Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
???? Para conferir o Informe Diário em formato PDF, clique…
📄 Para conferir o Informe Diário em formato PDF, clique aqui.
Os mercados globais operam em alta nesta quarta-feira (18), impulsionados pelo alívio nas cotações do petróleo, enquanto aguardam a decisão do Fed.
A guerra do Oriente Médio continua. Ontem (17), uma nova onda de ataques à infraestrutura energética dos Emirados Árabes Unidos aumentou os temores de interrupções prolongadas no fornecimento em meio à guerra do Irã.
Apesar da incerteza sobre a oferta de energia, o barril de petróleo WTI opera em queda de 1,32% e negocia a US$ 94,94 por barril. O Brent, por sua vez, registra oscilação negativa de 0,12%, a US$ 103,27.
Hoje, às 15h, o Fed anuncia sua decisão de política monetária. O consenso é de manutenção no intervalo entre 3,50% e 3,75%ao ano. O foco estará nas projeções dos diretores e na entrevista do presidente Jerome Powell, às 15h30.
A expectativa é que a mediana continue a indicar um corte neste ano e outro em 2027, apesar das revisões em alta para a inflação cheia decorrentes da elevação nos preços do petróleo. Essa avaliação pressupõe que os diretores olhem além do choque de oferta, considerado transitório e sem impacto relevante sobre o núcleo da inflação.
Apesar disso, existe o risco de a mediana das projeções apontar para a estabilidade das taxas em 2026. Para que esse cenário se concretize, basta que três dos diretores que previram cortes em dezembro retirem a redução de suas estimativas atuais.
As taxas dos Treasuries operam estáveis. O título de 2 anos negocia a 3,67%, enquanto a taxa de 10 anos opera a 4,18%.
O índice DXY registra oscilação marginal e negocia a 99,57 pontos. O ouro recua 0,34% e passa a ser cotado a US$ 4.988,51. O Bitcoin cai 0,56%, negociado a US$ 74.124,73.
Na Ásia, o índice chinês Shanghai CSI 300 fechou em alta de 0,45% e o Nikkei, do Japão, avançou 2,87%.
O índice Euro Stoxx opera com ganhos de 1,05%. Nos EUA, o contrato futuro do S&P 500 avança 0,49%.
O Ibovespa encerrou com alta de 0,30%, aos 180.409,73 pontos, enquanto o dólar recuou 0,72%, cotado a R$ 5,1934. Na curva de juros, as taxas subiram de 5 a 10 pontos base ao longo da curva.
EUA: As vendas pendentes de imóveis avançaram 1,8% em fevereiro na comparação mensal, interrompendo dois meses consecutivos de queda, impulsionadas por taxas de hipoteca mais baixas no período — movimento que já foi parcialmente revertido diante da recente alta dos juros. Ainda assim, na comparação anual, as vendas recuaram 0,6%. O crescimento mensal foi disseminado entre as regiões, com exceção do Nordeste.
Como indicador antecedente das vendas de imóveis existentes, geralmente com defasagem de um a dois meses, o dado de fevereiro deve ser interpretado com cautela, já que antecede tanto os eventos geopolíticos recentes quanto a elevação das taxas de financiamento. As vendas de imóveis existentes mostraram alguma recuperação no mês, mas seguem estáveis dentro de um intervalo relativamente estreito há cerca de dois anos, apesar de sinais de melhora na condição de compra das famílias.
Brasil: O IGP-10 recuou 0,24% em março, após queda de 0,42% em fevereiro. A desaceleração da deflação refletiu principalmente o comportamento dos preços no atacado. O IPA-10 caiu 0,39%, com destaque para a redução menos intensa no segmento agropecuário (-0,13%, após -3,09%), em meio à dinâmica da soja e à alta de alguns itens pecuários. Em contrapartida, o IPA industrial aprofundou a queda (-0,48%, ante -0,02%), pressionado por recuos mais acentuados em minério de ferro, metais não ferrosos e derivados de petróleo, apesar da alta expressiva em petróleo e gás natural.
Os indicadores qualitativos do atacado também apontaram perda de fôlego inflacionário. O índice de difusão do IPA industrial recuou, indicando menor disseminação de altas, enquanto o núcleo desacelerou de forma significativa, refletindo contribuições baixistas concentradas em químicos e papel e celulose.
No varejo, o IPC-10 praticamente estagnou (0,03%, ante 0,50%), com alívio disseminado entre os principais grupos, notadamente educação — após a dissipação dos reajustes sazonais — e transportes, que foram beneficiados pela queda de combustíveis e passagens aéreas.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |