Dados de emprego mudam apostas para cortes de juros nos EUA

12/02/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os ativos globais operam com viés positivo nesta quinta-feira (12), enquanto os Treasuries e o dólar seguem estáveis.

O vigor inesperado na criação de vagas em janeiro nos EUA deslocou as apostas de flexibilização pelo Fed para o segundo semestre, consolidando a percepção de que as taxas permanecerão inalteradas na próxima reunião. O mercado agora embute uma probabilidade de 94% para a manutenção dos juros — ante 80% no dia anterior — e, agora, aguarda o índice de preços ao consumidor (CPI) de amanhã (13) para avaliar o quadro de inflação.

Os Treasuries operam com estabilidade. A taxa da nota de 10 anos sustenta 4,17%, mantendo o leve ajuste na curva após os dados de emprego, enquanto a taxa do título de 2anos marca 3,51%.

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, recua 0,07% e opera aos 96,77 pontos. No mercado de metais, o ouro apresenta queda de 0,18% e negocia a US$ 5.074,99 por onça-troy. O Bitcoin registra desvalorização de 0,36%, cotado a US$ 67.513,01.

O petróleo WTI opera em queda de 0,19% e negocia a US$ 64,51 por barril. No segmento de insumos siderúrgicos, o minério de ferro recua 0,35% e é transacionado a US$ 100,29 por tonelada.

Os mercados asiáticos encerraram a sessão predominantemente em alta. O índice Nikkei, no Japão, fechou em leve queda de 0,02%. Já o índice chinês Shanghai CSI 300 encerrou o dia em território positivo, com avanço de 0,12%.

Na Europa, o índice Euro Stoxx avança 0,68% sob o impulso do setor corporativo e, nos EUA, o contrato futuro do S&P 500 opera com alta de 0,31%.

No mercado doméstico, o Ibovespa disparou 2,03% e atingiu um novo recorde histórico de fechamento, aos 189.699 pontos. O índice foi impulsionado pelo forte fluxo de capital estrangeiro, pela alta das commodities e por balanços corporativos positivos, como os de Suzano e TIM.

O dólar, por sua vez, recuou 0,18%, cotado a R$ 5,187 — o menor nível em 21 meses. A curva de juros registrou ganho de inclinação: enquanto o contrato para janeiro de 2027 recuou 4 pontos base, a taxa para janeiro de 2031 apresentou estabilidade.

Economia

EUA: O mercado de trabalho iniciou 2026 com um vigor inesperado, adicionando 130 mil vagas em janeiro e ficando acima das projeções — que estimavam 69 mil vagas —, mas que exige uma leitura cautelosa. Embora o número principal sugira robustez, fatores sazonais, como o clima atipicamente quente que impulsionou a construção civil, além de um desempenho excepcional no setor de saúde, podem ter inflado os dados.

Descontadas essas volatilidades temporárias, o ritmo subjacente de contratações privadas aproxima-se de 50 mil postos mensais, sinalizando que a economia mantém uma marcha constante, porém menos acelerada do que a manchete sugere.

Revisões estatísticas recentes revelam que o encerramento de 2025 foi mais sólido do que os dados preliminares indicavam, apontando para uma recuperação real na reta final do ano passado. A demanda por mão de obra é evidenciada pelo salto de 2,3% nas horas trabalhadas e pelo crescimento de 5,9% na massa salarial agregada no início deste primeiro trimestre.

No quadro geral, a taxa de desemprego recuou para 4,3%, o nível mais baixo desde agosto, mesmo com um aumento na participação de pessoas buscando ocupação. O cenário atual consolida uma dinâmica de “baixa rotatividade” (no-fire, no-hire): as empresas evitam contratações agressivas, mas a força do relatório de janeiro deveu-se, em grande parte, à queda acentuada nas demissões. O sinal é de um mercado de trabalho que perdeu o ímpeto de expansão, mas sem indicações que entrará em retração.

Após o relatório de emprego de janeiro, o mercado reduziu a estimativa de 60 pontos para 50 pontos base de cortes de juros em 2026, com o primeiro corte em julho desse ano. Mantemos a expectativa de doiscortes de 25 p.b.nas reuniões de junho e setembro do Fed.

EUA: O escritório de orçamento do Congresso (CBO) projeta que o déficit orçamentário dos EUA subirá para US$ 1,8 trilhão no ano fiscal de 2026, mantendo-se em patamares elevados de 5,8% do PIB. A perspectiva de longo prazo é ainda mais severa: a estimativa é que o rombo alcance 6,7% do PIB até 2036, impulsionado por juros altos e gastos estruturais. O cenário reforça o sinal de alerta sobre a sustentabilidade da dívida americana frente a um custo de capital permanentemente mais caro.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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