Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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O sentimento de aversão ao risco, mesmo que de forma mais amena, ainda prevalece na abertura dos mercados globais nesta sexta-feira (13).
Na sessão de ontem (12), pautada pela desalavancagem e pela ansiedade em torno da lucratividade do setor de tecnologia, o Nasdaq recuou 2,05% e o S&P 500 cedeu 1,57%. O movimento de liquidação (sell-off) no segmento tecnológico e em metais preciosos refletiu o ceticismo sobre o retorno da inteligência artificial perante o aumento dos custos de insumos. A correção nos índices acionários impulsionou a busca por segurança nos Treasuries.
Cada uma das sete gigantes de tecnologia, as Magnificent Seven, encerrou o pregão em território negativo. O recuo de 12% da Cisco Systems — provocado por projeções financeiras (guidance) decepcionantes — exerceu pressão sobre o mercado amplo. A Apple registrou queda de 5% durante a sessão regular, a pior perda diária desde abril de 2025.
Hoje, o foco volta-se para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de janeiro nos EUA. O mercado projeta uma alta de 2,50% na comparação anual e um avanço de 0,30% na variação mensal.
As taxas dos Treasuries operam estáveis nesta manhã. A taxa de dois anos negocia a 3,48%, enquanto o título de 10 anos apresenta juros de 4,12%.
O dólar, medido pelo índice DXY, avança 0,12% ao patamar de 97,05 pontos. O ouro valoriza 1,00% e é negociado a US$ 4.971,17 por onça-troy, enquanto o Bitcoin apresenta alta de 1,60%, cotado a US$ 66.837,01.
Entre as commodities, o petróleo WTI opera em alta de 0,24%, negociado a US$ 62,99 por barril. Em sentido oposto, o minério de ferro recua 0,24% e atinge o nível de US$ 100,05 por tonelada.
Na Ásia, a sessão encerrou com sinal negativo. O índice japonês Nikkei recuou 1,21%, acompanhado pelo índice chinês Shanghai CSI 300, que fechou em queda de 1,25%.
Nesta manhã, os mercados europeus e os futuros americanos operam em queda, próximos da estabilidade. O Euro Stoxx cede 0,16%, enquanto os contratos futuros do S&P 500 registram desvalorização de 0,04%.
No fechamento de ontem, o Ibovespa encerrou em queda de 1,02%, aos 187.766,42 pontos. O dólar comercial fechou em alta de 0,54% a R$ 5,2125.
EUA: As vendas de imóveis usados caíram 8,4% na margem em janeiro, para uma taxa anualizada ajustada sazonalmente de 3,91 milhões de unidades, abaixo das expectativas e no menor nível desde setembro de 2024. O dado de dezembro foi revisado para baixo em 80 mil unidades, para 4,27 milhões. A retração foi disseminada entre casas unifamiliares e apartamentos.
O preço mediano das residências usadas recuou 0,5% na comparação mensal com ajuste sazonal, mantendo alta de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O relatório classificou a queda nas vendas como “decepcionante”, mas ponderou que temperaturas abaixo da média e chuvas acima do normal em janeiro dificultam a leitura da tendência subjacente.
Ao mesmo tempo, o relatório apontou melhora nas condições de compra das famílias, enquanto o equilíbrio entre oferta e demanda avançou marginalmente, com o estoque disponível subindo para 4,2 meses de vendas, acima da média de 3,9 meses observada em 2019.
Brasil: O setor de serviços recuou 0,4% na margem em dezembro frente a novembro. Apesar da queda, o volume ainda avançou 3,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O resultado interrompeu uma sequência de nove altas mensais consecutivas — a mais longa da série da Pesquisa Mensal de Serviços.
No quarto trimestre de 2025, o setor cresceu 0,8% ante o trimestre anterior e 2,8% na comparação anual, marcando a terceira expansão trimestral seguida. No acumulado do ano, a alta foi de 2,8%, com destaque para serviços de tecnologia da informação e transporte aéreo, que lideraram a contribuição positiva para o resultado agregado.
Em dezembro, a retração foi puxada pelo segmento de transportes (-3,1%), refletindo quedas tanto no transporte de cargas quanto no de passageiros, que atingiram os menores níveis desde meados de 2025. Também recuaram Outros Serviços, pressionados por soluções de pagamentos eletrônicos, e os serviços técnico-profissionais, afetados por agenciamento de publicidade.
Com esse resultado, o tracking do PIB segue indicando contração de 0,1% na margem do PIB no 4° trimestre, com a economia crescendo 2,2% em 2025.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |