Incertezas sobre cessar-fogo voltam a elevar aversão ao risco nos mercados

26/03/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais operam em queda na manhã desta quinta-feira (26), pressionados pela escalada do petróleo e pelo ceticismo sobre um cessar-fogo no Oriente Médio. A recusa do Irã em avançar nas negociações de paz propostas por Trump impulsiona o barril do Brent e deflagra um aumento da aversão ao risco.

Os analistas buscam decifrar as declarações contraditórias de Washington e Teerã nas últimas 48 horas sobre o andamento das negociações de paz. Os EUA afirmam que as conversas sobre uma proposta de paz estão em curso, enquanto o Irã nega qualquer interação direta com Washington sobre o tema.

Na quarta-feira (25), a imprensa estatal iraniana informou que o país rejeitaria a oferta de cessar-fogo dos EUA, apresentando uma contraproposta de cinco pontos que daria a Teerã o controle sobre o Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a troca de mensagens entre os dois países através de mediadores “não significa negociações com os EUA”.

Diante da incerteza, os preços do petróleo operam em alta hoje, pressionando as bolsas. Os contratos futuros do Brent saltam 3,80%, para US$ 106,07 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avança 3,44%, a US$ 93,43.

As taxas das Treasuries operam em alta ao longo de toda a curva. O papel de dois anos negocia a 3,94%, com avanço de 5 pontos-base, enquanto a nota de dez anos sobe 4 pontos-base, para 4,38%.

No mercado de moedas, o índice DXY registra ganho de 0,10%, aos 99,70 pontos. O ouro cede 1,84%, para US$ 4.423,10 a onça, enquanto o Bitcoin recua 2,04%, cotado a US$ 69.532,52.

Os mercados asiáticos recuaram nesta quinta. O índice Nikkei 225, do Japão, cedeu 0,27%, enquanto o sul-coreano Kospi caiu mais de 3%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,90%, ao passo que o índice chinês Shanghai CSI 300 recuou 1,32%.

Na Europa, o índice Euro Stoxx negocia com perdas de 1,54%. Nos EUA, o S&P 500 futuro recua 0,76%.

No Brasil, o Ibovespa encerrou a última sessão com alta de 1,60%. O dólar recuou 0,09%, cotado a R$ 5,2274. As taxas de juros acompanharam o dia de alívio e fecharam em queda de cinco a 10 p.b. ao longo de toda a curva.

Economia

Brasil: O fluxo cambial registrou déficit de US$ 4,70 bilhões até 20 de março. Na terceira semana do mês, o saldo negativo limitou-se a US$ 0,10 bilhão, sem alterar as médias diárias. O período destacou-se pelos maiores fluxos de exportações e de saídas financeiras. O Banco Central interveio no mercado à vista com a venda de US$ 2,00 bilhões.

Brasil: A confiança na construção civil avançou em março, revertendo a queda de fevereiro. O índice da FGV IBRE subiu 2,10 pontos, alcançando 93,60 pontos. O Índice de Situação Atual atingiu 93,40 pontos, impulsionado pela melhora na avaliação dos negócios e carteira de contratos. O Índice de Expectativas chegou a 94,00 pontos, sustentado pela demanda prevista.

O nível de utilização da capacidade subiu 0,50 ponto percentual, para 77,60%. O otimismo estimulou as intenções de contratação para 26,80% das empresas, contra 10,70% que indicaram reduções. A escassez de mão de obra, contudo, mantém-se como um entrave que pode limitar o ritmo de expansão do setor.

Brasil: O IPCA-15 deve desacelerar para 0,29% em março. A moderação decorre do arrefecimento de serviços, refletindo o esgotamento do impacto dos reajustes escolares e a perspectiva de queda nas passagens aéreas.

Os preços administrados, como transportes urbanos e gasolina, colaboram para o alívio. Os bens industriais devem apresentar estabilidade. Em sentido oposto, a alimentação no domicílio deve voltar a acelerar com aumentos disseminados, com forte pressão de produtos in natura e semielaborados.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

Indicadores de hoje

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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