Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais operam em compasso de cautela nesta terça-feira (24), pressionados por alterações nas tarifas dos EUA e incertezas sobre o impacto da inteligência artificial.
A mudança tarifária levou a União Europeia a congelar seu pacto com os Estados Unidos, o que amplia a insegurança sobre os acordos comerciais. No setor de tecnologia, o alerta de que a eficiência da IA corroerá a receita de softwares tradicionais gerou vendas massivas. O foco agora recai sobre o balanço da Nvidia.
Trump discursa no Congresso na noite desta terça para o tradicional Estado da União. A geopolítica também permanece no centro das atenções, impulsionada pela escalada nas especulações sobre um potencial ataque dos EUA ao Irã.
O clima de aversão ao risco favorece os Treasuries em um claro movimento de busca por proteção. As taxas dos Treasuries operam estáveis: o título de dois anos negocia a 3,45%, enquanto o papel de referência de 10 anos marca 4,04%.
O índice DXY avança 0,12%, para 97,82 pontos. O ouro cede 1,03% e é negociado a US$ 5.173,59, distanciando-se da máxima de três semanas atingida no início da sessão. O metal é pressionado pelo fortalecimento do dólar e por realizações de lucros.
Entre os criptoativos, o Bitcoin recua 2,12%, para US$ 63.192,81. O ativo sofre forte liquidação desde outubro do ano passado, quando ultrapassou a marca de US$ 125 mil. A maior criptomoeda do mundo acumula queda de 27% no ano e já perdeu 50% de seu valor desde o pico.
O petróleo WTI avança 0,33% e é cotado a US$ 66,53, oscilando perto das máximas de sete meses. Operadores avaliam riscos à oferta diante de uma possível escalada militar, às vésperas de nova rodada de negociações nucleares entre EUA e Irã. O minério de ferro acompanha a alta ao subir 0,26%, negociado a US$ 98,46.
Na Ásia, as praças financeiras encerraram a sessão em território positivo. O índice chinês Shanghai CSI 300 avançou 1,01%, e o Nikkei, do Japão, subiu 0,87%.
O índice pan-europeu Euro Stoxx opera com recuo de 0,18%, enquanto o S&P 500 Futuro avança 0,24%.
No Brasil, o Ibovespa encerrou com queda de 0,88%, aos 188.853,49 pontos. O dólar cedeu 0,19%, cotado a R$ 5,1654. Na curva de juros, as taxas dos contratos exibiram oscilação marginal.
EUA: As encomendas à indústria recuaram 0,7% em dezembro, refletindo principalmente a queda nos pedidos de aeronaves comerciais, em linha com as expectativas do mercado. Excluindo o setor de transportes, as encomendas avançaram 0,4%, levemente acima do consenso, indicando desempenho mais resiliente nos demais segmentos da indústria.
O núcleo dos pedidos de bens de capital — indicador acompanhado como proxy de investimento empresarial — teve alta revisada para cima em 0,2 ponto percentual, para +0,8%. Os embarques desses bens também foram revisados para +1,0%. As encomendas de bens duráveis permaneceram em -1,4%, sem revisão, mas o núcleo de bens duráveis, excluindo transportes, foi ajustado para +1,0%, reforçando a leitura de demanda subjacente mais firme.
Considerando esse resultado, o tracking do PIB indica alta de 3,4% na margem no 1° trimestre. A reversão do impacto negativo dos gastos do governo devido ao shutdown no 4° trimestre do ano passado é um dos fatores que deverão contribuir para esse forte crescimento, além da continuidade da alta do consumo e dos investimentos.
China: O Banco Central (PBoC) decidiu manter inalteradas suas principais taxas de juros, conforme comunicado divulgado na terça-feira. A taxa preferencial de empréstimos (LPR) de um ano foi preservada em 3,0% ao ano, enquanto a LPR de cinco anos permaneceu em 3,5% a.a.
Os dois referenciais estão nesses níveis desde maio de 2025, quando Pequim implementou um pacote de estímulos para sustentar a atividade econômica, em meio à desaceleração do crescimento e à intensificação das tensões comerciais com os Estados Unidos.
Japão: O iene aprofundou as perdas após notícias de que a primeira-ministra Sanae Takaichi manifestou preocupação com novas elevações de juros em reunião com o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda.
O episódio foi interpretado pelo mercado como um sinal de possível pressão política sobre o ritmo de normalização da política monetária, reforçando a percepção de cautela quanto a novos ajustes nas taxas.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |