Recuo nas tarifas impulsiona mercados

25/02/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais recuperam o apetite por risco nesta quarta-feira (25), impulsionados pelo alívio nas tensões comerciais. A decisão de Trump de formalizar tarifas de importação em 10% — recuando da ameaça original de 15% — desarmou o temor dos agentes e sustentou a recuperação dos ativos.

Na noite de ontem, no discurso sobre o Estado da União, o presidente dos Estados Unidos defendeu seu governo em uma tentativa de redefinir a narrativa econômica do último ano. O pronunciamento carrega pouca relevância imediata para os mercados,mas revela uma preocupação com a queda dos índices de aprovação.

O recuo na alíquota das tarifas alivia o prêmio inflacionário imediato. Assim, as taxas dos Treasuries de 10 anos operam com oscilação marginal e permanecem no patamar de 4,05%. Os papéis de dois anos indicam estabilidade na marca de 3,47%.

O índice DXY, que mede a força do dólar, negocia estável aos 97,85 pontos. No segmento de moedas digitais e reserva de valor, o Bitcoin salta 2,29% e atinge US$ 65.512,40, enquanto o ouro avança 0,85%, cotado a US$ 5.187,42.

No mercado de energia, o petróleo WTI registra avanço de 0,34%, precificado a US$ 65,85 por barril. O minério de ferro sobe 0,19%, cotado a US$ 98,65 por tonelada.

As bolsas do Japão e da Coreia do Sul renovaram máximas históricas nesta quarta, acompanhando os ganhos gerais na região asiática. O movimento ocorreu na esteira de um rali do setor de tecnologia em Wall Street, impulsionado pelo alívio nas preocupações comerciais e no impacto disruptivo da inteligência artificial.

O índice Nikkei, do Japão, saltou mais de 2%, encerrando a sessão no patamar recorde de 58.583 pontos. Na mesma direção, o sul-coreano Kospi avançou 1,91% e fechou aos 6.083 pontos.

Na Europa, o índice Euro Stoxx opera com alta de 0,55%. Nos EUA, o contrato futuro do S&P 500 oscila com alta discreta de 0,16% — por lá, o mercado se posiciona para o balanço da Nvidia, essencial para validar o rali tecnológico.

No Brasil, a sessão anterior foi marcada pelo otimismo, com o Ibovespa atingindo um novo recorde aos 191.490 pontos, em avanço de 1,40%. O principal índice da B3 acumula alta de 18,85% no ano. O dólar renovou a mínima em quase dois anos, cotado a R$ 5,1550. Nos juros futuros, a curva encerrou com leve baixa.

Economia

EUA: Em discurso anual sobre o Estado da União, Donald Trump destacou os avanços econômicos e propostas voltadas à redução de custos para as famílias.

Na habitação, defendeu limitar a atuação de grandes investidores na compra em massa de imóveis residenciais para aliviar a pressão sobre os preços. No setor de energia, anunciou um plano para proteger consumidores de altas nas tarifas de eletricidade associadas à expansão de data centers de inteligência artificial. Ele também propôs ampliar o acesso a planos de poupança para aposentadoria a trabalhadores sem cobertura patrocinada pelo empregador e ressaltou ganhos recentes nas contas 401(k).

Sobre política externa, Trump reiterou que não permitirá que o Irã desenvolva uma arma nuclear, citando o apoio de Teerã a grupos militantes e o avanço em mísseis como possíveis gatilhos para ação militar. Apesar do reforço de forças americanas no Oriente Médio, ofereceu poucos detalhes operacionais.

Brasil: O déficit em transações correntes encolheu para US$ 8,4 bilhões em janeiro, ante US$ 9,8 bilhões um ano antes, refletindo a ampliação do superávit comercial e a redução do déficit em serviços, que mais do que compensaram a piora na conta de renda primária. No acumulado em 12 meses, o rombo caiu para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB, preservando a trajetória de ajuste observada desde 2025, em linha com a desaceleração da atividade no segundo semestre.

O déficit em serviços recuou 12,8%, para US$ 4,0 bilhões. A melhora foi puxada por uma forte queda nas despesas líquidas de transporte e por menores gastos com telecomunicações, computação e informações. Em sentido oposto, aumentaram as despesas com aluguel de equipamentos e propriedade intelectual. Os gastos líquidos com viagens internacionais dispararam 48,4% na comparação anual, movimento provavelmente associado ao real mais apreciado e ao avanço da massa salarial — que estimularam a demanda por turismo externo.

No lado financeiro, os ingressos de investimento direto no país somaram US$ 8,2 bilhões no mês, acima do registrado em janeiro de 2025, mantendo o padrão de entradas robustas visto desde o quarto trimestre. Em 12 meses, o IDP atingiu US$ 79,1 bilhões (3,42% do PIB), voltando a superar o déficit em conta corrente.

Os investimentos em carteira também surpreenderam, com entradas de US$ 8,9 bilhões — as maiores desde 2018 —, impulsionadas principalmente pela entrada de US$ 6,9 bilhões para investimentos em títulos da dívida pública doméstica e por aportes de US$ 3,7 bilhões em ações. A menor aversão ao risco no exterior e a diversificação de portfólios para além dos EUA sustentaram a demanda por ativos brasileiros, levando o fluxo acumulado em 12 meses para US$ 28,95 bilhões.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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