Novas ameaças de Trump pressionam os mercados

19/01/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais refletem a súbita escalada da tensão transatlântica, deflagrada pelo anúncio de Donald Trump de impor tarifas progressivas a oito aliados da OTAN caso não apoiem um acordo para a compra da Groenlândia.

A medida — que estipula taxas iniciais de 10% até 25% em junho — provocou imediata reação diplomática. Líderes europeus classificaram a exigência de soberania sobre o território dinamarquês como “inaceitável” e “completamente equivocada”.

A preocupação é com o impacto econômico direto, potencialmente mais severo que as tensões recentes com o Irã. A imposição das tarifas implica um aumento estimado de 4% a 10% nos preços de bens europeus e britânicos nos EUA dentro de seis meses. A incerteza política ressurge como vetor de risco quando as companhias americanas pareciam se adaptar ao conflito comercial e impõe um novo freio nos planos de investimento e contratação, acentuando o temor de que a imprevisibilidade volte a paralisar a atividade econômica.

Os Treasuries operam próximas da estabilidade nesta sessão, com a taxa de 2 anos em 3,59%, enquanto o título de 10 anos permanece em 4,22%.

O dólar global está em leve queda, com o índice DXY recuando 0,22%, cotado a 99,18 pontos. Em contrapartida, o ouro beneficia-se do cenário de incerteza, registrando alta expressiva de 1,55%, negociado a US$ 4.667,15 por onça-troy. O Bitcoin, por sua vez, corrige parte dos ganhos recentes e opera em queda de 2,65%, trocando de mãos ao redor de US$ 92.944.

As commodities apresentam viés negativo, pressionadas pelas perspectivas de demanda global. O petróleo WTI recua 1,19%, negociado a US$ 58,73 por barril, enquanto o minério de ferro registra leve desvalorização de 0,44%, cotado a US$ 106,92 por tonelada.

As bolsas asiáticas encerraram o pregão sem direção única, refletindo a cautela dos investidores regionais. Na China continental, o índice CSI 300 fechou praticamente estável, com leve variação positiva de 0,05%, enquanto o Nikkei encerrou as negociações em queda de 0,65%.

Na Europa e nos Estados Unidos, a tendência atual é de forte aversão ao risco nos mercados acionários. O índice Euro Stoxx opera com desvalorização acentuada de 1,65%.

Nos EUA, os futuros apontam para uma abertura negativa, pressionados pelas tensões geopolíticas, com o S&P 500 Futuro recuando 1,14%.

No fechamento da sexta-feira (16), o Ibovespa recuou 0,46%, encerrando aos 164.800 pontos. O dólar à vista manteve-se praticamente estável frente ao real, cotado a R$ 5,3713 (+0,01%). Na curva de juros, observou-se um movimento de abertura das taxas, mais acentuado na ponta longa, que abriu cerca de 15 pontos-base.

Economia

China: Os dados do PIB do quarto trimestre e das vendas no varejo de dezembro ficaram, de maneira geral, em linha com as expectativas. A produção industrial de dezembro superou levemente o consenso, enquanto o investimento em ativos fixos frustrou. Em conjunto, os números reforçam a continuidade da divergência na economia, com exportações fortes contrastando com a fraqueza da demanda doméstica.

O crescimento do PIB real desacelerou para 4,5% em termos anuais no 4º trimestre, ante 4,8% no 3º trimestre. O movimento ocorreu, em grande parte, por efeito de base elevada, mas apresentou leve aceleração na margem, para 1,2% na comparação trimestral com ajuste sazonal, frente a 1,1% no trimestre anterior.

A produção industrial ganhou algum fôlego, com crescimento anual de 5,2% em dezembro, acima dos 4,8% de novembro, apoiada pelo desempenho acima do esperado das exportações, o que sugere melhora no momentum da manufatura.

O investimento em ativos fixos mostrou deterioração, com queda de 13,0% em dezembro na comparação anual, registrando a primeira contração no acumulado do ano desde 1990 (-3,8% em 2025).

Destaques do Boletim Focus do Banco Central (16/01/2025):

  • IPCA/2026 caiu de 4,05% para 4,02%, enquanto o IPCA/2027 ficou estável em 3,80%;
  • PIB/2026 ficou estável em 1,80%, enquanto o PIB/2027 ficou estável em 1,80%;
  • Dólar/2026 ficou estável em R$ 5,50, enquanto o Dólar/2027 ficou estável em R$ 5,50;
  • Selic/26 ficou estável em 12,25% a.a., enquanto a Selic/2027 ficou estável em 10,50% a.a.;
  • Primário/26 ficou estável em -0,53%, enquanto Primário/27 subiu de -0,34% para -0,30%.

Para acessar o relatório completo, clique aqui.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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