Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais operam com viés construtivo, ensaiando uma retomada do apetite por risco diante da desaceleração do consumo nos EUA.
A estagnação das vendas no varejo em janeiro reforça as apostas em cortes de juros pelo Fed. Esse cenário favorece o fechamento da curva, especialmente nos vértices intermediários, mitigando o prêmio de risco. Embora o sentimento seja predominantemente construtivo, a cautela persiste no setor de tecnologia.
O foco hoje será sobre a divulgação do relatório de empregos não agrícolas de janeiro pelo Bureau of Labor Statistics. Economistas projetam a criação de 55 mil vagas, após alta de 50 mil em dezembro. A taxa de desemprego é estimada em 4,4%. O mercado também acompanha o conjunto de revisões do BLS, que pode oferecer um diagnóstico mais preciso sobre as condições do mercado de trabalho e o ritmo da economia dos EUA.
As taxas dos Treasuries mostram pouca alteração nesta manhã. O Treasury de 2 anos permanece em 3,45%, dinâmica seguida pelo títulode 10 anos, que sustenta 4,13%, com oscilação marginal.
A busca por ativos de risco pressiona a moeda americana. O índice DXY recua 0,26%, a 96,55 pontos. O ouro avança 0,78%, cotado a US$ 5.064,74 por onça-troy, enquanto o Bitcoin cede 2,65%, a US$ 66.794,80.
Os preços do petróleo avançam levemente, enquanto os mercados aguardam desdobramentos da reunião entre Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O WTI sobe 1,31%, a US$ 64,80 por barril. O minério de ferro avança 0,39%, a US$ 100,64 por tonelada.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, prolongando o rali apesar de temores relacionados à inteligência artificial e de dados econômicos fracos nos EUA. O índice chinês Shanghai CSI 300 fechou em baixa de 0,22%. O Nikkei, do Japão, encerrou praticamente estável.
Na Europa, as ações abrem em leve queda, com o índice Euro Stoxx recuando 0,46%. Os futuros do S&P 500 operam em alta de 0,08%.
No Brasil, o Ibovespa encerrou a última sessão em queda de 0,17%, aos 185.929 pontos. O dólar avançou 0,09% frente ao real, cotado a R$ 5,1972.
EUA: As vendas no varejo ficaram estáveis em dezembro, enquanto o grupo de controle — que exclui itens mais voláteis e entra no cálculo do PIB — recuou 0,1% na margem. Fatores sazonais subtraíram cerca de um ponto percentual adicional das vendas de novembro e dezembro de 2025 em relação ao padrão observado em 2024, o que pode ter contribuído para a fraqueza de dezembro. Parte desse efeito deve ser revertida em janeiro.
Dentro do grupo de controle, as maiores quedas mensais foram registradas em vestuário e acessórios, lojas diversas e móveis. As únicas altas ocorreram em supermercados e bebidas e nas vendas não presenciais (online).
O resultado fraco das vendas do varejo indica que o consumo deverá crescer 2,4% na margem no 4° trimestre, o que levou a revisão do tracking do crescimento do PIB de 4,2% para 3,7% na margem no 4° trimestre de 2025.
Brasil: O IPCA avançou 0,33% em janeiro, em linha com o consenso (0,32%) e ligeiramente abaixo da nossa estimativa (0,35%). As medidas de núcleo desaceleraram em termos anuais, reforçando o quadro de desinflação. Transportes lideraram as pressões, com reajustes de ônibus e alta da gasolina, além de aumentos em cuidados pessoais e lazer. Em contrapartida, a bandeira verde nas tarifas de energia, a queda nas passagens aéreas e o recuo em transportes por aplicativo ajudaram a conter o índice.
Os núcleos subiram 0,45% no mês, pouco abaixo dos 0,46% de dezembro, enquanto a taxa em 12 meses recuou de 4,6% para 4,4%. O núcleo de bens acelerou marginalmente no acumulado anual, para 3,3%, refletindo reajustes em eletrônicos e itens de informática, embora os serviços sigam em trajetória de arrefecimento. Excluindo passagens aéreas, o núcleo de serviços avançou 0,57% em janeiro, praticamente estável na margem, com desaceleração anual de 5,9% para 5,6%. A média móvel trimestral anualizada também perdeu força, sinalizando um processo mais disseminado de descompressão inflacionária.
O ambiente de atividade mais fraca, expectativas ancoradas e apreciação recente do câmbio reforça a perspectiva de que a inflação em 12 meses atinja 3,2% em maio. Para fevereiro, contudo, é esperada alta de 0,53%, pressionada pelo reajuste anual de educação. Mantemos a projeção de IPCA em 4,8% para 2026, com riscos altistas no segundo semestre diante da esperada depreciação cambial — associada às incertezas fiscais a partir de 2027.
Nesse contexto, a leitura benigna sustenta a expectativa de início do ciclo de cortes da Selic em março, com redução de 50 pontos base. Mantemos a expectativa de continuidade do ciclo com quatro cortes consecutivos de 50 p.b. entre abril e setembro, seguido de um corte de 25 p.b. na reunião de novembro. Com isso, a Selic deve terminar 2026 em 12,25% ao ano.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |