistas recuaram, e componentes-chave para a inflação de serviços, como gestão de portfólio, vieram mais fracos. Os preços de serviços médicos também registraram avanço moderado no período.

Com os dados combinados do PPI e do CPI, a projeção para o núcleo do PCE — indicador de inflação preferido do Federal Reserve — indica alta de 0,22% em setembro, acumulando 2,85% em 12 meses. O PCE cheio deve avançar 0,29% no mês e 2,81% em bases anuais. Apesar de pressões pontuais em algumas categorias, a leitura geral sugere uma dinâmica de inflação relativamente estável, ainda que acima da meta do Fed.

Brasil: O déficit em conta corrente atingiu US$ 5,1 bilhões em outubro, acima das projeções do mercado, principalmente devido ao resultado mais negativo da conta de renda primária. No acumulado do ano, o déficit soma US$ 62,1 bilhões, ampliado pela queda expressiva do saldo da balança comercial, afetado pela forte expansão das importações e pela manutenção das despesas com serviços e remessas de lucros. Ainda assim, o avanço das exportações no segundo semestre e a redução de gastos comerciais e de serviços têm contribuído para diminuir a diferença em relação ao desempenho de 2024.

Os Investimentos Diretos no País (IDP) surpreenderam positivamente, alcançando US$ 10,9 bilhões em outubro. No acumulado de 12 meses, o IDP voltou a superar o déficit em conta corrente após oito meses, chegando a US$ 80 bilhões (3,63% do PIB), enquanto o déficit recuou para US$ 76,7 bilhões (3,48% do PIB).

Além do forte desempenho do IDP, o destaque foi a entrada de US$ 2,2 bilhões de investimentos relacionados a renda fixa. No acumulado do ano, os investimentos estrangeiros em renda fixa somaram US$ 14,7 bilhões. Os investimentos em ações tiveram um desempenho positivo, com a entrada de US$ 761 milhões em outubro, mas acumulam saídas de US$ 2,6 bilhões em 2025.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

Indicadores de hoje

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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