Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais seguem voláteis, oscilando entre as dúvidas sobre o valor justo da IA e das big techs e a esperança de um corte de juros nos Estados Unidos em dezembro.
Após a recuperação das bolsas americanas na segunda-feira (24), impulsionada pelo rali de nomes ligados à inteligência artificial e pela retomada da expectativa de afrouxamento pelo Fed, o mercado reabre com novas questões.
As ações da Nvidia caem na manhã desta terça-feira (25) após informação de que a Meta avalia usar chips projetados pelo Google. Os papéis recuam 2,50% no pré-mercado, enquanto ações da Alphabet sobem na mesma magnitude. A Meta considera adotar as TPUs do Google em seus data centers a partir de 2027 — especialistas afirmam que a customização confere vantagem competitiva ao Google.
Os discursos recentes, mais brandos, de diretores do Fed sustentam a expectativa de corte de juros em dezembro, enquanto o mercado calibra posições em um ambiente marcado por incertezas sobre a atividade e pela dificuldade de leitura do mercado de trabalho.
O diretor do Fed Christopher Waller afirmou ontem que os dados disponíveis mostram que o mercado de trabalho dos EUA permanece suficientemente fraco para justificar um corte de 25 pontos base ponto na reunião de dezembro.
Os mercados futuros, agora, apontam probabilidade superior a 80% para o corte em dezembro. Os Treasuries iniciam o dia perto da estabilidade, com a taxa de 2 anos em 3,49% e a de 10 anos em 4,03.
O dólar global opera praticamente estável, com o DXY em 100,14 pontos (-0,10%). O ouro estende ganhos e atinge o nível mais alto em mais de uma semana: o spot avança 0,20%, para US$ 4.147,51 por onça. O Bitcoin sobe para US$ 85.972 (+1,00%).
No mercado de commodities, o petróleo WTI recua para US$ 57,51 (-0,95%), enquanto o minério de ferro se mantém estável em US$ 104,33 (-0,02%).
No Brasil, o Ibovespa subiu 0,30%, para 155.278 pontos. O dólar caiu 0,20% e fechou cotado a R$ 5,40. A curva de juros doméstica perdeu inclinação, com a queda dos vértices longos e a estabilidade da parte curta.
Brasil: Arrecadação atingiu R$ 261,9 bilhões em outubro, com crescimento de 0,9% em termos anuais. O resultado da arrecadação ficou abaixo das expectativas, embora ainda tenha registrado leve alta real na comparação anual. A principal surpresa negativa veio das receitas de Imposto de Renda e de royalties de petróleo, que ficaram aquém do esperado.
Entre os tributos, o desempenho foi majoritariamente positivo, mesmo com a desaceleração da atividade econômica. Imposto de Renda e CSLL mantiveram crescimento real, enquanto COFINS e PIS/PASEP ficaram próximos da estabilidade. O destaque foi o forte avanço do IOF, impulsionado pelo aumento de alíquotas, que acrescentou cerca de R$ 2,2 bilhões à arrecadação em relação a maio. No acumulado do ano, a receita total apresenta expansão real de 3,2%.
Brasil: O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmou que seguirá focado no cumprimento rigoroso da meta de inflação, guiado por critérios técnicos, transparência e dados, sem ceder a pressões externas. O presidente reforçou que a política monetária continuará dependente da evolução dos indicadores e que esse compromisso é central para preservar a credibilidade da instituição.
Galípolo também minimizou as críticas do governo ao nível da taxa de juros, classificando-as como parte natural do debate econômico. Ele lembrou que, após o fim de um ciclo de alta dos juros, é comum o surgimento de especulações sobre cortes na Selic e de desconfortos com as decisões do Banco Central — dinâmicas que se repetem em diferentes momentos, independentemente do cenário.
Ao revisar o ano, o presidente destacou que 2025 começou sob questionamentos sobre a capacidade do BC de atuar diante de uma economia mais forte que o previsto. Com o tempo, as críticas mudaram de direção, passando a sugerir que os juros estariam excessivamente restritivos.
Embora reconheça que o BC lidou com novos desafios, inclusive na área de segurança, ele afirmou que os riscos do início do ano se dissiparam de forma significativa. Mantemos a expectativa que o ciclo de corte inicie em janeiro de 2026 com um corte 50 p.b., levando a taxa Selic para 14,50% ao ano.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.

Não houve divulgação de eventos relevantes.
Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |