Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
???? Para conferir o Informe Diário em formato PDF, clique…
📄 Para conferir o Informe Diário em formato PDF, clique aqui.
Os mercados globais operam perto da estabilidade na manhã desta terça-feira (24). O movimento ocorre após forte recuperação ontem (23), impulsionada pela perspectiva de resolução para o conflito entre Estados Unidos e Irã.
Os mercados de risco registraram uma expressiva valorização ontem, após o presidente Trump afirmar que os EUA e o Irã mantiveram “conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”. No entanto, a mídia estatal iraniana informou que não aconteceram negociações diretas entre os dois países.
Os preços do petróleo estão em leve alta nesta hoje, após as quedas acentuadas da sessão anterior. Os futuros do petróleo Brent avançam 1,30%, cotados a US$ 101,21 por barril, enquanto os futuros do West Texas Intermediate nos EUA sobem 2,47%, avaliados a US$ 90,31 por barril.
Na segunda-feira, o Brent caiu cerca de 11%, a US$ 99,00 por barril, após atingir US$ 112,00 na última sexta-feira (20).
No mercado de dívida dos EUA, os Treasuries operam em leve alta. A taxa do título de dois anos opera em 3,88%, enquanto os papéis de 10 anos permanecem estáveis em 4,37%.
O índice DXY, referência para a força do dólar ante uma cesta de moedas, registra estabilidade aos 98,95 pontos. O ouro sobe 0,42%, negociado a US$ 4.425,79 por onça-troy, enquanto o Bitcoin avança 0,56%, a US$ 71.295,90.
Os principais mercados acionários da Ásia encerraram em território positivo. O índice chinês Shanghai CSI 300 avançou 1,28%, em linha com o Nikkei, do Japão, que subiu 1,43%.
Na Europa, o índice de referência Euro Stoxx recua 0,51%. Nos EUA, os contratos futuros do S&P 500 marcam leve queda de 0,01%.
No Brasil, o Ibovespa fechou em alta de 3,24%, aos 181.931,93 pontos, enquanto o dólar cedeu 1,52%, cotado a R$ 5,2351. Na curva de juros, as taxas recuaram cerca de 25 pontos base.
Brasil: O Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou a ata da sua última reunião, na qual reduziu a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A decisão ocorreu em ambiente de forte incerteza externa, agravado pela escalada da guerra no Oriente Médio. O colegiado enfatizou que a magnitude e a duração do ciclo de calibração monetária estão estritamente condicionadas à evolução da crise geopolítica, sobretudo devido à alta expressiva de curto prazo nos preços do petróleo e seus reflexos sobre a dinâmica inflacionária.
No cenário doméstico, o PIB desacelerou no fim de 2025, mas o mercado de trabalho preserva notável resiliência. Com as expectativas desancoradas em 4,10% para 2026 e 3,80% para 2027, a autoridade monetária reiterou que o quadro atual exige uma política restritiva maior e mais prolongada.
A ata do Copom indica que os diretores permanecem confiantes em sua capacidade de calibrar o grau de restrição da política monetária, a despeito da turbulência global. Um corte parece assegurado na próxima reunião, restando saber se o mesmo será de 0,25 ou 0,50 p.p.
Diante desse quadro, avaliamos que o documento é consistente com um corte mais célere na reunião de abril, o que levaria a taxa básica a 14,25% a.a. Aguardaremos a publicação do próximo Relatório de Inflação e a entrevista coletiva, na quinta-feira (26), antes de decidir se precisaremos ajustar a nossa calibração. Por ora, vemos a Selic a 12,50% a.a. no fechamento de 2026.
Brasil: A surpreendente desistência de Ratinho Jr. da corrida presidencial consolida a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro no pleito. O pragmatismo superou as expectativas criadas por Gilberto Kassab, dadas as fracas pesquisas e a urgência de conter Sergio Moro no Paraná.
Ronaldo Caiado deve assumir a cabeça da chapa do PSD, enquanto Romeu Zema é cotado para ser vice de Flávio. Em outra frente, o ministro do STF, André Mendonça, deu 48 horas para a leitura do requerimento que prorroga a CPMI do INSS por 60 dias. A decisão prolonga o desgaste do governo, agravado pela presença de Lulinha nas investigações.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |